No início deste ano, o curador e ensaísta Delfim Sardo foi nomeado como novo administrador do Centro Cultural de Belém (CCB), ficando responsável pelo pelouro da programação e comunicação da instituição, inaugurada em 1993. Sucedendo a Miguel Honrado, o curador que era, até agora, responsável pela programação de artes plásticas da Culturgest, teve nos últimos meses a missão de desenhar a nova temporada do CCB, ainda marcada pela incerteza da atual situação pandémica.

Em entrevista ao Gerador, Delfim Sardo fez um balanço destes primeiros meses de trabalho, onde a necessidade de adaptação e desconstrução de “idiossincrasias”, que muitas das vezes impactam a forma como se estruturam modelos de fruição cultural, serviram como aspetos fundamentais. O programador falou ainda dos eixos que delineiam o futuro do CCB, cuja articulação com as práticas artísticas deve ser marcada pela transversalidade e pela contínua aproximação aos diferentes públicos.

É neste sentido que defende que o CCB deve encontrar a sua localização no tecido cultural português, de forma a poder, posteriormente, projetar-se de forma mais consistente num contexto internacional. “A projeção internacional de uma instituição tem de advir da sua prática e da maneira como ela está estruturada. E, portanto, primeiro vamos pensar na sua prática e na sua estrutura e, depois, pensar na maneira como ela se afirma internacionalmente”, sintetiza.

Gerador (G.) – No início deste ano entrou, por nomeação da atual ministra da cultura, no conselho de administração do Centro Cultural de Belém (CCB), assumindo o pelouro da programação e da comunicação. Como recebeu esta nomeação e de que forma é que encarou o desafio que lhe era proposto?
Delfim Sardo (D. S.) - Encarei com muita surpresa. Não estava nos meus planos sair da Culturgest, onde estava a desenvolver um trabalho com muito empenho e que estava a gostar de fazer. A certa altura, achei que era um desafio interessante, até porque o CCB era uma instituição onde eu já tinha estado, em condições completamente diferentes, mas que tem agora outros contornos e por estarmos numa altura em que há também transformações interessantes no tecido artístico, sendo por isso que assumi o repto que me foi lançado.

G. – É, de resto, o regresso a uma instituição cultural onde foi diretor do Centro de Exposições entre 2003 e 2006. Como é que está a ser este regresso? Encontrou um CCB diferente daquele por onde tinha passado?
D. S. – Necessariamente que sim. Logo à partida porque o que eu fiz no CCB, quando lá estive entre 2003 e 2006, foi dirigir o chamado, na altura, Centro de Exposições, uma parte no CCB que, neste momento, não existe. Desde o ponto de vista que eu tinha da altura até à configuração da instituição, tudo era completamente diferente, passando também pelas funções que agora desempenho e que me fazem também ter uma visão diversa da instituição. Portanto, não há grande comparação entre o CCB que eu encontrei naquela altura e o CCB de agora. A única comparação é a de ter, na altura, relações de trabalho com muitas pessoas que ainda lá estão, mantendo essa familiaridade.

G. – Sendo um cargo com uma abrangência maior do que aquela que teve no passado, como descreveria a missão que propõe para esta casa?
D. S. – Obviamente que eu tenho o pelouro da programação e da comunicação, mas, de facto, as escolhas do CCB são escolhas da instituição. Não gosto nada de personalizar as escolhas que são feitas, porque advém de um trabalho coletivo e que, obviamente, são assumidas pela administração no seu todo. Nesse sentido, estamos a falar de um repto coletivo. O que é que eu diria que é fundamental no desenho do projeto que foi feito? É fundamental encontrar a localização do CCB no tecido cultural português e a forma como ele se pode projetar internacionalmente. Continuar redes de contactos e relações que estão estabelecidas e são sólidas. Explorar outras redes de contactos que não estavam ainda estabelecidas e perceber que, no campo dos espetáculos, o CCB tem uma situação muito única em Portugal. Tem um palco do grande auditório com capacidades técnicas e de dimensão que lhe confere um carácter único, por um lado; por outro lado, tem o pequeno auditório e tem a Black Box, o que faz com que a capacidade de programação seja muito diversificada, podendo servir várias instâncias da criação artística de uma forma que permite uma segmentação muito interessante da produção cultural; além disso, o CCB tem já, no seu ADN, uma transversalidade de práticas artísticas que também é muito interessante por si. E, portanto, de alguma maneira, o projeto artístico no campo de espetáculos é o de adensar essa relação transversal entre géneros artísticos. Conseguir encontrar aquilo que é a oferta cultural certa para o pequeno auditório e explorar as possibilidades que a Black Box fornece como espaço experimental quer para artistas mais emergentes, quer para artistas com uma carreira mais longa, oferece possibilidades de um trabalho quase laboratorial. Esta diversidade do equipamento e a sua transversalidade desenham, por si, um programa cultural para a instituição.

