O Doclisboa regressou às habituais salas de cinema com reencontros e estreias mundiais e veio para ficar até dia 31 de outubro. O mote lançado pela Sessão de Abertura desta 19.ª edição foi Resistência, uma palavra que, segundo Boris Nepelo, programador e curador da Retrospetiva de Ulrike Ottinger, não só tem em si conotações diversas como abraça essa mesma diversidade para dar voz(es) no Cinema, no espaço e no tempo.

O centro do pequeno café do Cinema São Jorge era o nosso palco de conversa. Na azáfama dos preparativos que dali saltavam para a Culturgest ou para a Cinemateca, a entreajuda e a vontade de fazer do Doclisboa um festival de e para todxs tornava-se cada vez mais assente. Boris e o Doc já se conhecem há largos anos. Portugal passou a ser também a sua casa, temporária, mas o Doclisboa é a porta de entrada que mais gosta.

O crítico de cinema e programador que vive em Moscovo, é editor-chefe da revista cinematográfica online Kinote e editor da revista cinematográfica Séance. Foi curador de vários festivais de cinema, incluindo uma visão geral do cinema britânico clássico dos anos 60 e retrospetivas de Bela Tarr, Seijun Suzuki e Philippe Garrel. Foi também publicado em Trafic, Cinema Scope, MUBI, Moving Image Source, De Filmkrant e Lumière, e é consultor de cinema russo para o Festival Internacional de Cinema de Locarno. Além de dotado no Cinema e nas letras, Boris é também um amante do universo que abraça o Cinema e, como tal, esteve à conversa com o Gerador. Os temas de honra foram: o tempo de vida do festival, os grandes destaques da programação deste ano e ainda a reflexão perante questões como a descentralização dos festivais, do conteúdo e da importância do Cinema para um futuro que vive do passado e do presente.

Gerador (G.) – Sabemos que a sua presença no Doclisboa não é uma estreia. Como é que surge este convite que aqui, ao Cinema São Jorge e a todos os outros locais que abraçam o Doclisboa?

Boris Nepelo (B. N.) – Devo dizer que estou muito orgulhoso este ano. Para mim, o DocLisboa é como um familiar. Penso que já temos a nossa relação, a nossa amizade, o nosso amor há dez anos, porque vim aqui primeiro como crítico para escrever sobre os filmes e depois às introspetivas. Também estava a ajudar na consultoria de filmes russos, aqui, mas este ano é a primeira vez que o festival me convida a participar no comitê de seleção, na programação para competição internacional e para discutir novas visões. Desta forma, digo-te que me sinto tão orgulhoso porque antes já vinha como convidado para ver os filmes e fazer a introspeção, mas agora conheço o quadro completo. E, claro, não consigo ser tão objetivo, porque são vários os colegas que durante mais de um ano preparam este programa, mas admito que tenho muita paixão por ele (programa). Ainda assim, posso ver que o programa é muito diferente de todos os outros festivais do mundo. Não significa que estou a subverter o DocLisboa, mas sei que é realmente muito diferente. E o que também é muito importante para mim é que se funde em todos estes anos, porque já é a 19.ª edição do DocLisboa e, desde então, este festival tornou-se realmente internacional. Foi muito importante criar esta ideia de que os filmes não fossem apenas para o público de audiência, mas haver também este contacto com o público local. Claro que o que fazemos no festival, nesta cidade, neste país, nesta cultura, e para aquelas pessoas que virão porque se não vierem, não faz sentido fazer isto, mas vejo que o festival que existe atualmente estabeleceu muita confiança para os cineastas que realmente querem vir cá primeiro e querem passar por cá. É a isso que me refiro quando digo que o festival se tornou verdadeiramente internacional, porque numa ótica geral e tendo em conta o estado do mundo, a verdade é que é realmente necessário que chegue a todxs. E ficámos surpreendidos por alguns dos filmes não conseguirem encontrar o espaço que deveriam para ser estreados e premiados, não porque não foi por termos convidado filmes durante vários anos, porque não tínhamos outros filmes e não tinham outros lugares para estrear, mas ao mesmo tempo, alguns dos filmes que temos e alguns dos filmes que se consideram obras-primas fizeram-no durante muitos meses, de acordo com o que conseguiram, e interessaram-se muito por outros festivais.

