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Da periferia para o festival Iminente: expressão cultural urbana de Lisboa desenvolve-se nos “bairros comunitários”

Cerca de 300 crianças e jovens (e algumas dezenas de adultos) de bairros mais desfavorecidos da cidade de Lisboa participaram nos últimos meses nos workshops artísticos comunitários, promovidos pela organização do festival Iminente. A iniciativa levou artistas de várias áreas a trabalhar em proximidade com diferentes comunidades, que agradeceram com “emoção estampada no rosto”. Parte dos trabalhos vai desfilar agora até ao festival Iminente.

“Dia Aberto” do Vale de Alcântara | ©João Pando Lucas

Inês Sousa sempre viveu no Bairro do Rego, em Lisboa. Tinha apenas nove anos quando ali surgiu, em 2014, a associação Passa Sabi, nome que significa, em crioulo de Cabo Verde, “estar bem” ou “sentir-se bem num sítio”. E é exatamente essa sensação de pertença que tem acompanhado o crescimento de Inês, a julgar pela ligação que criou ao longo dos anos com a associação, a qual tem cumprido o papel a que se propôs: ser um lugar de convívio e descoberta para as crianças e jovens daquele bairro, posicionado na zona das Avenidas Novas. Hoje, com 17 anos, Inês não só participa como ajuda na organização das atividades sociais, desportivas e culturais que a Passa Sabi oferece. É ela quem nos guia por uma visita pelos trabalhos de valorização do espaço da associação que têm acontecido nos últimos anos, no âmbito de uma parceria com o festival de arte urbana Iminente.

Outrora conhecido a nível nacional por ser morada do clube Rock Rendez-Vous, mítica casa do rock português (demolida no início da década de 1990), o Bairro do Rego é hoje uma urbanização posicionada entre os hospitais de Santa Maria e Curry Cabral, para onde foram empurradas muitas famílias desfavorecidas. Pelos cafés e ruas dos bairros que atravessamos até encontrar a Passa Sabi, respira-se o espírito de familiaridade que existe entre os residentes. A associação esconde-se no rés-do-chão de um dos prédios, construídos algures no século XX, que desenham o bairro em fileiras. Percorremos o pequeno espaço interior até chegarmos ao pátio que se encontra nas traseiras e que tem sido aprimorado, ano após ano, para melhor servir a comunidade envolvente. “Todos cuidamos de todos” é a primeira mensagem com que nos esbarramos ao entrar neste espaço a céu aberto cercado por janelas e varandas que se empilham em vários andares. Ali, as conversas são interrompidas pelo ensurdecedor motor dos aviões que se fazem à pista do Aeroporto de Lisboa.

Inês Sousa apresenta os trabalhos desenvolvidos no bairro do Rego | ©Chriscost.a

A frase, pintada com grande pompa no muro do pátio, remete-nos para a primeira parceria artística que a organização do festival Iminente proporcionou àquele bairro, em 2020, nomeadamente com o House Studio. “Estávamos ainda a enfrentar a covid e escolhemos para pintar uma frase com que todos nos pudéssemos identificar”, explica Inês Sousa.

Em 2021, foram já quatro artistas (ou grupos de artistas) a associar-se a esta comunidade. O coletivo Warehouse, por exemplo, ajudou a montar no mesmo pátio um ginásio amovível que está disponível para qualquer pessoa do bairro. Já fora da associação, na esquina da rua Augusto Abelaira, a obra Mulheres Incríveis cobre uma elevada parede, ilustrando-a com a silhueta de uma mulher negra carregada com sacos ao ombro, num regresso ao Bairro do Rego, a sua casa. Concebido com tecidos velhos, este trabalho resulta da colaboração com o artista Confere e pretende homenagear as “mulheres trabalhadoras do bairro, que saem de casa cedo e chegam a casa tarde e por isso nunca ninguém as vê”, assinala Inês Sousa.

“Mulheres Incríveis” foi a obra desenvolvida no último ano pelo artista Confere e a comunidade do bairro do Rego | ©Chriscost.a

Estes são apenas alguns dos resultados das colaborações promovidas nos últimos anos pelo festival urbano de arte e música criado por Vhils e que abrangem também os bairros do Vale de Chelas, Alta de Lisboa e Vale de Alcântara.