G. – Sendo que esta transversalidade ultrapassa a lógica dos espetáculos.  
D. S. – Sim, a programação não é só na área de espetáculos. Existe também a Garagem Sul, que tem um papel fundamental, porque é uma das poucas estruturas em Portugal dedicada à arquitetura, que é um campo cultural importantíssimo em termos nacionais também ele relacionado com outras áreas, não só áreas artísticas, mas também com uma relação muito intensa com a realidade económica, social, os desafios que se colocam em termos de desenvolvimento de políticas habitacionais, de políticas territoriais, de políticas de ambiente, entre outras. É nesse sentido que a Garagem Sul tem, com o André Tavares, estado a desenhar o seu programa. Neste sentido, a transversalidade não existe só dentro das áreas artísticas; é uma permissibilidade da permeabilidade social do CCB. Por fim, ainda há o outro campo a que nós chamamos "Pensamento", onde se inserem os colóquios, conferências, atividades de diálogo com várias instâncias da produção cultural e, aí, também há um trabalho que se está a desenvolver que continua também essa ótica de transversalidade. Portanto, ter uma relação com questões sociais prementes, mas ao mesmo tempo pensar também relações que são internas aos processos. Há no CCB, na sua globalidade e na formulação atual, uma relação exógena das práticas artísticas com o exterior e uma relação endógena do pensamento das próprias práticas artísticas. Esses dois campos perfazem a complexidade e o interesse da instituição.

G. – Antes mesmo de falarmos da programação que desenhou para esta temporada, a verdade é que a pandemia acabou por mudar os planos das próprias instituições, incluindo o CCB. Isso teve um impacto significativo no trabalho que pretendia desenvolver, desde o princípio?
D. S. – Eu colocaria até a pergunta ao contrário: como é que isso não impactou? Impactou de toda a forma, porque, de facto, entrei no CCB a 2 de março, quando já estava desenhado pela instituição um plano de contingência por causa do covid-19 e, passado uma semana, estava em casa. Foi um esforço muito grande para toda a gente. Tive de me adaptar a essa situação de trabalho, mas também começar a pensar em programação a partir de contingências brutais. As primeiras tiveram que ver com o confinamento; as segundas com as regras de utilização dos espaços; as terceiras têm que ver com contingências orçamentais que o covid-19 trouxe consigo; e, em quarto lugar, com as sucessivas alterações que a situação tem trazido em relação às regras, aos horários, às limitações no fim de semana, o que faz com que estejamos sempre a trabalhar com planos de programação que são necessariamente sujeitos a estas variações. Temos sempre de ter uma enorme capacidade e flexibilidade de diálogo com o meio artístico, um esforço enorme de comunicação com o público para conseguirmos, em cada momento, irmo-nos adaptando àquilo que são as suas necessidades, as necessidades dos corpos artísticos e as limitações que as instituições têm no seu funcionamento. Diga-se que, em comparação com outros países, nós conseguimos não ter nesta segunda fase, depois do verão, um fechamento completo das instituições e estamos numa situação que é, de alguma maneira, privilegiada porque não tivemos de fechar completamente. Essa foi uma vantagem na medida em que nós conseguimos manter uma oferta cultural consistente. Diga-se, ainda, que estas contingências obrigaram também a repensar alguns hábitos e algumas práticas, até em relação aos horários, por exemplo, e que certamente terão consequências no futuro. Nas lógicas de trabalho, nesta conversa que está a ser feita por zoom, e que provavelmente seria feita presencialmente, mas também como uma espécie de teste à flexibilidade dos públicos de se adaptarem a horários diferentes e a regras diferentes de funcionamento. Vemos que se adaptaram de forma muito positiva, muito mais fácil e muito mais flexível do que imaginaria.

