De variadas produções portuguesas se compõe o ciclo de dança contemporânea New Age, New Time. Nascido e criado no Teatro Viriato, divulga o que de melhor se faz na dança portuguesa e promove as “infinitas possibilidades de leituras, de relações e de discursos que, a cada edição, a programação permite desenvolver”. Hoje damos-te a conhecer melhor os coreógrafos e bailarinos portugueses por detrás dessas criações que entre os dias 15 e 24 de novembro se encontram em palco, em Viseu. 

De “Comer o Coração em Cena”, de Vera Mantero e Rui Chafes, a “Lento e Largo”, de Jonas Lopes e Lander Patrick, a programação de New Age, New Time leva a Viseu criações que, de alguma forma, foram conquistando lugares na dança portuguesa — seja há mais ou menos tempo. Durante duas semanas encontram-se e põe-se em perspetiva diferentes correntes e formas de pensar a dança contemporânea, pelos corpos daqueles que põe a sua vida em cada movimento. 

Vera Mantero (“Comer o Coração em Cena”, 15 de novembro)

Vera Mantero começou por estudar dança clássica com Anna Mascolo e entre 1984 e 1989 integrou o corpo de bailado do Ballet Gulbenkian. Figura central da Nova Dança Portuguesa, iniciou o seu percurso enquanto coreógrafa em 1987e desde então tem vindo a desenvolver projetos a solo e em parceria com outros artistas. Entre as distinções que recebeu encontram-se o Prémio Almada do Ministério da Cultura (2002) e o Prémio Gulbenkian Arte (2009). 

Representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo em 2004 com “Comer o Coração em Cena”, obra que criou em parceria com o escultor Rui Chafes, sobre o qual podes saber mais aqui. Apresentaram-na novamente no Jardim da Sereia, em Coimbra, em 2016, numa nova versão intitulada por “Comer o Coração nas Árvores” e com uma nova escultura. Este ano voltaram a apresentar “Comer o Coração em Cena” em diferentes salas do país e fazem-no no Teatro Viriato no dia 15 de novembro, numa espécie de sessão de boas-vindas ao ciclo. 

“Comer o Coração nas Árvores” foi apresentada no Jardim da Sereia, em Coimbra, em 2016

Clara Andermatt (“Instalação da Desordem”, 16 de novembro)

Clara Andermatt, nascida em 1963 em Lisboa, enquadra-se por inteiro no provérbio “filho de peixe sabe nadar”. Foi com a mãe, Luna Andermatt, que se iniciou na área a que viria a dedicar a sua vida: a dança. Nos anos 80 muda-se para Inglaterra para estudar no London Studio Centre e recebe o diploma da Royal Academy of Dance. De Inglaterra segue para os Estados Unidos da América e, convidada por Mervin Nelson, inicia-se num curso de teatro em Nova Iorque. Nos EUA foi bolseira do Jacobs Pillow, em Massachussets, do American Dance Festival, em Durham, e do Bates Dance Festival, em Maine.

Fez parte da Companhia de Dança de Lisboa, sob a direção de Rui Horta, desde a sua fundação até 1988, e da Companhia Metros, em Barcelona, entre 1989 e 1991. Cria a sua própria companhia em 1991 e colabora regularmente com instituições como o Ballet Gulbenkian, a Companhia Maior, o Dançando Com A Diferença, a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo e a Companhia Nacional de Bailado. 

Já foi distinguida, entre outros, com o Best Student Award do London Studio Centre, em 1983, com o Prémio Almada para a área da Dança, em 1998, e recebeu a menção honrosa do Prémio Acarte(Maria Madalena de Azeredo Perdigão, da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1992. 

A “Instalação da Desordem” parte de um projeto de investigação de Clara Andermatt e  Mickaella Dantas

Yola Pinto (“C_VIB”, 21 de novembro)

Nascida em 1974, Yola Pinto licenciou-se em arquitetura enquanto acabava o seu plano de formação em Dança Contemporânea no Centro em Movimento (CEM). Viaja para Amesterdão em 2001 como resposta à proposta de trabalhar com a Magpie Company. Ao longo da sua carreira tem vindo a cruzar disciplinas artísticas, trabalhando com artistas plásticos e músicos, como acontece no New Age, New Time com o compositor Simão Costa. 

Desde 2003 faz parte do corpo docente do CEM, na área da dança, e desde 2007 integra o serviço educativo da Fundação Culturgest. Tem desenvolvido diversas atividades pedagógicas para professores, estudantes e mediadores culturais, criando ligações entre a dança e o desenho, tanto em escolas como noutros espaços culturais. 

Em “C_VIB”, que apresenta no dia 21 de novembro, assina a criação a meias com Simão Costa, músico pianista e compositor sobre o qual podes saber mais aqui

“C_VIB” junta Yola Pinto a Simão Costa

Madalena Victorino e Ricardo Machado (“Ponto Ómega”, 22 de novembro)

No dia 22 de novembro o Teatro Viriato recebe “Ponto Ómega”, de Madalena Victorino e Ricardo Machado. Madalena Victorino nasceu em Lisboa em 1956, cidade em que também estudou na Escola Alemã. Entre 1965 e 1977 estudou dança contemporânea e composição coreográfica na London School of Contemporary Dance e em 1980 obteve o diploma de ensino de dança na Universidade de Londres, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. No ano de 1989 obtém o grau de mestre em Educação na Universidade de Exeter. 

