A curta-metragem de Hugo Pinto foi a vencedora do prémio para o melhor filme da 18.ª edição do Arouca Film Festival.

Por natureza contente mas “nunca demasiado efusivo”, Hugo contou-nos como foi digerir o reconhecimento da sua curta, “é importante os filmes serem vistos pelo público e nunca é fácil consegui-lo e, por isso, os festivais são o meio de eleição para apresentar uma curta-metragem. Vencer dá ainda mais destaque. Mas é sempre bom relembrar que para cada seleção existem 10 rejeições ou mais; para cada boa
crítica existe sempre o outro lado.”, afirma ao Gerador.

O público é para si a maior vitória. A “Escritora”, terceira curta-metragem do realizador, nasceu do conto de Andreia Azevedo Moreira, que escreveu também o argumento final, ” foi baseada num conto que li e que me apaixonou, escrito pela Andreia Azevedo Moreira, que também
escreveu o argumento final da curta”, conta Hugo.

A curta-metragem reflete uma ligação entre a genialidade e a doença depressiva, na pele de Alice, uma escritora em ascensão, grávida de gémeos e com conflitos emocionais com o marido.

A relação entre o enredo da curta e a realidade pandémica que vivemos atualmente foi um das questões feitas ao realizador. Hugo explica que a história não foi pensada em torno do “hoje” pois, foi rodada em 2019, no entanto, reconhece que é inevitável não o relacionar: “É impossível separar a história do confinamento da Alice com o atual panorama da pandemia. (…) Não podemos separar a realidade atual com a estória que estamos a contar, o nosso subconsciente ao dia de hoje absorve o mundo de forma diferente e parte dele é a arte e os filmes. Tudo mudou e nada vai ser igual. A sensibilidade do público em volta da Alice foi exponencial devido a semelhanças com a nova realidade.”.

O festival Arouca Film Festival fez 18 anos e o realizador admite que a vitória de um filme português poderá ser um reflexo da evolução do cinema nacional, “Se eu consigo fazer 4 curtas sem qualquer apoio, e todas elas chegaram às pessoas, tudo me leva a acreditar que o caminho é este.”

A “resiliência em Arouca” é também uma das questões que o realizador menciona “os organizadores fizeram os festivais em condições muito difíceis e nós fizemos o filme com igual dificuldade e teimosia. Acaba por ser irónico de alguma maneira termos vencido esses festivais em particular, com a exigência acrescida de serem Internacionais e muitas vezes competirmos com filmes notáveis com outra realidade orçamental.”

“A Escritora” venceu 13 prémios até à data.

Vê o trailer da curta-metragem.

Texto de Patrícia Silva
Fotografias da cortesia de Hugo Pinto

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.