G. – A questão dos horários acaba por ir contra a ideia de que a fruição cultural só tem lugar à noite, por exemplo.
D. S. – Vendo pela positiva, há um alargamento da disponibilidade dos públicos. Nós temos tido, assim como outras instituições, uma oferta aos fins de semana de manhã, que tem sido muito participada e que lança até desafios para o futuro, de se repensar determinadas formas de procedimento. Por exemplo, a descida do horário dos espetáculos para as sete da tarde é interessante, porque, de alguma maneira, quebra com uma espécie de idiossincrasia portuguesa dos espetáculos às nove da noite. De facto, é possível fazer espetáculos mais cedo e é possível criar hábitos diferentes de consumo. Obviamente que estas medidas estão neste momento sob a forma de teste, numa situação que não é normal, mas obviamente que nos abrem possibilidades para o futuro.

G. – O online também vai ter um papel decisivo na programação dos próximos anos?
D. S. – Está a ter, neste momento, um papel decisivo. Nalguma programação estamos, neste momento, a testar soluções diferentes de oferta em streaming de alguns espetáculos. Fizemos uma primeira experiência com o espetáculo do Camané, que tinha passado para as sete da tarde, mas que gravámos e fizemos a sua difusão às nove e meia da noite. Fizemos isso também com o espetáculo da Aldina Duarte e digamos que é uma prática — de fazer espetáculos ao vivo e fazer o streaming — que vamos continuar. Temos também oferta das conferências que passou, em boa parte, para o online. Não obstante, tenho para mim, de uma forma muito clara, que o online nunca substitui a experiência presencial. A experiência da arte é uma experiência corporalizada e social. Esse lado físico da presença no palco e o lado coletivo da fruição, assim como o lado de confraternização, são absolutamente essenciais.

G. – Como foi pensada esta nova programação? Foi desenhada sob o mote da palavra “Entre”, de duplos sentidos, significando uma ideia de período de transição e um convite à entrada na programação.
D. S. – Nós temos a programação concebida até ao final da temporada, mediante algumas tónicas essenciais. Primeiro, ela teve de obedecer a uma necessidade ética, que foi, aliás, vinculativa, de assumir uma política de reagendamentos. Nós assumimos essa política de reagendamentos e só não o fizemos quando manifestamente era impossível conseguirmos reagendar. É preciso ainda ter em conta que o CCB vai receber a Presidência Portuguesa da União Europeia. E, nesse aspeto, obviamente que há uma taxa de ocupação de salas que não nos permitem ter a latitude de utilização dos espaços que teríamos num ano normal. Portanto, a programação foi feita tendo em conta, para além da covid-19, esta contingência, de natureza completamente diferente, mas que também representa uma adaptação. Quanto aos eixos fundamentais, pensar que o CCB tem um público muito importante no campo da música erudita, desenvolvendo um trabalho regular e permanente com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e com a Orquestra Metropolitana. O trabalho da música erudita é um trabalho que irá ter continuidade, bem como o adensar de outros, nomeadamente na programação de música contemporânea. Depois, temos o trabalho no campo da dança. Havia já para este ano alguns compromissos muito importantes, nomeadamente o Dimitris Papaionnou que passou para a temporada seguinte por impossibilidade da companhia. Desenhamos também a programação com uma atenção redobrada a criadores mais jovens, com uma utilização mais intensa da Black Box e tendo uma especial atenção à vitalidade da criação contemporânea que existe, neste momento, no campo da dança, assim como no campo do teatro. E depois continuar a programação no campo da música não erudita, seja da música contemporânea, seja no campo de parcerias que nós temos, como é o caso do Museu do Fado, que tem feito um mapeamento da produção atual no campo do fado em Portugal. Basicamente, foi encontrar o equilíbrio entre estas zonas e perceber que tónicas é que podiam ser desenvolvidas e quais é que deviam ter continuidade. E, de facto, em termos de implementação, há um reforço na ótica das produções ou coproduções, um reforço das encomendas e de relação com o tecido artístico mais intenso. Isto em termos estratégicos. Em termos de articulação da programação, aquilo que foi anunciado foi uma programação em volta de um mote, uma palavra, "Entre". É óbvio que este “Entre” tem que ver com o caráter híbrido da própria instituição, mas também  com uma atenção a formulações artísticas que têm uma grande dificuldade de classificação.