Ao mesmo tempo, foi maravilhoso para o nosso trabalho porque não tínhamos quaisquer compromissos. Por isso sabíamos o que era realmente importante nesta edição que eu não penso que seja particularmente diferente de outras edições. O que quero dizer é que não foi por uma nova equipa adotar o festival que veio para destruir tudo o que foi construído a partir de uma nova. É o oposto, porque toda esta equipa trabalha com o festival antes mesmo de estar altamente ligada ao festival, há cerca de dez anos e a todos nós. A Cíntia Gil (programação), por exemplo, não é apenas uma amiga, mas é realmente uma das pessoas no mundo que me ensinaram tudo sobre programação sobre ver filmes, como fazer o festival, qual a sua razão e como estabelecer este diálogo entre o ecrã e o público. Por isso, penso que todos nós, claro que estou a falar em meu nome, mas também no geral, sabemos que é realmente importante ter esta continuação do que era o festival antes. Portanto, para mim, é uma evolução muito construtiva e não uma revolução.

G.- É caso para dizer que esta já se pode considerar a tua ‘casa’ em Portugal. Falando agora de Resistência, que é a alavanca da edição deste ano, acreditas que o Cinema vive como palco de resistência ou em resistência?

B. N. – (risos) Essa não é uma questão nada fácil. Primeiro, sim é quase isso. Em relação à segunda questão, devo ter cuidado porque continuo a ser apenas um membro do comité de seleção e venho de outro país. No entanto, penso que a resistência é uma palavra muito importante. Não só tem muitas conotações como também muitos significados, porque não se trata apenas de resistência política quando falamos dos problemas e riscos através dos filmes que seleccionámos. Alguns dos filmes não conseguiram encontrar um lugar e, nesse campo, para mim, é uma resistência artística, porque de repente foi um artista realmente muito importante e maravilhoso, a trabalhar muito e a tentar fazer o melhor, e depois não têm um espaço para mostrar o seu trabalho.

Não sei como é em Portugal, mas em alguns países a introdução do streaming e das redes sociais tornou ainda mais complicado mostrar os filmes a partir de um equipamento. Por vezes, o Cinema já não é o palco. Grande parte da arte coletiva sofre do mesmo. Diz-se que o mundo está a mudar, mas quando falamos em futuro, eu creio que é algo que de facto pode, infelizmente, continuar a acontecer, provavelmente. Não quero ser pessimista porque acredito que não é a altura de desistir. Só quero dizer que, por exemplo, o problema para mim é que, artisticamente, o festival também tem que ver com a resistência a correr riscos. É apoiar os realizadores e os filmes, e os estilos e géneros dos filmes que o acompanham. Isso também precisa de algum apoio para criar um lugar de diálogo. Pensemos especialmente no programa deste ano. É extremamente diversificado. Não é que diversidade seja só o importante, por exemplo, com as plataformas de streaming existe muito aquela questão da susceptibilidade de apoiar a diversidade e, depois, há alguma, mas em sentido muito limitado. No DocLisboa não se trata disso, até porque a equipa de programação é muito diversa, uma vez que todos nós viemos de lugares diferentes, com experiências, de gerações diferentes, e não apenas de culturas diferentes. Não temos todos a mesma mente, da mesma forma que não temos todos opiniões políticas ou o que quer que seja.

Esta partilha foi sempre muito interessante porque tivemos uma série de discussões, muito pertinentes, e isso era, sobretudo, algo incrível para mim. Devia envolver a nova equipa, porque ganharam imediatamente a minha absoluta confiança. Acabei de ver que todos no festival se dedicam absolutamente aos filmes e ao que o sentimento significa em todo o sentido em termos artísticos, políticos e respeitam os filmes e os seus artistas.

Por exemplo, no ano passado no festival, no que tocava às quotas de género e neste partilhamos do mesmo, temos cerca de cinquenta por cento de filmes feitos por realizadoras do sexo feminino. Por isso, não falo sequer de vantagens, mas nunca foi um ponto de discussão. Nunca tivemos de gostar desta ideia e destas quotas, veio precisamente de forma natural. Estávamos apenas a discutir as questões, os problemas, os filmes, e aproveitamo-la.

