Entre 2 e 30 de Setembro, a Cinemateca apresenta o ciclo JORGE DE SENA E SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN EM CORRESPONDÊNCIA – JORGE DE SENA, CENDRADA LUZ / SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN: SIRVO PARA QUE AS COISAS SE VEJAM.

Celebrando o centenário do nascimento de Jorge de Sena e de Sophia de Mello Breyner Andresen, que se encontraram no tempo, na amizade e na palavra poética, expressão de um profundo desejo de renascimento da ordem das coisas, a Cinemateca exibirá 27 filmes, onde o encontro se dá a ver através das ressonâncias que o dilatam.

O primeiro ciclo é dedicado a Jorge de Sena e terá início com Luzes da Ribalta (1952), de Charles Chaplin, que será procedido de Erros Meus (1999), de Jorge Cramez, Les Visiteurs du Soir (1942), de Marcel Carné, O Escritor Prodigioso (2005), de Joana Pontes, Sinais de Vida – Breve Sumário da Vida e da Obra de Jorge de Sena (1984), de Luís Filipe Rocha, O Milagre de Milão (1951), de Vittorio de Sica, A Bella e o Monstro (1945), de Jean Cocteau e René Clément, O Crepúculo dos Deuses (1950), de Billy Wilder, A Passageira (1961), de Andrzej Munk, Os Salteadores (1993), de Abi Feijó, Macbeth (1948), de Orson Wells, Sinais de Fogo (1995), de Luís Filipe Rocha, e M-Matou (1931), de Fritz Lang. Quanto aos critérios que orientaram tais escolhas, a Cinemateca explica: “além do universo dos filmes sobre os quais escreveu, tivemos em atenção uma lista (publicada em O Tempo e o Modo, de 1968), em que Sena indicou os dez filmes que levaria consigo para uma ilha deserta (…). Juntámos, a essa lista, os filmes portugueses adaptados de obras suas ou que retratam a sua vida e obra: Sinais de Fogo e Sinais de Vida de Luís Filipe Rocha; o documentário de Joana Pontes, O Escritor Prodigioso; as curtas-metragens de Abi Feijó e Jorge Cramez, Salteadores e Erros Meus.

Correspondências (2016), de Rita Azevedo Gomes, faz a transição para o ciclo de Sophia. É do oceano que nasce “o fio de linho da palavra” («O Minotauro»), as cartas trocadas durante o exílio de Sena e que são o gesto de passagem e aproximação na distância.

Em colaboração com a Comissão das Comemorações do Centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, o ciclo inspirado na poetisa abre com Sophia de Mello Breyner Andresen (1969), de João César Monteiro, O Construtor de Anjos (1978), de Luís Noronha da Costa, Stromboli (1950), de Roberto Rosselini, Sicília (1999), de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, Os Sapatos Vermelhos (1948), de Michael Powell e Emeric Pressburguer, Mediterranée (1963), de Jean-Daniel Pollet, Il Miracolo (1948), de Roberto Rossellini, Saraband (2003), de Ingmar Bergman, O Apicultor (1986), de Theo Angelopoulos, A Viagem (1994), de Jorge Queiroga, Atlântida (1932), de Georg Wilhelm Pabst, e Mar (2018), de Margarida Gil. Acerca da motivação que impulsionou estas projecções, a Cinemateca refere que, os filmes que Sophia gostava, os de Michael Powell e Emeric Pressburger, de Dreyer, de Noronha da Costa, ou de Bergman, acompanhados de outros, associados ao universo de Sophia, como é o caso d’O Apicultor, La Méditerranée ou Sicília!, e que “a única evidência nesta escolha foi Atlântida, o filme de Pabst que a própria Sophia escolhera, quando, em julho de 1995, aceitou vir apresentar uma sessão das “Terças-feiras Clássicas” da Cinemateca”. Acrescenta-se o filme que lhe fora dedicado, de João César Monteiro, e outros onde flutuam ecos da autora, como Mar e A Viagem.

No processo de criação de Correspondências, Luís Miguel Cintra leu o poema «Glória», de Sena, a Rita Azevedo Gomes e, comentando o verso “Um dia nos libertaremos da morte sem deixar de morrer”, disse: “Não sei se estou de acordo. Também podia ser: um dia nos libertaremos da morte sem deixar de viver”. Que esses seus dias não deixem de ser por nós correspondidos.

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Texto Raquel Botelho Rodrigues
Créditos cedidos pela Colecção da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
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