No início da semana, estive à conversa, durante umas horas, sobre o consumismo da sociedade e como as grandes empresas nos empurram para o consumo descontrolado e as nossas próprias atitudes nos fazem entrar neste ciclo vicioso.
Das várias coisas que pude apurar, gostaria de fazer referência ao facto de achar que a maior parte da sociedade está em negação, como um alcoólatra ou um toxicodepente que não vive sem a droga mas que jura a pés juntos que tem a situação controlada.

Somos uns mais que os outros e, como em tudo, os extremos nunca são bons. Juntando a isto, vivemos cada vez mais numa sociedade que parece obrigar-nos a ter esses tipos de comportamentos, e por isso cada vez mais as pessoas gastam dinheiro que não têm, para comprar coisas de que não precisam para impressionar pessoas que não conhecem (vi isto algures na Internet).
Perguntaram-me se sou consumista, eu digo que até certo ponto sou, mas faço os meus consumos com alguma consciência, consigo controlar-me e não cair nas armadilhas das publicidades.
Tecnologia deve ser o meu tendão de Aquiles, mas sempre com algum controlo. Por exemplo, tento vender coisas antigas para comprar outras ou fazer um estudo e ver se realmente preciso do que estou a pensar comprar ou até procurar bons negócios pela Internet, produtos em segunda mão.

Mas vamos àquilo que considero um “consumismo extremista”. Conheço vários casos e muitos deles acredito que sejam mais para impressionar outros do que propriamente uma satisfação própria. Vemos muito disso nos smartphones, muitas pessoas tem equipamentos atuais, bastante bons e que foram caros, mas sentem uma necessidade enorme de ter o último modelo acabado de sair, mesmo sabendo que o seu é recente e continua perfeito para aquilo que é preciso. Os novos equipamentos, na sua maioria, vem com algumas alterações no hardware e um ou outro upgrade no software criando assim a falsa necessidade de que, de facto, precisamos de adquirir este novo equipamento. O mesmo se passa com roupa e com os lançamentos que são feitos a cada estação. Podemos ter o guarda roupa cheio, mas passando no centro comercial cai sempre o pensamento que podíamos comprar mais alguma coisa.
Apesar de ninguém nos colocar uma pistola na cabeça, e o ato da compra ser feito por nós, as grandes empresas não estão livres de culpa.

“O consumismo é um estilo de vida orientado por uma crescente propensão ao consumo de bens ou serviços, em geral supérfluos, em razão do seu significado simbólico (prazer, sucesso, felicidade), frequentemente atribuído pelos meios de comunicação social.” — Wikipédia

Se pensarmos em lâmpadas, e isto foi algo que me foi contado pelo meu amigo e modelo Cláudio Tibunga, existem lâmpadas que podem estar em funcionamento dezenas de anos e, quem sabe, centenas, mas que empresa iria querer vender um produto que dura 80 anos?!
Claramente, nenhuma, isso seria a morte certa de grande parte dos negócios, o que faz sentido se pensarmos de um ponto de vista económico e social, mas acaba por ser muito injusto o comum trabalhador pagar milhares de euros por um equipamento e o mesmo, digamos, ser alterado de forma a ficar mais lento, ou ultrapassado para certas aplicações para assim obrigar as pessoas a automaticamente criar a necessidade de comprar um novo equipamento. Aqui já entramos no campo de máxima influência das grandes empresas, o que já não é correto, somos claramente obrigados a efetuar uma nova compra.
Mas é evidente que muitos apenas consomem e não são consumistas, muitos trabalhos hoje em dia exigem um bom equipamento, muitas pessoas da área da moda acabam por ter mais roupa que dias tem o ano, coisas que na maior parte até foram oferecidas, “posso ter todos os equipamentos da Apple, desde do Ipad ao Apple Watch e não fazer parte do grupo dos consumistas, porque, de facto, necessito destes equipamentos para trabalho, tenho um cuidado extra com os meus equipamentos para que assim durem mais tempo”, e desta forma muitos defendem os seus níveis que consumismo. Para mim, são “drogados” na mesma, mas apenas consomem uma droga mais leve.
Considero uma pessoa não consumista alguém que se despe de qualquer coisa material, e que não segue qualquer moda a todos os níveis, aquele tipo de indivíduo que usa tanto a roupa como os gadgets até ao limite e quando tem de comprar coisas novas não liga a marcas e é capaz de comprar a coisa mais barata do mercado, sem seguir o pastor que leva o rebanho para onde quer e faz o que quer com ele.
Desta forma, vamos admitir o que somos, agir de acordo com isso, e esfregar as mãos com todo o entusiasmo porque em breve estamos a gastar dinheiro nos centros comerciais em coisas que nos fazem felizes por momentos.

-Sobre Nuno Varela-

Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas.Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.

Texto de Nuno Varela
Fotografia de Lucas Coelho
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