No dia 18 de Março, pelas 23h00, será exibido, na RTP2, o documentário Escultoras – Nem Musas Nem Modelos, de Emilie Valentin.

“O mito de Pigmalião determinou há muito o papel da musa e do escultor: o homem era o criador e a mulher a sua obra. Desde então não tem havido muito espaço para as escultoras mas as mulheres nunca desistiram de lutar pelo reconhecimento da sua arte”, lê-se na descrição. Escorregaram para fora do que encontraram e foram perdidas pelos olhares que lhes eram contemporâneos.O documentário faz memória das esquecidas, confrontando-nos com a condição social e, consequentemente, cultural e artística das mulheres.

A italiana Properzia de Rossi (1490–1530) foi a primeira mulher cujo talento artístico foi notado. Estudou escultura e anatomia na sua cidade natal, Bolonha, na única Universidade europeia que aceitava mulheres no século XVI e, consequentemente, tornara-se um refúgio para algumas destas. Começou a destacar-se pela utilização de caroços de fruta, com os quais realizava esculturas de pequenas dimensões e com temáticas religiosas. Numa fase seguinte, a escultora renascencista, destcou-se pelos bustos em mármore, a cujo reconhecimento se deveu o convite para integrar o conjunto de artistas responsáveis pela decoração do altar de Santa María del Baraccano, em Bolonha, onde também ganhou um concurso para esculpir a a fachada oeste de San Petronio. No século XVII,  a espanhola Luisa Roldán (1652-1706), filha do escultor Pedro Roldán, que se supõe ter sido o seu mestre, foi a primeira mulher nomeada escultora da corte La Roldana, como era conhecida, inicialmente, não assinava as suas obras. As temáticas marianas são as mais constantes no seu trabalho. Em Ecce Homo, que se conserva na catedral de Cádiz, para a escultora sevilhana se mudou, está gravada a inscrição, na qual se auto-intitula “insigne autora“. Teve obras encomendadas pelo concelho municipal de Madrid, antes de começar a trabalhar para Carlos II e Filipe V. O reconhecimento simbólico não correspondeu ao monetário. Neste contexto, passou a assinar como “Escultora de Cámara”.

Escultoras – Nem Musas Nem Modelo é uma produção de Ex Nihilo, de 2018.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Victor Strukovskaya, via Unsplash