Portanto, estou muito feliz porque penso que é assim que deve ser feito. E falando da resistência, para mim, penso também que é muito importante e talvez agora nem todos compreendam a importância deste festival, mas a verdade é que foi e está a ser uma edição muito aberta, para um público muito diferente e para pessoas muito diferentes, sendo assim possível haver um espaço de debate.

No caso da Ulrike Ottinger, por exemplo, ela tem um lugar muito particular no contexto do feminismo alemão, porque foi sempre individual e, de facto, criticou o que se assemelha ao feminismo ortodoxo. E, por exemplo, hoje mostramos na Cinemateca o seu filme Madame X – An Absolute Ruler, que é na verdade um dos filmes feministas mais importantes, mas que foi altamente criticado, especialmente pelos círculos feministas na Alemanha nos anos 70. Este filme foi como que uma crítica a certas tendências.

Eu creio também que seria justo dizer que este conceito de resistência não se limita apenas a alguns slogans e a propaganda, porque é absolutamente o oposto. E, apenas para terminar, penso que este festival e esta edição tem um lugar para todxs, assumindo que todos são bem-vindxs. Tudo está aberto e as pessoas podem encontrar um filme para si próprios e serem inspirados, desafiados e provocados.

G.- Este ano, o DocLisboa trará a foco o cinema Ulrike Ottinger e Cecilia Mangini em retrospetiva. Voltando-nos para a retrospetiva de que responsável para curadoria de que forma Ulrike fez arte através do cinema e ainda da fotografia? O seu trabalho foi uma descoberta?

B. N. - Sim. É muito importante mencionar que este foi um convite da Cíntia Gil como tema do festival. Convidou-me a fazer isto à Retrospectiva. Assim, por exemplo, quando estivemos em Berlim, que foi o último festival internacional antes da situação de 2020. Isto foi uma obra coletiva, um esforço coletivo. E de certa forma, estou muito orgulhoso e feliz com este quadro. Na verdade, esta perspetiva não precisa realmente de muito para curar porque Ulrike tem um percurso cinematográfico incrível. Ela foi editora de todos os seus filmes, produziu alguns e, como tal, é proprietária de todos os focos, todos os direitos, e os seus filmes são muito longos. Portanto, não é que tenha muito, como ver a liberdade criativa do curador para fazer algo, para que possam resistir à introspeção que pode ser feita por qualquer curador profissional, mas fiquei muito feliz por colaborar nisto, porque eles sabem que eu adoro. Digamos que este tipo de Cinema, a que poderíamos chamar Cinema moderno, porque também passa por Werner Schröder, um realizador alemão, uma vez que partilham a mesma atriz que interpreta ambos. Não posso sequer precisar quando descobri o Ulrike, porque de alguma forma sempre conheci o trabalho e de alguma forma investi para ir estar sempre presente, o que não significa que todos a conheçam, mas ela não é como desconhecida. Ela não é uma diretora secreta.

G. - Muitas das questões sociais evidentes no trabalho de Ulrike estão hoje cada vez mais a ser debatidas. Será essa a utopia que temos de combater?

B. N. – Sim, o festival é de, digamos, todo o seu corpo é introspetivo, ficando isolado do outro problema com uma boa perspetiva para criares o contexto. Dá-nos contexto histórico e artístico, mas também estabelece de facto este diálogo entre os cineastas de hoje e cineastas do passado, mas voltando um pouco às tuas perguntas anteriores, a retrospetiva é uma resposta muito grande à questão sobre cultura e a necessidade da mesma para o futuro. Ulrike é uma mulher que gosta realmente de letras e apaixonada por literatura, mas também começou a trabalhar como nos anos 70 em Paris. Teve algumas exposições, pintou e, na verdade, ela vem de um lugar diferente, não do cinema em específico, mas do mundo dos artistas.

