O livro Sobre a paisagem – Arte nas barragens portuguesas, integrante do Roteiro de Arte em Barragens, um projeto iniciado em 2006 pela EDP, já foi lançado. O evento teve lugar ontem, 17 de dezembro, às 18h30, na Central Tejo do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa. Na cerimónia estiveram presentes António Mexia, presidente executivo da EDP, e os artistas José Pedro Croft, João Louro e Pedro Cabrita Reis.

O Roteiro de Arte em Barragens, um circuito artístico de destaque a nível internacional, tem procurado, ao longo dos anos, aliar a arte a estas infraestruturas. Deste modo, a iniciativa pretende fomentar um movimento cultural contemporâneo que permita aproximar o trabalho de artistas de renome no panorama nacional às regiões onde se localizam estas construções hídricas e aos seus habitantes. Segundo a EDP, este projeto visa contribuir para o desenvolvimento local e, simultaneamente, reforçar o papel cultural da empresa. No seguimento deste Roteiro, a EDP apresentou ontem esta publicação, declarando que esta constitui um meio onde se possa guardar as histórias deste projeto, que é contextualizado pelas explicações dos artistas e arquitetos envolvidos, presentes ao longo da obra, juntamente com fotografias das mesmas.

“Estamos a cumprir um passo na tradição antiga da EDP. Sempre houve um cuidado com a componente arquitetónica e artística, e com o impacto que a EDP tinha na vida das pessoas. Este livro vem no seguimento dessa tradição”, afirmou António Mexia ontem na Central Tejo, realçando a “visão holística” da empresa de energias.

A Ministra da Cultura também esteve presente na cerimónia e felicitou a EDP por ter associado a arte às barragens nacionais, alterando a forma como estas são percecionadas, e sublinhou o facto de se tratarem de “infraestruturas com grande impacto no território” e a nível das “populações” de um ponto de vista local e nacional. Por último, a Graça Fonseca realçou a importância do projeto da EDP, declarando tratar-se de um “roteiro de projeção do país e do território a nível mundial”.

Pedro Cabrita Reis, um dos artistas participantes no roteiro e no livro que marcou presença na apresentação da obra declarou, em resposta a António Mexia, quando questionado sobre o processo artístico interventivo que efetuou na barragem da Bemposta, que “a barragem é imponente, a Natureza ainda mais do que a própria barragem, por isso só se poderia introduzir um elemento que viesse sublinhar esta ligação”.

Sobre a paisagem – Arte nas barragens portuguesas conta com a curadoria de Nuno Crespo, produção gráfica e de design de Pedro Falcão, fotografia de André Cepeda, textos de Isabel Lucas e colaborações de Aurora Carapinha, Francesco Careri, Nuno Crespo e Luísa Salvador. Ao longo da obra, são retratadas as intervenções de Alexandre Farto (Vhils), na barragem da Caniçada, Rui Chafes e Eduardo Souto Moura em Foz Tua, José Pedro Croft e Álvaro Siza Vieira em Baixo Sabor, Pedro Calapez em Picote, Pedro Cabrita Reis em Bemposta, Graça Morais em Frades, João Louro em Alqueva e José Rodrigues no Alto Lindoso.

“A cultura é uma área absolutamente essencial para a evolução dos povos, para o crescimento económico, para uma sociedade mais eficiente, mais justa. É absolutamente decisiva e fundamental esta luta por melhor cultura, igual acesso”, declarou ao Gerador António Mexia. Além disso, o presidente da EDP afirmou, nas mesmas declarações, relativamente às barragens deste Roteiro, que, a partir do momento em que as infraestruturas são criadas e existe uma intervenção no espaço físico e na Natureza , a empresa tem a “responsabilidade de que essa intervenção seja equilibrada e que traga harmonia, que traga beleza e que consiga, com isso, atrair também”, destacando o papel da arte neste processo.

Quanto ao futuro dos projetos de cruzamento da arte com as infraestruturas promovidos pela EDP, António Mexia disse que se irá continuar “uma tradição da maior disciplina, da maior qualidade, do maior cuidado, de uma intervenção com qualidade e com beleza”, e anunciou para breve “outros projetos de novos artistas em novas barragens”.

Texto e fotografias de Carolina Gaspar

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