De 24 a 27 de Setembro, decorrerá o Festival Lisboa Soa, “uma iniciativa itinerante e participativa que quer valorizar a criação artística, mas atribuir-lhe um contexto social e ecológico, de intervenção direta no espaço público”, cruzando a arte sonora, o urbanismo e a cultura auditiva.

Este evento decorrerá em diversas zonas da cidade, porque, um dos seus objectivos é fomentar “a participação da comunidade através da fruição de instalações e performances sonoras, da participação em workshops e oficinas de educação auditiva, de debates e passeios focados no sentido da audição”, continua a apresentação, disponível no site do mesmo.

Antes do início do Lisboa Soa, já estará a chegar uma bicicleta sónica ao Campo Mártires da Pátria. A Environmental Bike (Bicicleta Ambiental) é uma invenção, que está a ser desenvolvida em Berlim, do Bicrophonic Research Institute, sedidado no Reino Unido. Trata-se de uma bicicleta “que faz som e música ao vivo a partir da qualidade do ar que um ciclista percorre.” Com ela, poder-se-á ingressar numa nova descoberta das ruas.

Pelo caminho do Festival passaremos pelo Centro de Interpretação da Estufa Fria, onde, entre outros, poderemos encontrar o Colectivo Suspeito, com “Compasso Incerto”, “um habitáculo instável, tornado objecto sonoro pela activação do público que o explora”, Gonçalo Alegria, com “Coro”, onde, partindo da obra Electra de Sófocles, trabalha o som do texto, a função do coro, “recorrendo às mesmas técnicas usadas” por este último, ou Eunice Artur, com “Mysticeti” e a sua viagem, auditiva e visual, à relação íntima “entre a humanidade e a natureza”, sob a forma de “uma escultura/performance”.

No Palácio Sinel de Cordes (Trienal de Arquitectura de Lisboa), Gil Delindro, com “Fictional Forests”, uma “uma instalação Sonora e Novos Media”, fará da sala de exposição “uma incubadora de experiências sensoriais com organismos vivos, que através de uma nova observação, assumem formatos acústicos inesperados.”

No Mercado de Santa Clara, Henrique Fernandes e Tiago Ângelo partilham “Echoplastos”, “uma instalação sonora onde a ressonância (echo) é moldada (plastos) por materiais sintéticos, tóxicos e poluentes”, que nos fará pensar a forma como habitamos as cidades.

Pelo Jardim do Torel, Nuno da Luz, com “Corpo Clima”, encontraremos “uma série de captadores eólicos suspensos, a ativar pela força e movimento do vento”, que, na imprevisibilidade meteorológica, provocarão “tintinabulações e ressoares vários ao longo de cada dia para espantar os espíritos”.

A Garagem EPAL é outro dos espaços de trânsito do Soa. Com “Non-Place”, Nuno Mika, a partir do conceito de “não-lugar”, de Marc Augé, abordará a importância social e económica dos transportes, contrabalançando com a poluição sonora que provocam.

“Ilhas – uma constelação”, de Sara Anjo, “uma série de áudio-coreografias, um conceito inventado por resultar de um trabalho sonoro pensado a partir do corpo e do movimento e refletem acerca de três gestos primordiais da humanidade: respirar, caminhar e parar”, habitará o espaço Mãe d´Água das Amoreiras.

No Largo da Severa poderemos parar e encontrar a instalação “Lisboa Sem Título”, de Ana Água, Carmo Rolo e Ricardo Guerreiro, que “resultou da contribuição voluntária de várias pessoas que participaram na ação “Correio das Palavras” tendo o texto de Shahd Wadi servido como espinha dorsal do texto final.”

A criação sonora de Nuno Veiga, “Uníssono”, “uma peça de improvisação que propõe o movimento como veículo de criação e composição sonora em paralelo com o espaço acústico envolvente”, contará com a participação de Yola Pinto e terá lugar no Terraço EPAL, que também é um lugar de trânsito de outras criações presentes no Soa, assim como o Jardim do Goethe Institut, o Pátio da Galeria Monumental, o Museu da Cidade e o Panteão Nacional.

Outras iniciativas colocar-nos-ão em movimento, caminhando ao longo do som. Álvaro Fonseca, Francisco Pinheiro e Margarida Mendes, convidam-nos para uma caminhada sonora. Os primeiros, com “O que estão a ouvir, não é o que eu estou a ouvir”, membros do colectivo West Coast, procurarão partilhar “algumas das suas experiências no rio Tejo, criando um paralelismo entre o ambiente sonoro da cidade e os lugares ribeirinhos por onde têm estado com o projeto Guarda-Rios.  A partir de ações de escuta, pensaremos em conjunto a nossa relação com a cidade e as arquiteturas que nos levam ao rio.” Em “Water Walk”, com Margarida Mendes, abrir-se-á, também, o Tejo, através de uma “reflexão ecocrítica sobre a dimensão sónica dos ecossistemas aquáticos”, contando a cidade com a “lente do rio”.

Este evento também soará online, com distintos momentos, como o concerto “VirtuAural Self-Immersion” Live Streaming Binaural Headphone”, de Francisco López, ou o workshop “Deep Listening”, de Ximena Alarcon, que nos convida “a expandir a nossa consciência do som e como ele viaja através do tempo e do espaço, em lugares próximos e distantes”, por exemplo.

Para te pores a par do programa, clica aqui.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia disponível na página de Facebook do Festival Lisboa Soa