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Dói a propina, a habitação, o RJIES e tudo o resto 

Nas Gargantas Soltas de hoje, Rodrigo Sousa nos fala sobre as dificuldades e desafios que a atual e nova geração de estudantes enfrentam.

Opinião de Rodrigo Sousa

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Nos últimos dias, as redes sociais têm estado repletas com o cenário de novos estudantes universitários a festejarem as suas colocações, com partilhas de printscreens de e-mails dos seus resultados do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior. São sobretudo dias felizes onde passado 12 anos de muita luta num Ensino Secundário que várias vezes sofre do desinvestimento crônico da escola pública e da perpetuação de desigualdades, muitos são recompensados pelo seu esforço e dedicação ao processo de aprendizagem. 

No entanto, o que parece um cenário perfeito de felicidade facilmente é arruinado pelas dores constantes do processo de integração universitária. Começam os suspiros pelas partidas da casa que nos viu nascer que, apesar de serem um processo ansiado por muitos, tem sempre o seu sentimento agridoce. Começam também os suspiros pelos pagamentos das primeiras taxas enquanto se espera o resultado das atribuições de bolsa. 

Após isto, seguem-se as lágrimas de desespero a tentar encontrar um simples quarto num mercado imobiliário especulado. Tornou-se uma missão impossível em Lisboa e no Porto encontrar um quarto abaixo dos 450 euros, num país onde a média de preço por quarto ronda os 350 euros mensais. Ano após ano os estudantes deparam-se com um mercado que não para de aumentar os preços — exemplo disso é o facto de que só no último ano o preço dos quartos para arrendar a estudantes subiu mais de 10%, sendo estes muitas vezes quartos em casas com condições pouco dignas e onde 8 pessoas partilham uma casa de banho. 

Tudo isto num clima de desresponsabilização política, onde o governo parece nada querer fazer. A promessa de mais 12 mil vagas em residências universitárias públicas até 2022 parece ter ficado num Powerpoint perdido na Drive de Campanha do Partido Socialista ao mesmo tempo em que as cidades universitárias se tornam um paraíso turístico e não um paraíso de conhecimento. É apenas mais uma das promessas adiadas num cenário de inflação e aumento de custo de vida. Onde as respostas sociais falham sucessivamente e onde a educação acumula cada vez mais um esforço financeiro enorme — principalmente quando, segundo um estudo da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra os estudantes têm despesas à volta dos 518 euros mensais extra propina. 

E as preocupações não acabam por aí. Os estudantes ainda têm que lidar com uma academia que silencia casos de assédio, que tem dificuldades em trazer tópicos como o feminismo ou a luta LGBTQIA+ ao de cima. Que tem igualmente dificuldades sobretudo em reafirmar que a própria Universidade se constrói de estudantes e do debate que eles criam e de que de facto estas são um espaço de disputa de ideias. 

Ao mesmo tempo que sabemos sofrerem as Universidades com um Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior que limita a sua participação em processos democráticos de gestão dos espaços onde se estuda e se paga para estudar — sendo órgãos como o Conselho Geral ou Conselhos de Faculdade limitados de participação estudantil, havendo casos onde entidades privadas e “stakeholders” ocupam mais lugares que os próprios estudantes da instituição. 

Estamos perante uma Academia que lentamente perde todos os seus objetivos históricos: a promoção da mobilidade social, a equidade, o debate das ideias, o espírito democrático revolucionário dos estudantes. Torna-se hoje mais urgente que nunca, então, debatermos tudo isto com seriedade e como resgatar as promessas que nos foram descartando ao longo do tempo. Combater a suborçamentação do Ensino Superior, resgatar a ideia explanada na Constituição da República Portuguesa de que o Estado deve “estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino”, parar a ideia de Universidade enquanto empresa-fundação, uma ação social efetiva e que responda efetivamente às carências sociais são grandes primeiros passos. 

Que o nosso foco esteja sempre nessas lutas, de modo a resgatar gerações que sonhem e que sejam permitidas sonhar.

-Sobre Rodrigo Sousa-

Carinhosamente apelidado de serrano inquieto, apaixonado pelos vales da Beira Alta que o viram nascer e crescer. Do e para o interior, orgulhosamente educado pela escola pública. Neste momento a continuar a aventura pelas Beiras, desta vez na cidade de Coimbra onde estuda Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Texto de Rodrigo Sousa
*As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.*

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