O disco de estreia de Cordel, e o primeiro de uma trilogia anunciada, já está disponível nas lojas e plataformas digitais. Em dois anos e 12 mil quilómetros de distância entre o Porto e Belo Horizonte (Brasil), Edu Mundo e João Pires dão vida a duas pontas que viraram Cordel.

Cordel é o projeto que junta os cantautores portugueses Edu Mundo, que é Márcio Silva no cartão de cidadão, e João Pires, que têm vindo a traçar um caminho na composição para artistas como Ana Moura, Aline Frazão, Sara Tavares, António Zambujo, Omara Portuondo, Coladera ou Fogo Fogo. Se o primeiro é descrito como compositor, poeta e natural contador de histórias, o segundo é compositor, guitarrista e geógrafo de uma cartografia musical própria. O projeto nascido de um encontro casual entre estes dois músicos é um mergulho profundo nas raízes da música portuguesa e nas suas ramificações lusófonas. Numa atitude inconformista, Cordel contraria a tendência para a importação de influências musicais para nos dar o essencial das nossas raízes, reinventando-as e aproximando-as das novas gerações. Assim, as pontas deste Cordel unem-se recorrendo a sonoridades lusófonas que vão do vira às chulas, do fandango ao fado-canção, ou marcha popular, com ritmos de latitudes africanas e brasileiras.

“São João”, uma canção de festa e celebração de Cordel cujo videoclipe representa o percurso cíclico que Deméter, a deusa da colheita e da fertilidade condenada por Hades, faz todos os anos entre a Terra e o submundo em busca da sua filha

Cordel apresentou-se ao público, em 2018, com os singlesSe Vieres Amanhã” e “Manual da Canção”. Em maio deste ano, lançaram o single “São João”, em modo de boas-vindas ao disco que já andava à espreita. Hoje o disco de estreia da dupla ficou disponível em todas as plataformas digitais e lojas em Portugal. Este disco é também o Volume I de uma trilogia anunciada.

Capa do disco de estreia de Cordel, com design de REM Estudio

O disco conta com dez canções originais de autoria partilhada entre os dois músicos e com produção e arranjos que resultaram de amizades várias. Aos já conhecidos singles junta-se uma faixa instrumental, “Beira Alta”, e as canções “Vira Feliz”, “Desenlace”, “Outono”, “Papel”, “Digo que Devo Continuar” e “Tão Perfeito Quanto Finito”, assim como ilustrações que acompanham a narrativa das canções no disco em formato físico.

Texto de Andreia Monteiro
Fotografia de capa de Tomás Monteiro

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