A recém-criada editora Discos de Platão, de Guimarães, lançou, recentemente, os dois primeiros álbuns do seu catálogo. O trio Unsafe Space Garden lançou o álbum de estreia Guilty Measures e Dada Garbeck publicou Voz humana, segundo disco da tetralogia The Ever Coming, iniciada com um lançamento no ano passado.

Estes lançamentos são dos respetivos projetos musicais dos músicos Rui Souza, conhecido como Dada Garbeck, e Nuno Duarte e Alexandra Saldanha, membros dos Unsafe Space Garden, também responsáveis pela editora que criaram num tempo em que “o paradigma, de repente, mudou”, por causa da doença covid-19, como explicou à Lusa um dos fundadores.

Além destes primeiros lançamentos, a editora prevê fazer dois outros lançamentos discográficos este ano, um dos quais um EP da artista venezuelana Arianna Casellas.

“Em termos artísticos não temos uma linha estética de que andemos à procura. Interessa-nos conhecer o artista, a relação com aquilo que ele faz, se se identifica com a nossa forma de ver a arte - que é bastante romântica - e se o disco tem pensamento por detrás”, descreveu Rui Souza.

Para divulgar cada um dos álbuns, a editora tinha tentado delinear um plano de concertos e apresentações, mas ficou tudo em suspenso por causa da pandemia da doença covid-19.

“Alguns concertos estão ainda pendentes, sobre outros não foram tomadas decisões, eram no verão, outros foram adiados com uma incerteza”, disse. Ainda assim, Rui Souza está otimista.

“É importante que a editora cresça devagar e vá aparecendo. Este novo paradigma está a fazer com que digitalmente as coisas sejam mais vistas. As músicas estão a ser mais ouvidas do que outrora e com isso a editora vai junto. Sente-se um crescimento grande [no consumo pela Internet], e nota-se porquê, as pessoas estão em casa”, explicou.

Rui Souza, 30 anos, que assina Dada Garbeck e que também é diretor musical no Teatro da Didascália, em Guimarães, explica que Vox humana é o segundo álbum de uma tetralogia conceptual intitulada The Ever Coming, sobre a ideia do “eterno retorno”, assente nos sintetizadores.

“Trabalho muito a música circular. Este segundo disco é uma reminiscência do primeiro. O que liga os quatro [álbuns] é o trajeto da minha vida; eu trabalhei muito com órgão, voz e sopros. O primeiro álbum é com sintetizadores, o segundo é dedicado à voz humana e o terceiro sobre sopros. O último será o retorno ao início, e será só piano”, elencou.

Os álbuns de Dada Garbeck e Unsafe Space Garden têm, por agora, existência apenas em digital, mas “num futuro próximo haverá edição física”.

Texto de Lusa e Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de James Stamler via Unsplash

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