A sua ligação à educação mantém-se e tem colaborado com instituições de ensino superior como a Escola Superior de Teatro e Cinema, a Escola Superior de Dança, a Universidade do Algarve, a Universidade Lusófona, a Universidade Católica, a Escola Superior de Educação de Lisboa e o Fórum Dança, este último do qual é co-fundadora. Desenhou em 2003 para o Currículo Nacional do Ensino Básico, do Ministério da Educação, o programa para a disciplina de dança dos 1º, 2º e 3º ciclos.

Ricardo Machado, co-criador de “Ponto Ómega”, é coreógrafo e performer “em múltiplos contextos de performance arte contemporâneos, como o próprio indica no seu site pessoal. Tem trabalhado como performer e co-criador com diferentes bailarinas/os como Aldara Bizarro, Né Barros, Victor Hugo Pontes, Joana Antunes, Olga Roriz, Rui Lopes Graça e Anna Réti. O seu trabalho já foi apresentado em diferentes festivais e países como a Áustria, a Bélgica, a Croácia, a República Checa, a Alemanha, a Holanda, a Hungria, a Holanda, Portugal, a Sérbia e a Eslováquia. Podes saber mais sobre o Ricardo e as suas criações, aqui

Madalena Victorino é co-criadora de “Ponto Ómega”, junto a Ricardo Machado

Sara Anjo (“Um Ponto que Dança”, 23 de novembro)

Natural da ilha da Madeira, Sara Anjo nasceu em 1982 e estudou dança pela Academia de Dança Contemporânea, de onde saiu em 2001. Estagiou na Companhia Nacional de Bailado e, posteriormente, licenciou-se em Estudos Artísticos pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou uma pós-graduação em Arte Contemporânea pela Universidade Católica de Lisboa. Em 2016 tirou um mestrado em coreografia na Universidade de Artes de Amesterdão e no ano seguinte começou o projeto Mapas Intensivos que, de acordo com o Arte em Rede, “explora um evento performativo a partir de estéticas de relação, micropolíticas e políticas afetivas”. 

Tem feito peças para o público mais novo, mas também para o público em geral. Entre as suas criações estão “Ninguém Sabia Contar Aquela História”, “Paisagens Líquidas” e “Em Forma de Árvore”. Publicou um livro sobre dança inclusiva, que resulta da sua colaboração com a Companhia de Dança Plural e com o Dançando com a Diferença, em 2010, bem como Mapa – Partitura, em colaboração com as designers Ilhas, em 2016.

Sara Anjo é natural da Madeira e mudou-se para Portugal Continental na adolescência

Jonas Lopes (“Lento e Largo”, 24 de novembro)

Jonas Lopes, da dupla Jonas&Lander, nasceu em 1986 e iniciou a sua formação em 2002 no Chapitô. Em 2007 mudou-se para Londres e frequentou a formação livre no Pineapple Dance Studios e Circus Space University. Também em Londres se iniciou como fadista profissional, tendo editado o álbum “Fadista Mutante” em 2011. Um ano depois foi distinguido com o prémio Carlos Paredes. 

Em 2010 entra para a Escola Superior de Dança, onde conhece Patrick Lander, com quem forma a dupla Jonas&Lander. Além das criações com o seu parceiro — “Cascas d’Ovo”, “Matilda Cartola”, “Arrastão” e “Adorabilis” — dirigiu, também com Patrick, os projetos “Playback” no Festival Materiais Diversos e “Caruma”, inserida no projeto Estufa – Plataforma Cultural. 

Em 2013 trabalhou com o coreógrafo e atual diretor do Teatro Municipal do Porto, Tiago Guedes, na peça “Hoje” e no ano seguinte participou em “Hortas”, uma criação de Vera Mantero com apresentação na Culturgest. No mesmo ano apresenta no festival “Todos” o solo “Jacarandá”.

Patrick Lander nasceu no Brasil em 1989 e logo nesse ano mudou-se para Portugal. Atualmente, “vive em Lisboa numa autocaravana com o seu amor e acredita que o vegetarianismo contribuirá para uma prolongada existência do planeta”, como indica no site de Jonas&Lander. Tem vindo a colaborar com artistas como Luís Guerra, Tomaz Simatovic, Marlene Monteiro Freitas, Margarida Bettencourt e André E. Teodósio, entre outros.  

Podes saber mais sobre a dupla Jonas&Lander, responsável pela criação de “Lento e Largo”, aqui

Em fevereiro de 2019 Jonas&Lander falaram sobre “Lento e Largo” ao Coffeepaste

O ciclo New Age, New Time regressa para a sua 8ª edição no Teatro Viriato nos dias 15, 16, 19, 21, 22, 23 e 24 de novembro. Sabe mais sobre o New Age, New Time aqui

Texto de Carolina Franco
“Instalação da Desordem – projeto em mutação”, de Clara Andermatt e Mickaella Dantas/ Fotografia disponível via Facebook
O New Age, New Time é parceiro do Gerador

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