Desde o seu início, em 2016, que o Iminente assume a extensão de intervenção social, junto de comunidades mais carentes de oportunidades, tendo vindo a organizar, desde então, vários “projetos de voluntariado, visitas a residentes, reportagens fotográficas, entre outras atividades”, em parceria com associações presentes nos locais, explica Carla Cardoso, diretora do Iminente. No entanto, em 2020, esta vertente ganhou vida própria e consubstanciou-se no projeto Bairros: Workshops Artísticos Comunitários Iminente. Este ano, a iniciativa ganhou um ainda mais profundo fôlego, depois de em 2021 ter vencido o prémio monetário Dream Up, da Fundação BNP Paribas. O que permitiu a realização de 16 workshops, distribuídos pelos quatro bairros identificados e que vão de encontro às vontades e necessidades detetadas junto dos mesmos, sobretudo entre crianças e jovens.

Carla Cardoso, diretora do Iminente | ©Chriscost.a

Desde a música às artes plásticas, passando pela jardinagem, cinema, dança, foram muitas as áreas exploradas nestes workshops, realizados entre junho e setembro, com o envolvimento de artistas como Batida, Ana Rita António, Lukanu Mapsy, Lúcia Afonso, Landim ou MonÁxi e coletivos como a Nêga Filmes, UP Farming ou Mergulho Urbano. Todos os projetos desenvolvidos no âmbito das sessões estão a ser apresentados durante este mês de setembro, por ocasião dos Dias Abertos – um por cada bairro -, e terão também lugar de destaque durante a edição deste ano do festival Iminente, que se realiza entre os próximos dias 22 e 25 de setembro, na Matinha, em Lisboa.

“A própria seleção dos workshops é comunitária. A equipa curatorial do Iminente procura artistas que trabalham nas áreas de expressão urbana e as associações escolhem quais gostariam de receber. Antes de definirmos qualquer programa para as sessões, os artistas vão à comunidade e falam com os participantes sobre o que desejam ver realizados”, explica Carla Cardoso. “Os artistas acabam por trabalhar como facilitadores e a obra é muito construída com base naquilo que são os desejos da comunidade”.

O que foi feito no bairro da Alta de Lisboa?

Os Dias Abertos são uma celebração informal, em que as pessoas do bairro se reúnem e recebem todos os interessados em conhecer os projetos desenvolvidos. O primeiro a abrir-se à comunidade foi o bairro da Alta de Lisboa, onde o Iminente colabora com as associações PER11 e a recém-nascida PER7 (que estendeu o projeto também à zona da Quinta Grande). “Naquela área, tivemos, por exemplo, o workshop realizado com Fidel Évora, em resposta aos desejos expressos pelos jovens: estes queriam trabalhar com serigrafia, impressão e fotografia. Em primeiro lugar, identificaram algumas pessoas que são referência no bairro, para serem retratadas”, dá conta a diretora. As imagens vão transformar-se em candeeiros, que vão estar no festival Iminente, além de decorarem o próprio bairro.

As fotografias impressas em serigrafia que vão dar origem aos candeeiros | ©João Pando Lucas

Além desse, há um workshop que foi “particularmente especial”, destaca Carla Cardoso, que foi o impulsionado pelo Batida – Pedro Coquenão, artista multidisciplinar, que foi o primeiro português e angolano a protagonizar uma sessão no Boiler Room. Realizou-se no PER7 (acrónimo para Processo Especial de Revitalização), uma entidade muito recente que está ainda a criar o seu próprio espaço físico. “Tem um espaço que nem sequer está devidamente arranjado e preparado e os jovens que apoia não estão ainda habituados a este tipo de atividades. Portanto, foi particularmente importante um artista que admiram, um ídolo deles, dispor-se para trabalhar com eles, em música. Teve esse caráter simbólico por isso mesmo”, reforça a diretora do Iminente. Neste workshop, que durou quase quatro semanas, Batida acompanhado pelo DJ Satélite e cerca de 20 jovens, que iam variando entre presenças e ausências, produziram a música “La vie quotidienne", a qual será apresentada no próprio festival.

