Beatriz Pessoa, cantora e compositora, depois de uma estadia demorada no Brasil, apresenta o single “Elefante da Sorte”, que integrará o seu disco, Primaveras, com lançamento marcado para junho de 2020. Esta é uma canção em que a ouvimos cantar sobre as adversidades e controvérsias do amor, sobre seguir em frente e confiar no futuro. Com um videoclipe realizado e produzido pela cantora durante estes dias de quarentena, a canção “vem para aquecer os dias de Primavera em casa, talvez também de Verão, com a vontade de dar alento a este mundo incerto onde vivemos”, lê-se em comunicado.

A chegada de “Elefante da Sorte” é a afirmação de um alter ego multicultural de Beatriz Pessoa, que encontrou casa no Brasil e se deixou invadir por uma série de influências do Rio de Janeiro ou da Bahia, não abandonando o seu coração português munido de uma doçura e frescura que lhe são características. Já com dois EPs a colorir a sua biografia, Beatriz decidiu lançar-se para a composição de um disco de originais. Com o desejo de que o seu disco de estreia fosse o “mais honesto possível”, decidiu aliar o seu “vício por viagens e aventuras com a propagação” da sua música, partilha com o Gerador. Juntadas as poupanças e feitas as malas, seguiu para duas viagens. O primeiro desembarque foi em Nova Iorque, onde ficou um mês, seguindo-se o Rio de Janeiro, em que planeava ficar também um mês, mas acabou por estender a sua estadia até que o estado de emergência foi anunciado em Portugal.

Desde tenra idade que a cantora confessa ouvir todo o tipo de música. Porém, nota na música brasileira um papel crucial no seu crescimento, pelo que a inclusão de um toque tropical neste seu primeiro disco lhe pareceu evidente. “Queria conhecer a cidade onde o samba nasceu e queria viver as coisas que os meus ídolos da música tinham vivido (Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Nara Leão, Maria Bethânia, Gal Costa e mais uns mil). Cheguei ao Rio e apaixonei-me. No primeiro mês fui a todo o lado, falei com toda a gente e conheci músicos incríveis. Sempre que via alguém tocar, fosse na rua, num bar, pedia para cantar. E cantei sempre com sotaque português, mesmo que fosse samba ou MPB.
Acabei por conhecer músicos que estavam muito empolgados com o meu disco e com a minha forma de cantar, e que me falaram na possibilidade de gravar aqui”, conta.

Já com 12 canções escritas e compostas, uma delas em parceria com o cantor Cícero, foi assim que Beatriz encontrou um apoio nos músicos Pablo Arruda, Pedro Fonte e Danilo Andrade, que a ela se juntaram na gravação deste disco. Em janeiro de 2020, o grupo junta-se no Carolina Estúdio, em Santa Teresa, para gravar Primaveras. Durante este processo, Beatriz notou que a sua voz “mudava de timbre e sonoridade ao apropriar-se do sotaque brasileiro”. Para já, podemos ouvir o primeiro single, “Elefante da Sorte”, a música que abandona o deserto do corpo que não a queria, iniciando esta viagem que estabelece uma ponte musical entre Portugal e o Brasil, numa proposta da cantora.

Videoclipe de “Elefante da Sorte”, realizado e produzido por Beatriz Pessoa

“Elefante da Sorte” conta com a composição, arranjos e produção de Beatriz Pessoa e com os músicos cariocas Danilo Andrade (teclista de Gilberto Gil), Pablo Arruda e Pedro Fonte (baixista e baterista, respetivamente, membros da banda de Rubel) para dar vida a esta nova música da compositora.

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Beatriz Pessoa começou a traçar o seu percurso musical no Hot Clube de Portugal, seguindo para a Escola Superior de Música de Lisboa, de onde saiu licenciada em voz. Após uma temporada em Paris, encorajada pelo contrabaixista e amigo João Hasselberg, começou a compor canções. Assim, em 2016, vê o seu primeiro EP editado – Insects. Em 2018, avança para um segundo EP de originais – II. Por entre composições e EPs conquistados, vai pisando vários palcos em festivais nacionais e internacionais. Avança para uma série de viagens, em que se propõe a explorar a sua musicalidade noutros territórios, passando por Nova Iorque, e desaguando, ainda em 2019, no Rio de Janeiro onde se demora e grava o seu primeiro disco, Primaveras. Aguardemos pelo mês de junho para descobrir as histórias musicadas que a Beatriz colecionou.

Texto de Andreia Monteiro
Fotografia de Eito Moniz
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