De 2 a 6 de fevereiro, "Concerto nº1 para Laura" sobe ao palco do São Luiz Teatro Municipal para que mergulhemos em três décadas de repertório artístico da coreógrafa e da Associação Produções Real Pelágio.

Num tempo noturno de (im)possibilidades, a coreógrafa Sílvia Real decidiu mergulhar na sua memória de três décadas de repertório artístico, um universo saturado de referências musicais ecléticas, personagens femininas marcantes e figurinos fantasma. Um repertório (em grande parte) composto pelos espetáculos criados ao longo dos últimos 25 anos pela associação cultural que fundou em 1997 - Produções Real Pelágio -, em conjunto com o músico Sérgio Pelágio, na sequência do trabalho que os dois vinham desenvolvendo em conjunto. Assim nasceu o "Concerto n.º 1 para Laura", com estreia marcada para o dia 18 de fevereiro na Sala Mário Viegas do São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa.

Magnum Soares, Sílvia Real e Beatriz Valentim | Fotografia de Rita Delille

"Canções de embalar, canções de amor e canções de intervenção sempre fizeram parte da minha vida. Sempre adorei cantar, sempre cantei para adormecer os meus filhos, no duche, a cozinhar ou quando viajo sozinha de carro. (…) Quando nos vimos forçados a ficar em casa, comecei a desenvolver esta ideia a partir de um princípio que se adivinhava, o formato a solo, aquele que perante a pandemia seria o mais seguro face à complexidade logística e financeira de continuar a circular o meu último projeto que envolvia uma equipa de 17 pessoas, entre jovens e adultos.", conta Sílvia Real, que convocou ainda os seus cúmplices de longa data, o coreógrafo Francisco Camacho (que assina consigo a coreografia), a música Sofia Sequeira e a investigadora Simone Longo de Andrade. Em palco, Sílvia Real junta-se aos jovens bailarinos Beatriz Valentim e Magnum Soares, intérpretes e cocriadores do espetáculo.

Se o palco é um lugar de união, combate e utopia, "Concerto nº1 para Laura", foi o escape encontrado por Sílvia Real -"Cada pessoa encontra o seu possível escape. Este foi o que encontrei para suportar este momento na nossa história. E no palco, onde ainda reina uma liberdade inigualável que gosto de estar, onde tenho a grande sorte de poder construir um mundo com todas as minhas inquietações e devaneios. A arte sempre teve esse papel político e interventivo, mas também o de aliviar nos momentos mais duros, e é esse também o meu desejo enquanto artista e que espero cumprir neste novo projeto."

O espetáculo continua a norte, e será apresentado a 18 de fevereiro no Teatro-Cine de Torres Vedras e, depois, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco, em data a anunciar. 

Texto de Patrícia Nogueira
Fotografia de Sofia Afonso

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