“Encontrei um bairro com uma cultura urbana já muito enraizada, que já conta com muitos Mc e produtores e muita gente com vontade de fazer coisas. Vi um terreno que pode ser arado e com muitas sementes que podem dar muitos bons frutos”, compara Batida, em entrevista ao Gerador. “O meu objetivo inicial não era obrigatoriamente desenvolver uma música, mas criar um espaço confortável para que os jovens se sentissem à vontade para experimentarem”. De sessão em sessão, o artista foi aumentando os instrumentos disponíveis, como o batuque, a caixa de ritmos, o teclado, o microfone, entre outros, e desafiando cada jovem que resolvesse aparecer a criar um padrão rítmico associado ao seu nome. A letra da música, cantada em francês, fala de um dia na vida quotidiana de um jovem que, com curiosidade, quis participar numa das sessões antes de partir para Paris, no dia seguinte, e propôs-se a descrever um dos seus dias.

Batida (Pedro Coquenão) e DJ Satélite no “Dia Aberto do Vale de Alcântara" | ©João Pando Lucas

Batida recorda a “mais profunda emoção” estampada no rosto das pessoas do bairro no momento em que, durante o Dia Aberto, foi dito ao microfone que a associação PER7 estava oficialmente a começar. “É muito gratificante para mim testemunhar a criação de um espaço seguro, onde a integridade psíquica e emocional dos mais novos seja assegurada e estimulada, com liberdade criativa. É muito bonito quando a verdade é partilhada e se manifesta sob um compromisso e responsabilidade em comunidade”, afirma o artista.

O que foi feito este ano no bairro do Rego?

Foi no Dia Aberto do bairro do Rego, no final de tarde de 8 de setembro, que conhecemos a Inês Sousa. Depois da tour pelos projetos desenvolvidos em anos transatos, chegamos aos resultados dos workshops mais atuais. Por cima das nossas cabeças está a cobertura feita de retalhos, que veio trazer mais frescura ao solarengo pátio da associação Passa Sabi, produzida em conjunto com o coletivo Mergulho Urbano, o qual está também a impulsionar a produção de uma mesa de pingue-pongue para preencher o espaço. Inês Sousa desliza depois para o grupo que protagoniza o momento musical, decorrente da mentoria da compositora MonÁxi. Ritmados pelo djembé (tambor africano), os jovens e a cantora mostram o tema Somos as Filhas da Terra, criado nos últimos meses durante um dos workshops. A música pretende ser um “hino” às mulheres da comunidade que se dedicam profissionalmente aos trabalhos domésticos.

MonÁxi e o restante grupo apresentam tema Somos as Filhas de Terra no "Dia Aberto do bairro do Rego" | ©Chriscost.a

O tema musical fez a ponte para o projeto dos jovens que frequentaram as aulas da Nêga Filmes, as quais culminaram em um filme/documentário que mostra testemunhos de mães e avós dos jovens do bairro. O excerto exibido no Dia Aberto incide sobre a história de vida da avó do Edison, um dos jovens participantes. Chama-se Aldina, tem 58 anos e trocou há já algumas décadas Cabo Verde por Portugal, em busca de uma vida com mais dignidade.

“Foi uma experiência intensa”, desabafa Maíra Zenun, socióloga e uma das “agitadoras” do coletivo afro-global de mulheres negras Nêga Filmes. “A questão racial está sempre presente no nosso trabalho, então trouxemos alguns exemplos de filmes que já tocam nessa questão, sem serem monotemáticos. Um falava sobre amor, outro sobre trabalho, por exemplo. Depois de um encontro introdutório, eles mesmos decidiram que queriam tratar este tema e de que forma”, conta.

Neste workshop dedicado ao cinema participaram jovens com idades entre os 10 e os 22, sendo que “a maioria está a terminar os estudos e tem pensado sobre o mercado de trabalho português. Sobre os desafios que estão prestes a encontrar, por serem negros. Então, a ideia foi pensar o futuro ouvindo histórias sobre o passado. Fomos, por isso, ao encontro de senhoras que nos contaram a rotina delas, o que passaram para encontrarem emprego, como foi a sua jornada desde que cá chegaram, para conseguirem criar estes jovens”, explica Maíra Zenun. Ao mesmo tempo, o filme explica como se estão a organizar as gerações negras mais novas para reagirem a questões que “são repetitivas e que adoecem a sociedade”.

