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“Ela, Metafisicamente d’outro mundo”: do Tik Tok para o papel, Poeta da Cidade apresenta o seu primeiro livro

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O primeiro livro do Poeta da Cidade, um jovem escritor e dizedor de poesia de 23 anos, chegou em Janeiro de 2022 e tomou por assalto as redes sociais. “Ela, Metafisicamente d’outro mundo” conta com ilustrações, um espetáculo e ainda videoclipes.

"És corpo de mulher – ardente
horto onde semeio o meu crer.
Num sopro és átomo e eu, crente,
sou outro – metafisicamente
duas metades do mesmo ser."

Excerto do poema “Sofá para o Tejo”, pág. 90.

Pedro Freitas é um jovem dizedor, escritor e produtor cultural. Começou a dizer poesia num concurso da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2014 – o Dá Voz à Letra – e desde então não parou. Em 2017, criou a persona Poeta da Cidade e habituou quem o seguia nas redes sociais, principalmente no Tik Tok, a declamações de poesia intimistas, de poetas nacionais. Hoje, tem 23 anos e lança o seu primeiro livro, “Ela, Metafisicamente d’outro mundo”, um livro com uma génese, assumidamente, pós-romântica, mas que tenta ser também uma re-mistura de poesia tradicional, tentando aliá-la à poesia urbana.

“Ela, Metafisicamente d’outro mundo” começou a ser escrito há 7 anos. Poeta da Cidade conta, em entrevista ao Gerador, que começou a escrevê-lo quando tinha apenas 17 anos, como um cumprimento de uma promessa e sem qualquer intenção de o vender. A vida trocou-lhe as voltas e, durante 2021, com o livro praticamente fechado, apercebeu-se que aquilo que havia escrito podia ressoar com mais pessoas do que só consigo – “Achei a minha visão do mundo, do amor e da mulher - que o livro encerra - uma mais valia para qualquer pessoa que o achasse digno de leitura.”

Recebeu várias propostas de editoras, mas quis abraçar o processo de construir um livro até ao fim, sozinho. “Acredito que um novo escritor, ou alguém que queira ganhar o seu lugar num certo mercado, tem de provar - antes de mais - a si próprio que o consegue fazer. Neste caso, um escritor tem de provar que consegue vender. Que as pessoas o querem ler. Tem de estar disposto a ser o primeiro a apostar em si antes de pedir a outras pessoas ou entidades que o façam. Um artista tem de ter coragem para mergulhar de cabeça. A morrer na praia pela sua arte. Essa realização foi o pontapé de partida para que me decidisse a fazer uma edição de autor - sem, na altura, ter noção dos custos, da responsabilidade e de todos os problemas que viria a ter”, conta ao Gerador.

Em janeiro de 2022, lançou o livro e o mesmo vendeu 600 exemplares em pouco mais de um mês, esgotando a primeira edição, sem estar presente em nenhuma loja física. Depois de toda a experiência, Poeta da Cidade afirma ser essencial um novo escritor iniciar a sua vida literária com uma edição de autor, “pelo conhecimento cumulativo que ganham sobre a área durante toda a experiência. O tempo que envolve. O tipo de decisões a tomar. O aumento da rede de contactos. A obrigação em pensar para lá da criação literária. O desenhar um plano de comunicação que traduza exatamente aquilo que o próprio quer. Ter mão durante todo o processo”, e ainda por poder decidir o caminho que quer que a obra leve.

O livro, que conta 192 páginas, reúne 6 ilustrações da autoria da artista argentina Ana Yael, inspiradas em seis poemas da obra. Este “casamento” entre a ilustração e a poesia, deu-se após Poeta da Cidade ter encontrado o trabalho da ilustradora nas redes sociais. Seguiu-a e pensou “se algum dia, por alguma razão, pensar em fazer algo com ilustrações ou precisar de uma ilustradora, ela será a minha primeira opção”. E assim foi. Quando o momento chegou, pediu-lhe que ilustrasse a capa e seis poemas. Como Ana Yael sabia ler português, desafiou-a a desenhar aquilo que cada um dos poemas lhe transmitia. “E ela criou aquilo que podem ver, 6 obra de arte (7 a contar com a capa) indescritíveis”, desvenda o poeta.

“Ela, Metafisicamente d’outro mundo” é um livro que tenta articular o sentimento mais profundo e imperscrutável que é o amor enquanto compasso guiante de todo o homem e de toda a mulher; o amor enquanto entidade imaterial que se estende para além do entendimento físico e lógico que se tem do mundo; o amor como a única razão de se endurar toda uma vida de sofrimento e dor. No entanto, este livro vai para além do papel. Poeta da Cidade criou um espetáculo à volta do livro e ainda pequenos videoclipes para os poemas, como o “Aqueronte” e o “Quando se descobre um amor pt.2” – “Decidi fazer algo que não sei se foi alguma vez feito para um livro de poesia: um espetáculo musical criado a partir da obra. No fundo, atribuir uma camada adicional de sentido. Acredito que aquilo que escrevi pede várias iterações de vários tipos de artes diferentes para criar aquilo que eu considero ser o produto final - até sentir que tudo aquilo que quis passar com aquilo que escrevi se encontra encerrado por uma panóplia de artes. Foi essa realização que me levou a incluir as ilustrações, porque senti que aqueles poemas específicos pediam uma outra dimensão de sentido. Foi essa realização que me levou a criar pequenos videoclipes para os poemas, como o "Aqueronte" e o "Quando se descobre um amor pt.2".E agora o espetáculo é a continuação do mesmo processo”.

Poeta da Cidade começou no digital, levando a poesia a 130 mil seguidores. Questionado sobre se a poesia está viva, e se se quer jovem, o autor afirma que está mais viva do que nunca. Por outro lado, refere também o papel dos últimos dois anos de pandemia no tempo de leitura – “Com a digitalização do ensino e com a sedentarização resultante das medidas de isolamento, o que devia ter resultado em, hipoteticamente, mais tempo de leitura ou mais tempo para nutrir um gosto literário, teve o efeito contrário. As pessoas, jovens e não só, têm lido cada vez menos”. Ainda assim, diz existir um “ressurgimento de um interesse pela poesia”, colocando o seu trabalho nesse âmbito, ao tentar, através das redes sociais, fomentar um gosto ou um interesse por ler, pela literatura, mostrando os benefícios ao fazerem-no.

Sobre a juventude na poesia, Poeta da Cidade reforça que estamos no meio de uma mudança cultural, “e a verdade é que somos nós - os jovens - aqueles com o verdadeiro poder de usufruir do melhor que o mundo do digital tem para oferecer e que pode muito bem significar uma nova "era" literária". Desde que lançou o livro, tem tido muitos relatos de pais que dizem que os seus filhos, apesar de não serem fervorosos leitores, adoraram o seu livro e adoram ouvi-lo dizer poesia, por isso, "é continuar este caminho!”.

O livro está disponível no site do autor, aqui, e o primeiro espetáculo está marcado para o dia 17 de março, na Casa da Criatividade, em São João da Madeira.

Texto de Patrícia Nogueira
Fotografia de Gustavo Carvalho no podcast Ponto Final Parágrafo.

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