Entre 9 e 19 de Julho, realizar-se-á a nova edição do Walk&Talk Festival de Artes, “9.5”, onde São Miguel se apresentará em formato digital, reunirá projectos artísticos que se propõem “pensar a criação, fruição e sustentabilidade nas prácticas artísticas” entre o onsite, o espaço físico, e o online, o espaço virtual.

Consciente da complexidade das circunstâncias actuais, o Festival, “explorará plataformas emergentes e novos formatos de criação e apresentação artísticas”, o que permitirá realizar uma reflexão sobre as possibilidades de “reinvenção dos mecanismos de fruição das artes, projetar dinâmicas positivas de socialização e atuar para a expansão das experiências de contacto com as comunidades”, lê-se no comunicado. Para habitar estes novos lugares, também novos mapeamentos e circuitos serão descobertos. “É um teste à forma como continuamos a mover ideias entre lugares e públicos, e o primeiro momento de uma conversa sobre comunalidade que vamos desenvolver até à 10ª edição do festival, no nosso programa de residências e em atividades do Circuito de Conhecimento”, descreve Sofia Carolina Botelho, codiretora artística, no mesmo comunicado.

A programação é realizada pela comunalidade de artistas, curadores e equipa envolvida na organização, cujos trabalhos apresentados são, na sua maioria desenvolvidos em residência nos Açores, na Ilha de São Miguel, e contam com quatro dos habituais cinco circuitos (Circuito Ilha, Circuito de Exposições, Circuito Performativo, Circuito de Residências e Circuito de Conhecimento).

Neste ano, o Circuito Performativo apresentará projectos de dança, música e performance. No Circuito do Conhecimento concretizar-se-á o ciclo de conversas temáticas, com Talk About, em podcast, e Summer School, destinada aos jovens da região. Uma vez que o Circuito Ilha está na origem do festival, este incluirá “instalações, performances, screenings e distribuição de mail art em vários locais de São Miguel” bem como o “lançamento da ‘Rádio 9.5’, transmitida em FM e online”, que divulgará a programação diária ao arquipélago e ao mundo. “Estes projetos vão surgir de novas propostas artísticas, bem como da tradução ou extensão do programa online, e serão produzidos onsite pela equipa Walk&Talk, que estará reunida nos Açores durante o evento.”

Para além dos artistas já confirmados, o evento contará com a participação dos vencedores das quatro Open Call Walk&Talk anuais, entre os quais se encontram artistas, estudantes de artes, jornalistas e profissionais de arquitetura.

O contexto que atravessamos também justifica a pertinência desta edição intermédia, “9.5”, visto que a 10ª edição está programada para Julho de 2021, na cidade de Ponta Delgada. Na “9.5” está presente a preocupação com a existência de uma “lógica horizontal de articulação com artistas, curadores, parceiros e equipa”, que o codirector artístico, Jesse James, considera ser uma “responsabilidade” dos agentes culturais, num momento de fragilidade para os profissionais das artes.

O design da nova ilha online é da autoria do colectivo vivóeusébio, “a primeira comissão a ser desenvolvida para a edição 9.5.” Poderás descobri-la aqui.

“Os conteúdos da edição 9.5 serão apresentados em estreia ao longo do festival e vão permanecer acessíveis ao público na plataforma online após o evento, constituindo um arquivo intemporal que vai permitir refletir sobre a produção artística no momento atual e apoiar a preparação da 10ª edição do Walk&Talk em 2020, que se antevê aconteça num contexto de renovada colaboração e proximidade social”, termina o comunicado.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Gif de Walk&Talk