Não se trata apenas de filmes, mas de festivais, e penso que é muito interessante o que mencionaste sobre o feminismo e o estatuto da carreira, porque por exemplo, o filme Madame X – An Absolute Ruler representa exatamente quão à frente do seu tempo estava, por volta dos anos 70 e 80. É muito interessante olharmos para diferentes questões do trabalho de Ulrike que passam pelo feminismo e o estatuto da carreira, especialmente com esta indústria cinematográfica de ficção. A verdade é que o seu trabalho se mostra intemporal, quase como um passo que estaria extremamente à frente do tempo nos 70 e 80.

G. – Olhando para toda a bagagem da artista, de que forma os seus filmes se tornam intemporais e resistentes no tempo?

B. N. – Eu penso que os filmes que Ulrike Ottinger dão-nos um olhar muito caraterístico da Europa e dos anos 70. Eram lugares muito interessantes para o cinema e também para debates e para diferentes movimentos, especialmente na Alemanha. Pensar o feminismo, é muito urgente.

Alguns dos seus filmes poderiam ser um mapa muito bom para descobrir a história oculta do Cinema moderno e também para o Cinema feminista. Todos os seus filmes foram feitos por mulheres porque algumas das realizadoras que convidou para trabalhar com ela estão entre as mais brilhantes e incríveis realizadoras. Por isso penso que esta filmografia é também um mapa para descobrir através dos filmes de Ulrike as obras de outras artistas.

G. – Pensar na formação das novas gerações é também pensar no contributo futuro das linguagens cinematográficas do passado, assim como no acesso à cultura?

B. N. – No meu entendimento, a necessidade de cultura é uma das necessidades básicas de um ser humano e penso que agora também se tornou importante nesta crise da covid-19, porque a cultura sofreu muito e por vezes vi que, tal como os governos e as autoridades, eles consideravam a cultura algo como secundário.

Não sei como foi aqui, em Portugal, mas onde vivo, por exemplo, na Rússia e em alguns outros países onde vivem os meus amigos, senti que de alguma forma as pessoas, especialmente se vissem as autoridades, tratavam a cultura como algo secundário.

Eu pertenço a este povo que gosta de ler livros para o mundo, para as representações teatrais, para ver filmes... é como parte da minha identidade, mas eu vejo que é extremamente errado a forma como as Ultrike pessoas tentam agora tratar toda a cultura como algo elitista. É como se, por exemplo, os jovens não precisassem ou algumas outras pessoas não precisassem. Nós somos resultado daquilo que a cultura realmente une, certo? É importante conhecermos a história do conhecimento humano assim como a história do cinema e a história ou da cultura. E não é apenas fazer uma ou outra referência a filmes preponderantes. Não se trata de conhecermos este realizador secreto do passado e as pessoas que não o conhecem sabem apenas para o colocar no contexto, porque quando se coloca no contexto, tem-se uma maneira diferente de pensar, o que é realmente importante porque, tal como muitas lutas políticas que se vêem sabem, por exemplo, na América, muitas vezes vêm do ponto de vista das pessoas que não são suficientemente educadas sobre o tema. E, isso, significam por vezes muito, até no nicho das pessoas mais privilegiadas que frequentam universidades muito ricas, mas não têm a perspetiva da história e da história da cultura. Por isso, penso que já o fizemos.

Ao mesmo tempo, a cultura é um luxo. É um luxo em muitos sentidos, porque é preciso ter tempo e dinheiro e, infelizmente, é preciso partir para algumas grandes cidades, até mesmo aqui, em Lisboa. E esta questão é bastante dita pelos professores de cinema porque a maioria dos teatros históricos foram encerrados. Numa nação sociocultural e educada como Portugal sair, é quase um desastre como poucas salas de cinema saíram do palco no futuro.

Já que falamos em gerações, temos em programação um realizador russo que convidámos, Vadim Kostrov. Ele tem um filme na competição internacional, onde grava em pleno Inverno. Ele é um homem muito jovem. Para mim, na verdade, conhecê-lo foi muito diferente, diria uma experiência refrescante, porque é como se já fosse uma geração totalmente diferente da minha. Ele acabou de fazer 23 anos. O material foi filmado em 2019, o que significa que ele tinha 21 anos de idade. Este rapaz vem de uma cidade industrial, perto da Sibéria. É um lugar muito distante, muito escuro em termos de tempo, porque é como se fosse Inverno sempre. Então este tipo, com 17 anos, veio para Moscovo como se trabalhasse como estafeta, vivesse num albergue durante algum tempo e sentiu estas necessidades, pois precisava de se educar para ter alguma cultura.

