Hoje, dia 13 de Novembro, a Fundação Calouste Gulbenkian, abrirá as portas de casa ao público universitário, a partir das 14h20. O programa é diversificado e percorre todas as divisões, convidando os visitantes a habitá-las. Trata-se da 3ªedição do Dia Aberto para Universidades, que pretende ser "uma espécie de guia, manual de instruções de utilização Gulbenkian", como descreve Susana Gomes da Silva, responsável pelo serviço de educação do Museu Gulbenkian.

A iniciativa, desenhada pelos profissionais da casa e com convites pontuais de artistas externos, com os quais há uma relação de proximidade, foi pensada como uma resposta à constatação do reduzido número de visitas do público universitário. Esta apresenta-se, nas palavras de Susana Gomes da Silva, como " uma montra de actividades que fazem parte do nosso ADN, enquanto instituição, e que têm reflexo naquilo que é a programação regular da Fundação, para que os jovens conheçam o que se faz aqui e possam passar a frequentar com mais regularidade", conjugada com a introdução de actividades que não têm necessariamente lugar na programação regular, mas que dão "um carácter celebratório ao dia".

A responsável pelo serviço educativo sublinha a importância que a Fundação atribui a este público, que irá "ocupar cargos decisivos e transformadores",  a qual se espelha no investimento "em programas e projectos que respondem a inquietudes, a grandes questões, aos desafios da sociedade contemporânea", procurando envolvê-lo na procura de soluções.  Considera que se trata de uma população "com uma vontade muito grande de agir, de intervir" e que o problema, muitas vezes, é a dificuldade em  fazer-lhe chegar a informação. Por isso, este dia é para "pôr os holofotes" no trabalho da Fundação, nas suas propostas, programas e projectos, que, frequentemente, assumem a forma de desafios, que são oportunidades para os universitários se tornarem "participantes activos e proponentes de soluções".

O evento terá início com um ensaio da Orquestra Gulbenkian, onde se propõe ao público desenhar o que escuta. Enquanto a luz ainda passa por entre as folhas, será realizado um passeio pelo Jardim Gulbenkian, pela mão do jardineiro que dele cuida e de Paula Côrte-Real, coordenadora da equipa educativa. Abrir-se-à o mundo secreto dos Arquivos Gulbenkian, onde a arquivista Mafalda Aguiar dará a conhecer  alguns documentos da história da Fundação e do seu fundador. Os universitários podem guardar uma memória desta experiência, através das câmaras artesanais criadas na Oficina de Fotografia ou de uma serigrafia com o seu próprio manifesto, realizada na Oficina de Serigrafia, montada numa bicicleta. No Grande Auditório, o maestro Pedro Nunes estará pronto para a conversa. Raquel Gomes, do Instituto Gulbenkian de Ciência, colocará a questão "Ciência: o ingrediente secreto para uma cidadania mais participativa?" a falar. Pelo conhecimento de Patrícia Rosas, será realizado um percurso de aproximação às mulheres artistas que se destacaram no combate ao Estado Novo. Para os curiosos que querem abrir a gaveta da mesa de cabeceira de algumas destas artistas, oferecer-se-á uma visita-expresso a esses universos. O lugar do silêncio, a Biblioteca de Arte, vai contar-se, através da voz de João Figueira. Com as leituras  das cartas trocadas entre Gulbenkian e o neto, Mikaël Essayan, enquanto este estudava em Inglaterra, durante a II Guerra Mundial, encenadas por  José Anjos e Pedro Freitas, poder-se-á entrar na intimidade do fundador desta casa. As entradas proíbidas tornar-se-ão permitidas, pois o arquitecto Jorge Lopes conduzirá uma visita por zonas do edifício não acessíveis ao público. Com Sofia Ascenso, do Programa Gulbenkian Parcerias para o Desenvolvimento, pensar-se-à o futuro do espaço comum, que é o mundo, e a forma de estarmos nele. Esta preocupação é partilhada com Maria do Rosário Palha, do Programa Gulbenkian Sustentabilidade, que levará cada um até à sua própria cozinha, com a pergunta "Será que as nossas escolhas alimentares podem combater as alterações climáticas?", bem como por Teresa Granja, do Programa Cidadãos Activ@s, que vem procurar escutar as respostas do público relativas à forma como se pode desenvolver uma sociedade mais solidária, tolerante e empenhada.  No Museu da Fundação, o acolhimento será feito pela própria directora deste, Penelope Curtis, que apresentará o design museográfico da Coleção do Fundador, no contexto da sua época. Na companhia de Rita Albergaria, acompanhará a visita à exposição Art on Display. Formas de expor 1949-69, onde são exploradas formas diferentes e experimentais de expor arte, concebidas por diferentes arquitetos em diferentes países, no período de 1949-69. Porque o conhecimento pode ser lúdico, haverá um jogo, chamado "Torre do Conhecimento", onde cada peça representa uma descoberta científica e o jogador elimina as que, para si, têm menor relevância, sem deixar que a torre se desmorone. Espalhadas pela Coleção Moderna, estarão seis máquinas de fazer retratos, no interior das quais encontra-se um desenhador que, não vendo o retratado, mas ouvindo-o, desenha-o. Na masterclass com Paulo Pires do Vale, curador da exposição Calouste: uma vida, não uma exposição, tocar-se-à a complexidade presente na exposição de biografias.  A exposição de Irineu Destourelles será uma oportunidade para descolonizar o pensamento, a partir do encontro com a memória de um corpo. No final do dia, regressar-se-á ao Jardim, com Fernanda Botelho, para que o caminho até ao concerto de João Barradas, último momento deste dia, seja repleto de plantas.

Susana Gomes da Silva espera que estes estudantes, ao final do dia, cheguem a casa "entusiasmados", "com vontade de voltar, porque grande parte das actividades são mais curtas do que numa programação habitual, uma espécie de "cheirinho" , um "abre o apetite" ".

Reflectindo sobre o problema da ausência de universitários nestes espaços, comenta: "Os timings e a pressão que os alunos da universidade sentem, muitas das vezes, alheiam-nos um bocadinho do que está a acontecer que não seja directamente relacionado com a sua área específica do saber. Isto, para mim, é perder oportunidades de crescimento."

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Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Cartaz cedido pela Fundação Calouste Gulbenkian

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