G. – O CCB deve ser a instituição que tem esse papel, digamos, de charneira entre as práticas artísticas contemporâneas?
D. S. – Acho que sim. Essa atenção ao caráter híbrido das práticas artísticas é, não só inevitável, como o CCB tem as condições para o fazer, ao contrário de outras instituições que são dedicadas, como a Casa da Música ou os teatros nacionais. O CCB não é de nenhuma área específica e se nele coexistem públicos com apetências diversificadas, é natural que a própria instituição dedique alguma atenção a zonas da criação artística nas quais a confluência de tradições e a confluência de linhagens práticas artísticas se cruzam.

G. – O coreógrafo e bailarino Rui Horta foi escolhido como consultor, que diz ter aceite o cargo por vivermos um tempo de “urgência”. Concorda com a visão de que vivemos tempos de urgência, que trazem mais responsabilidade sobre as instituições na área da cultura?
D. S. – Sim, concordo. Acho que vivemos um tempo de urgência a vários níveis. Urgência em termos físicos, porque a velocidade de decisão e adaptação tem de ser muito grande. Mas também de urgência em encontrarmos formas de fazer sobreviver a cena artística que tem passado por momentos muito difíceis. Claro que é muito importante ter a noção dessa urgência e desse apoio à comunidade artística. Mas, também, por outro lado, saber que as próprias instituições vivem uma situação de urgência. Por vezes, são tomadas como baluartes muito sólidos, mas as instituições também são frágeis. Em termos de orçamento, não têm a solidez ideal e, por outro lado, têm tido um esforço de adaptação muito rápido no último ano. Por isso, concordo plenamente com essa afirmação do Rui.

G. – O convite que lhe fez tem algum motivo que gostasse de destacar?
D. S. – O meu convite ao Rui Horta tem que ver com um passado longuíssimo de cumplicidade e de conhecer muito bem o projeto dele, o Espaço do Tempo, e de ser alguém com quem eu tenho uma relação de trabalho continuada há muitos anos. E obviamente que o Rui Horta, para além da sua visão que me interessava, tem também um ponto de observação muito peculiar sobre o tecido artístico, não só nacional, e que tem muito que ver com o próprio Espaço do Tempo e o seu papel fundamental como residência artística.

G. – Esse lado de residência artística é algo que quer trazer para o CCB?
D. S. – Acho que atualmente se chama residência artística a muita coisa. Aquilo que pode ser desenvolvido no CCB são relações de continuidade de trabalho com criadores, ainda que a densidade da programação nem sempre facilite esse processo. Mas sim, não só ser implementada uma relação de trabalho com os criadores, mas depois a maneira como essas relações de trabalho podem ecoar em termos das comunidades de fruição e participação. Por exemplo, quando nós tivemos a Piny, que aliás já estava programada, ela deu dois workshops e essa condição dos artistas não só apresentarem o seu trabalho, mas poderem desenvolver algum tipo de relação comunitária posterior é algo que pode ser desenvolvido. Num certo sentido já é desenvolvido de maneira muito intensa pela Fábrica das Artes, que é uma zona muito importante da programação do CCB para a infância, não só de fazer a fusão entre fruição e o seu enquadramento pedagógico, mas também da maneira como os projetos artísticos se desdobram numa constelação de ações de ligação efetiva com o meio escolar.