E depois fez este incrível filme porque agora quando mostram os seus filmes como ontem, o público fala de Tarkovsky. Portanto, o que significa que esta é uma pessoa que vem de um lugar não privilegiado onde não há acesso à cultura e é também importante. E depois volta lá e faz uma triagem para as pessoas, educa-as.

Devemos ter sempre cuidado quando falamos de privilégios, de cultura e do acesso à cultura. Porque na minha opinião, claro, os governos devem apoiar o seu desenvolvimento da cultura em todas as cidades. Falamos de uma cultura que não deve se concentrar apenas nas grandes cidades. Vivemos numa época muito boa em que se tem muito mais acesso a tudo do que em qualquer uma das gerações anteriores.

Por exemplo, na União Soviética havia cinema estrangeiro quase proibido, como se não tivéssemos acesso a cinemas estrangeiros como os nossos. Assim como todos os cinéfilos de gerações mais antigas, quando a União Soviética entrou em colapso na Rússia, nos anos noventa, só nessa altura é que começaram a ver filmes. Em alguns casos, as salas de cinema estavam fechadas e nas pequenas cidades há realidades que ainda permanecem desta forma.

G. – Quão importante se torna a presença do diretor/realizador/criador no local de apresentação do seu trabalho para o entendimento dessas mesmas linguagens?

B. N. – No caso de Ulrike é muito interessante porque muitos documentários sobre as culturas estrangeiras e as culturas que são bastante desconhecidas para os europeus, é como se a sua presença e o seu fim suportam-se uma ação forte. Ulrike foi uma das realizadoras, talvez a primeira realizadora a viajar para Mongólia a filmar as pessoas que lá estavam. Este documentário do final dos anos oitenta e início dos anos noventa, foi o momento de uma interessante mudança na transição do conceito de cinema etnográfico e documental porque, tal como o Cinema, antes, tinha-se muito a tendência de explicar, o que não quero dizer que é mau, mas tratava-se de explicar ao invés de construir o Cinema.

A Ulrike observa mais, não tenta explicar-nos. Ela compreende, mas talvez não compreendamos o que vemos, mas é uma parte muito importante que não se pode compreender sempre completamente como é ou deve ser, mas sim, é uma experiência muito enriquecedora ter estas pessoas que constroem os filmes presentes.

G. – Sabemos ainda que a complementar o seu trabalho na cinematográfico, a Ulrike apresenta ainda uma exposição fotográfica. Podemos falar-nos um pouco sobre a exposição?

Sim, Ulrike é aclamada como artista e fotógrafa, sendo que ela faz exposições em todo o mundo. Por isso, pareceu-nos muito natural fazer esta exposição. Foi basicamente uma ideia de Joana e Miguel. Eu não estava a curar a exposição, não estava a escolher as imagens, mas todos nós nos falamos com Ulrike sobre fazer esta exposição. E ela foi superrecetiva. Parece-me que esta exposição é realmente uma boa introdução aos sentimentos, porque não são as imagens de um filme, não é a exibição de frames dos filmes, mas há algumas fotografias feitas durante as suas viagens. São imagens muito relevantes da China. É a arte das pessoas nos anos oitenta, num momento de transição muito relevante e conhecido na Europa e no mundo.

Sente-se uma apresentação da introspetiva. A exposição é pequena, mas penso que é uma adição muito agradável à retrospetiva, especialmente ao presente, porque conseguimos entender aspetos da mostra e da obra.

G. – Por último, podemos destacar alguns filmes na programação deste ano?

B. N. – Na verdade, quero dizer que adorei todos! [risos], mas sobre a competição internacional, não posso comentar muito, mas quando consulto os outros programas penso que Riscos e Novas Visões é uma programação muito rica este ano. Não consigo falar muito sobre a competição portuguesa porque, infelizmente, não participei na programação da mesma, mas em Riscos temos gostado, muito da seleção. Trata-se exatamente de algo sobre um cinema muito contemporâneo que caminha de mãos dadas com o passado.

Texto de Patrícia Silva
Fotografia de Íris Cabaça

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