O guitarrista André Santos inaugura, a 6 de julho, pelas 18h, um ciclo de conversas informais em que convidou seis guitarristas para conversar sobre o que têm em comum: a guitarra.

Em entrevista ao Gerador, o guitarrista conta que esta é uma ideia que habitava a sua cabeça há uns anos. Por volta de 2012, quando criou o seu site, fez uma série de entrevistas mensais por escrito. “Desde essa altura, fiquei com vontade de dar continuidade a isso e acrescentar esta componente de vídeo e de conversa ao vivo, mais do que mandar as perguntas e as pessoas responderem.” Desta forma, com estas conversas tem o objetivo pessoal de “conhecer melhor alguns destes guitarristas” e “conversar um bocadinho mais com eles sobre guitarra”. “Fazer uma entrevista dá-nos a oportunidade de fazermos certas perguntas que, às vezes, numa conversa normal não faríamos e é bom ouvi-los e refletir sobre certas coisas que pergunto, sobre aspetos de música, guitarra, sobre a técnica do instrumento, sobre o som do instrumento, etc. E também dar a conhecer um bocadinho mais este universo da guitarra e mostrar vários pontos de vista, várias personalidades musicais deste instrumento que é a guitarra e mostrar guitarristas diversos, de várias áreas e abordagens”, acrescenta.  

Para dar início a este ciclo, André partilha seis conversas informais, de guitarrista para guitarrista, uma conversa por dia, às 18h, durante esta semana, na sua página de Facebook e, futuramente, em podcast. No final de cada conversa, o convidado irá tocar um tema.

Embora, para já, estejam anunciadas apenas seis conversas, este é um número que pode vir a aumentar em semanas futuras. “Comecei com estas seis conversas. Escolhi o número seis, porque escolhi o nome ‘Cordas Soltas’ e as guitarras têm seis cordas, normalmente. Então, fiz este bloco de seis. A minha ideia é dar continuidade, mas sem um prazo estipulado. Sai esta primeira temporada e depois, ao longo do tempo, vou, consoante a minha disponibilidade, fazendo outras conversas. Já tenho muitos nomes aqui numa listinha que fiz. Tenho muitos nomes com quem gostaria de conversar e a minha ideia é fazer outro bloco de seis mais para a frente e ir fazendo”, explica.

Para André Santos, que neste ciclo assume o papel de entrevistador focando a conversa no percurso dos convidados, a escolha dos mesmos foi fácil: guitarristas portugueses com quem gosta ou gostaria de conversar, por os admirar ou lhe suscitarem curiosidade.

“Há muitos guitarristas bons em Portugal, de vários estilos e que me suscitam muito interesse e curiosidade”, declara. Assim, ficamos já a conhecer os primeiros seis nomes: emmy Curl, Peixe, André Matos, Pedro Jóia, Mário Delgado, Pedro Branco. “Tenho uma lista já com 30/40 nomes com quem gostaria de falar e escolhi estes primeiros seis, alguns deles, porque também são amigos próximos, por isso também poderiam servir de cobaias para este meu papel de entrevistador, mas todos eles têm em comum o facto de os admirar imenso e de querer ouvi-los a falar sobre música, sobre guitarra. Ouvir os seus pontos de vista e reflexões sobre o instrumento e sobre música.”

Ainda olhando para o possível futuro de Cordas Soltas, André confessa que já pensou na possibilidade de alargar o “tipo de instrumentos de cordas” que integra o ciclo. “Este nome de Cordas Soltas dá para guitarra, e foi pensado para isso, mas claro que também já pensei noutros cordofones, cavaquinhos, e também noutros instrumentos completamente diferentes como o contrabaixo, ou o baixo elétrico, que tem cordas soltas, ou a voz, que tem cordas vocais. Também é uma hipótese, volta e meia, fazer umas temporadas especiais com outros instrumentos. É uma possibilidade, mas vai depender também do feedback que receber desta primeira temporada. Embora me dê um gozo grande fazer isto, é bom haver recetividade, alguém a receber esta informação para também de alguma forma motivar a continuidade.” Para além disso, pensou ainda na possibilidade de alargar o espectro de convidados em termos de nacionalidade. “Se calhar, quem sabe, alargar para uma temporada de guitarristas brasileiros, por exemplo. Continua a ser falado em português, mas com um sotaque diferente, e gosto de muitos guitarristas brasileiros”, avança.

Para já, temos seis conversas com seis guitarristas portugueses e para anunciar cada uma, o André desafiou o designer Dário Gomes para participar nas Cordas Soltas através da elaboração de “um desenho, uma imagem, ou o que lhe desse na gana”, partilha o mesmo nas suas redes sociais, que ilustrasse o ciclo de conversas. Dário é um amigo de longa data, ainda dos tempos de escola na Madeira. Após alguns anos desencontrados, voltaram a reunir-se inclusive com o propósito de, em 2016, o designer ilustrar o disco Vitamina D de André Santos. “É um ilustrador de quem gosto muito, aprecio muito o trabalho dele e sabia que ele ia fazer um bom trabalho. Só lhe expliquei o conceito, não restringi de forma alguma a criatividade dele, expliquei-lhe e deixei-o fazer o que ele quisesse. Não pedi caricaturas dos músicos, não pedi nada. Pedi inicialmente só uma espécie de logótipo e ele pediu fotos dos músicos e decidiu fazer estas ilustrações e gostei muito, ficou muito bonito.”

André Santos é um guitarrista madeirense de amplos interesses. Foi no conservatório de Amesterdão que fez o mestrado em jazz, tendo desenvolvido uma tese sobre cordofones madeirenses, grupo no qual se inserem instrumentos como o rajão, a braguinha e a viola de arame. Foi essa investigação que muito inspirou o cunho com que contribuiria para Mano a Mano, o projeto a duo que tem com o seu irmão, também guitarrista, Bruno Santos, que já conta com três volumes editados. Tem ainda um trio com Carlos Bica e dirige um projeto de música tradicional madeirense reinventada, Mutrama, para o qual convidou Salvador Sobral, Maria João e Ricardo Ribeiro. Tem dois discos em nome próprio e participa noutros tantos, como são exemplo, os de Salvador Sobral e Pedro Moutinho. Mais recentemente, integrou o novo quinteto de Salvador Sobral.

Destas primeiras seis conversas houve algo que para André se confirmou: “o facto de o mesmo instrumento poder ser visto, tocado e abordado de uma forma bastante diferente.” “Aprendi muito em todas as conversas. Fui surpreendido por histórias que me contavam: como surgiu o interesse pela guitarra, quando tinham tocado o instrumento pela primeira vez e porquê e outras pequenas coisas que o melhor será mesmo ver e ouvir as conversas para descobrir”, convida.

É já às 18h de hoje (6 de julho) que poderás ver/ouvir a primeira conversa entre o André Santos e a emmy Curl. O Gerador é parceiro deste ciclo de conversas, pelo que vamos partilhar contigo cada uma delas no nosso site, através da página de Facebook do guitarrista madeirense. Fica atento!

Texto de Andreia Monteiro
Cartaz de Dário Gomes
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