G. – Numa entrevista feita ao Fernando Luís Sampaio sobre a programação do CCB, nomeadamente do CCBeat, ele falava na necessidade de se atraírem públicos mais jovens. Concorda com esta visão?
D. S. – Sim, claro. Neste momento, em relação ao CCBeat, ainda não encontrámos a nova nomenclatura para um próximo ciclo, mas certamente que irá ser anunciado, porque esse trabalho exploratório no campo da música é um trabalho fundamental na ligação com públicos mais jovens, mas também com projetos artísticos que no campo da música corresponde a uma tendência completamente generalizada, que é a do cruzamento cada vez mais intenso entre música eletrónica, música que vem de contextos, digamos, etnográficos e música que vem do contexto erudito, como o jazz ou a música improvisada. Esse lado de hibridização de processos criativos na música tem tido um desenvolvimento exponencial nos últimos anos. E obviamente que o CCB tem também uma abertura muito grande para isso. Haverá um projeto que estamos a montar neste momento com o Jonathan Uliel Saldanha, que vai precisamente incidir nesse caráter já indiscernível do que hoje quer dizer ‘música experimental’, que já não corresponde à necessária intelectualização processual da música que foi muito relevante nas décadas de 70 e 80 do século passado e que hoje se corporalizou, encontrando diferentes tradições na experimentação, ligando-as a práticas musicais populares. O CCB tem todo o interesse em ir seguindo esses processos.

G. – Para alguém com um percurso ligado às artes visuais, é expectável que essa vertente tenha um papel no CCB a partir de agora?
D. S. – Neste momento, o CCB não tem nenhum um espaço vocacionado para as artes visuais. O grande espaço é a Garagem Sul, que é dedicado – como já referi – ao pensamento e à reflexão sobre arquitetura. Eu não quero que esse deixe de ser o foco.  Não quer dizer que a Garagem Sul não possa fazer pontes com outras zonas. As artes visuais, no complexo que é o CCB, estão no Museu Berardo e, portanto, estão entregues a uma Fundação, sendo um espaço independente e com programação própria. Portanto, eu não vou fazer programação de artes visuais no CCB. Agora, o que necessariamente vai acontecer é que nesse processo de hibridização e no trabalho que é feito no CCB existirá a colaboração de artistas visuais. Isso é inevitável, porque essa é a dinâmica cultural estabelecida.

G. – Tendo em conta que está no início desta nova função, talvez o exercício de reflexão seja um pouco ingrato, mas como é que gostaria de deixar o CCB no dia em que sair?
D. S. – Gostava que o CCB, na altura, fosse uma instituição que tivesse reinterpretado aquilo que é o seu projeto inicial e a sua vocação inicial e o tivesse reinterpretado à luz da diferença temporal entre o momento em que foi concebido e o momento em que eu deixe estas funções. Para isso é necessário estar concluído o projeto de completar o CCB com os módulos que faltam e a estrutura institucional do CCB refletir completamente as necessidades do mundo nas suas várias vertentes. Gostava também que em termos de posicionamento conseguisse cumprir essa vocação que o Fernando Luiz Sampaio referiu de ligação e de renovação dos seus públicos. Por outro lado, que fizesse uma diferença no que é a criação artística e que obviamente tivesse as condições para solidificar as suas várias frentes de oferta cultural.

G. – E melhorar a projeção internacional a partir desses aspetos?
D. S. – É inevitável. A projeção internacional de uma instituição tem de advir da sua prática e da maneira como ela está estruturada. E, portanto, primeiro vamos pensar na sua prática e na sua estrutura e, depois, pensar na maneira como ela se afirma internacionalmente.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Patrícia Blázquez

Se queres ler mais entrevistas sobre a cultura em Portugal, clica aqui.