Maíra Zenun explica o filme desenvolvido com os jovens do bairro do Rego | ©Chriscost.a

Um dos momentos “mais marcantes” do filme, que vai ser transmitido no festival Iminente, assenta em uma roda onde todos se filmaram a falarem sobre o mercado de trabalho e o racismo. “É incrível perceber como eles mesmos já contam formas de reagir a discursos e comportamentos racistas enraizados entre a população portuguesa branca, digamos assim”, explica a socióloga.

“Desde muito cedo que estes jovens entendem que a questão da cor da pele é um fator diferencial e que impacta as suas vidas. Tendo em conta que há muito pouco tempo os jovens negros portugueses eram ainda chamados de terceira ou quarta geração de emigrantes, como se não fossem realmente portugueses – até porque não há nenhuma necessidade iminente de revolução ou mudança política –, há a perceção de que são muito apáticos. Mas não são nada disso. Eles conhecem muito bem as questões do país, sabem a sua história e porque a questão racial é tão pontual e estrutural. Entendem isso a partir de uma linguagem juvenil, sem ser académica. Sabem exatamente ao que estão a ser submetidos e como reagir, o que é muito interessante”.

No Dia Aberto do bairro do Rego foi apresentado um excerto do filme produzido pela Nêga Filmes, juntamente com os jovens do bairro do Rego | ©Chriscost.a

“Além disso, estão em contacto com outras realidades, através da internet, para saberem também como outros jovens negros estão a organizar-se, nos Estados Unidos, no Brasil e pela Europa”, denota a responsável da Nêga Filmes, um coletivo feminino criado em 2015 e que tem vindo a produzir curtas metragens, formações e curadorias de diferentes formas artísticas.

O que foi feito no Vale de Chelas?

O bairro do Vale do Chelas reparte-se em três – o da Quinta do Lavrado, o Branco e o da Picheleira. Toda esta comunidade já dispunha de uma horta urbana, mas a associação de moradores Geração com Futuro tinha interesse em deter a sua própria horta, algo mais compacto e que permitisse colheitas para usufruto dos residentes que estão localizados na zona da Quinta do Lavrado. “Então convidamos a UP Farming, que trabalha com sistemas de hortas verticais, com superotimização do espaço, para construir com os moradores uma horta, ensinando-lhes quais as plantas que convivem umas com as outras, a rega necessária, entre outras técnicas”, explica a diretora do Iminente, Carla Cardoso. “A partir de agora vão poder gerir a horta em comunidade.”

A horta foi uma das iniciativas que o projeto Bairros Comunitários levou a cabo nos últimos meses no Vale do Chelas, cujo Dia Aberto está marcado para o dia 17 de setembro. Além deste, serão apresentados também os trabalhos produzidos nos workshops encabeçados por Ana Rita António (ligado à instalação), Outros Ângulos/João Garrinhas (audiovisual), Lúcia Afonso (dança).

A UP Farming ajudou a comunidade do Vale de Chelas a desenvolver uma horta | ©Festival Iminente

Entre tudo o que foi concebido, Carla Cardoso destaca também a sombra criada por Ana Rita António. “Foi curioso porque a Quinta do Lavrado abriu-se aos restantes bairros e a sombra instalada acaba, assim, por simbolizar a união entre os bairros do Vale de Chelas”, aponta a diretora.

A sombra foi colocada “numa zona comum a estes bairros, destinada a eventos, mas que não é usada porque há muito sol e não há árvores”, dá por sua vez conta Ana Rita António, artista que se dedica a instalações, esculturas, fotografias e hacking de objetos. Os conceitos de reciclagem, upcycling e o de “fazer o máximo com poucos meios” estão sempre presentes em tudo que Ana produz e foi esse princípio que trouxe para o workshop. “Usamos peças de roupas obsoletas, danificadas, para criar esta sombra. Pretendíamos que fosse uma espécie de manta de retalhos.”

