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Diálogos – Saúde Mental de Proximidade: “transformar os sintomas em histórias”

O novo projeto social pretende trazer ao distrito de Portalegre um serviço de saúde mental de proximidade, gratuito e seguindo os valores do Open Dialogue.

Fotografia de Aditya Saxena via Unsplash

Promovido pela Fundação Romão de Sousa, o novo projeto social “Diálogos – Saúde Mental de Proximidade”, surgiu com o propósito de ajudar os residentes do distrito de Portalegre em situação de perturbação mental ou crise psiquiátrica. O programa é um serviço gratuito destinado à população adulta, entre os 16 e os 65 anos.

Recorrendo à metodologia do Open Dialogue (diálogo aberto), o projeto atua em casos de crises de ansiedade ou pânico recorrentes; ideação suicida ou depressão (tristeza e/ou angústia intensa); alterações da perceção ou do pensamento (delírios, alucinações); dificuldades graves de relacionamento ou em manter as atividades do dia-a-dia; irritabilidade fácil e/ou desregulação emocional e alterações de humor.

Para além de apoiar terapeuticamente as pessoas nestas condições, “Diálogos” auxilia também as suas famílias e a sua rede de suporte social. Qualquer adulto entre as idades mencionadas pode ter acesso a este programa, bastando telefonar para o número de apoio ou enviar um email para od@fundacaords.org. “O encaminhamento pode ser feito pelo próprio, pela sua família ou por um profissional de saúde”. João Pereira, Diretor Clínico da Fundação Romão de Sousa, salienta que, ainda que qualquer pessoa nestas situações possa participar, “é necessário [realizar-se] um diagnóstico prévio e [que o indivíduo em questão] não esteja institucionalizado”.

“Este projeto surge da confluência dos vários fatores históricos”, explica João Pereira. Em 2015, a Fundação procurou estudar a abordagem do Open Dialogue, realizando várias formações e visitas de estudo “aos locais onde este sistema surgiu e se desenvolveu”, tais como a Lapónia Finlandesa, o norte da Noruega e Nova Iorque. Três anos depois, a Fundação Romão de Sousa realizou um Congresso Internacional, na Universidade Nova de Lisboa, sob o tema do Open Dialogue. Após a realização de vários eventos, dentro e fora da Comunidade Terapêutica Casa de Alba, em Estremoz, a Fundação conseguiu, em 2020, um financiamento por parte da Direção Geral de Saúde para o primeiro projeto piloto do Open Dialogue em Portugal.

O Open Dialogue é uma abordagem “fortemente baseada nos direitos humanos” e que segue cinco princípios organizacionais, sendo eles a ajuda imediata, a perspetiva de rede social, a flexibilidade e mobilidade, a responsabilidade e a continuidade psicológica. Para além disso, aplicam-se também dois princípios terapêuticos: a tolerância da incerteza e o dialogismo. Deste modo, o Open Dialogue é uma abordagem alternativa que procura valorizar e dar sentido às perturbações dos pacientes.

“A forma como [o Open Dialogue] ajuda é, ao mesmo tempo, extraordinariamente simples e extraordinariamente complexa”, esclarece o Diretor. Para João Pereira, esta metodologia é simples porque “o que propõe não é mais do que o senso comum: respeitar as pessoas no centro das preocupações, envolver a rede social e familiar e tomar decisões de forma conjunta e democrática, dando valor a todas as vozes”. Por outro lado, é igualmente um tratamento bastante complexo, pois implica “uma formação muito vasta e robusta, mas também um desenvolvimento pessoal e emocional dos profissionais muito forte”.

A equipa do “Diálogos – Saúde Mental de Proximidade” é constituída por 6 profissionais: um coordenador (psicólogo e psicoterapeuta), duas psicoterapeutas com especialidade avançada, um assistente social e dois médicos psiquiatras. Acrescenta-se ainda que a Fundação Romão de Sousa tem parcerias locais com o SNS, com algumas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens e com a Comunidade Intermunicipal, “para além dos parceiros internacionais que apoiam na supervisão, formação e investigação”.

Este projeto é financiado pelos EEA Grants (subsídios/apoios da European Economic Area), fazendo parte do programa “Cidadãos Activ@s” e é gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian em consórcio com a Fundação Bissaya Barreto. Terá a duração de doze meses, “embora a Fundação Romão de Sousa esteja a reunir esforços para diversificar as fontes de financiamento e manter este importante apoio à população”.

Qualquer informação sobre o “Diálogos – Saúde Mental de Proximidade” pode ser consultada online.

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