Em 2020, a Culturgest, em Lisboa, terá a ecologia com um dos focos da sua programação. A temática irá abranger diferentes formas de expressão artística, passando pela música, dança ou artes visuais. Por outro lado, nesta nova temporada destacam-se várias exposições, entre elas uma dedicada à vida e obra do artista português Álvaro Lapa.

No âmbito da iniciativa Lisboa Capital Verde Europeia 2020, a Culturgest abre a sua programação, nos dias 7 e 9 de janeiro, com um conjunto de conferências – de entrada gratuita –, denominadas Anthropocene Campus Lisboa: Parallax.

No programa deste ciclo, organizado em parceria com o CIUHCT — Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia destacam-se duas conferências: uma no dia 7 de janeiro, em que o historiador Scott Knowles fala sobre A Governanção do Risco num Planeta em Aquecimento e outra, no dia 9, com Dipesh Chakrabarty, em que o investigador irá falar sobre O Clima da História.

Por outro lado e ainda no âmbito destas conferências, será apresentada uma exposição da artista nova-iorquina Aidan Koch, que “nos desafia a entender, percorrer e moldar, de forma consciente, um futuro onde as forças da tecnologia, cultura, indústria e sociedade ajam de acordo com os limites e recursos do nosso planeta”, explica a Culturgest em comunicado.

Saindo desta programação mais focada, a Culturgest arranca o ano com a peça de teatro Virgens Suicidas (na foto), em cena de 15 a 18 de janeiro e que marca o regresso de John Romão à encenação. Com textos de Mickael de Oliveira e música de Caterina Barbieri, o espetáculo é interpretado por Luísa Cruz, Vera Mantero, Mariana Tengner Barros e um grupo de jovens ginastas.

Na dança, destaque para a estreia de Onironauta (em palco nos dias 30 e 31 de janeiro), de Tânia Carvalho, 10 000 Gestos (a 21 e 22 de fevereiro), do coreógrafo francês Boris Charmatz, A Love Supreme (nos dias 22 e 23 de maio), com coreografia de Salva Sanchis e Anne Teresa De Keersmaeker a partir da música de John Coltrane e o novo espetáculo, Mal – Embriaguez Divina (de 18 a 20 de junho), de Marlene Monteiro Freitas.

Como já tinha sido anunciado, a nova temporada da Culturgest terá como destaque a exposição, a decorrer de 19 de janeiro a 19 de abril, Lendo Resolve-se: Álvaro Lapa e a Literatura. Com curadoria de Óscar Faria, a mostra parte da série de pinturas – Os Cadernos de Escritores – que o pintor e escritor português realizou entre 1975 e 2005 (um ano antes da sua morte) e sublinha os constantes reenvios que o artista promovia entre pintura e literatura, numa tentativa de descodificar a sua obra enigmática, marcada pela constante ideia de atrito. “Trata-se também de salientar a idiossincrasia de um dos projetos mais relevantes da arte portuguesa do século XX através das homenagens a autores maiores — Homero, Pessoa, Kafka, William Burroughs ou Beckett — realizada por Lapa ao longo de 30 anos”, acrescenta a Culturgest.

Por sua vez, de 4 de abril a 19 de julho, o som será tema da coletiva A Exposição Invisível, com curadoria de Delfim Sardo, em que se apresentam obras sonoras que, desde as primeiras vanguardas do século XX até hoje, expandem a relação entre o som e o espaço, desde os trabalhos pioneiros de Kurt Schwitters e Luigi Russolo, passando por obras históricas de On Kawara ou Bruce Nauman até trabalhos recentes de Ricardo Jacinto ou Janet Cardiff.

Já em maio, de 16 de maio a 6 de setembro, é apresentada a primeira exposição antológica de Gabriela Albergaria, artista portuguesa que vive e trabalha em Londres.

Para este início de temporada destaque ainda, na área da música, para concerto de estreia do disco de Maria Reis, Chove na Sala, Água nos Olhos, a ter lugar no dia 12 de fevereiro.

A restante programação da Culturgest será divulgada no início de janeiro.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Bruno Simão

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