Neste workshop, os participantes, com idades entre os 4 e os 60 anos, foram desafiados a desenhar nos tecidos as roupas que os caracterizam pessoalmente. “Saíram dali formas muito simples, algumas toscas até, que foram construindo uma identidade de grupo. Foi muito giro ver esse processo. Às tantas, já faziam um jogo: alguém entrava na associação e perguntava: ‘Vê lá se adivinhas quem desenhou este fato?’ E as pessoas adivinhavam”, recorda, alegremente, a artista. “Outra parte engraçada do workshop foi que alguns rapazes não tinham tanto jeito para a costura. Alguns nem estavam ali com muita vontade. Era verão e queriam era jogar à bola. Mas depois começaram a entusiasmar-se e a pedir para experimentar a máquina de costura. Acabaram por se esquecer do futebol e até já queriam comprar uma máquina de costura para terem em casa.”

Para Ana Rita António, a experiência foi “muito satisfatória”, dada a “capacidade de conseguir trazer esperança”. “A arte tem essa capacidade. Traz uma memória e oportunidades a uma comunidade, permitindo criar uma relação com o espaço externo.”

O que foi feito no Vale de Alcântara?

Os participantes dos quatro workshops levados a cabo no Vale de Alcântara, por Oficina Loba (serigrafia), Pedrita Studio (design), Landim (música) e Movimento Claro (produção de objetos com plástico), trabalharam todos para um objetivo comum: realizar um torneio de pingue-pongue, a realizar-se durante o Dia Aberto deste bairro, agendado para dia 18 de setembro.

Landim foi um dos artista convidados para os workshops no Vale de Alcântara | ©Festival Iminente

Nas diversas sessões dos workshops, realizadas ao longo dos últimos meses, foram feitos os troféus, a música que vai ser ajudar a celebrar vencedores e vencidos, entre outras especificidades para embelezar o evento. A mesa de pingue-pongue, em cimento, que vai ocupar a rua do bairro, foi oferecida pela AMOP, que apoiou também o workshop da Pedrita Studio, onde foi pensado todo o torneio enquanto “ponto de encontro intergeracional no espaço urbano”.

“Na nossa perspetiva, este projeto é de extrema mais valia. Para além de dar às crianças e aos jovens oportunidades de experimentarem áreas tão distintas, como a música, as artes plásticas, a arquitetura urbana ou a ecologia, permite-lhes adquirir outras competências que ali não estão muito espelhadas e que normalmente existem em projetos mais existencialistas, como o facto de conhecerem pessoas diferentes”, explica em conversa com o Gerador Patrícia Campaniço, coordenadora do Programa Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS) Ativar4G, que co-organiza os workshops deste bairro em parceria com o Iminente.

Pedrita é um estúdio de design com sede em Lisboa, fundado em 2005 por Rita João e Pedro Ferreira | ©Festival Iminente

Para a comunidade foi de extrema importância a realização destas iniciativas. Para a Quinta do Loureiro, por exemplo, que é uma zona conhecida pelo contexto muito ligado às drogas e ao tráfico, acaba por trazer um dinamismo diferente, mais positivo. Traz uma nova cor e movimento face àquilo que o bairro está habituado, já que há poucas instituições a trabalhar neste território”, observa a responsável.

Depois de “espivetar” algumas das comunidades muitas vezes esquecidas mas que são cruciais para a elaboração da paisagem cultural urbana da cidade de Lisboa, o projeto Bairros Comunitários vai ser o “coração do festival Iminente”, como descreve a diretora Carla Cardoso. Os festivaleiros poderão visitar no local uma exposição dedicada aos trabalhos feitos ao longo dos quatro bairros nos últimos meses, além das apresentações da conferência performática que resultou do workshop de Lúcia Afonso, as músicas conduzidas por Landim, Batida e MonÁxi, assim como o filme com o cunho da Nêga Filmes, que vão ocupar o Cine Estúdio – um dos palcos que este ano compõe o festival – durante o dia 25 de setembro. “Nesse dia, todos os participantes dos workshops vão ao festival, o que já demonstraram ser uma experiência particularmente importante para eles”, afirma a diretora do Iminente, que este ano conta com mais de 65 atuações musicais e live acts, muitas conversas com intervenientes nacionais e internacionais, sempre com objetivo de abordar várias expressões culturais urbanas.

Texto de Ana Catarina Veiga

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