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Em sete anos de atividade, a Quebrar o Silêncio apoiou 718 homens vítimas de violência sexual

Durante o ano de 2023, registaram-se 124 novos pedidos de apoio de homens e rapazes sobreviventes. A associação destaca o aumento dos crimes de violência sexual contra homens adultos. Em entrevista ao Gerador, o presidente da Quebrar o Silêncio, Ângelo Fernandes, salienta a necessidade de continuar a “desocultar esta realidade muito pouco conhecida”.

Texto de Débora Cruz

Fotografia de Ümit Bulut, via Unsplash

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A Quebrar o Silêncio celebra sete anos e, desde 2017, apoiou 718 vítimas de violência sexual. Dos 124 homens e rapazes que procuraram o apoio da associação em 2023, a média de idades foi de 37 anos: o sobrevivente mais novo tinha 19 e o mais velho 68. Apesar de a maioria dos crimes de violência sexual contra homens ocorrer na infância ou na adolescência, o presidente da associação, Ângelo Fernandes, destaca que o abuso sexual pode acontecer em qualquer fase da vida, designadamente na idade adulta. “Sabemos que nestes casos específicos procurar ajuda pode ser particularmente difícil, nomeadamente porque existe o mito de que um homem adulto não pode ser abusado sexualmente. Estas ideias erradas reforçam o silêncio dos homens vitimados e contribui para que não contactem os serviços de apoio”, explica.

A associação indica que o número de pedidos de ajuda por parte de homens adultos vítimas de violência sexual tem aumentado ao longo dos anos. Em 2020, registaram-se dois e, durante o ano passado, foram feitos 12 pedidos. A Quebrar o Silêncio dá conta de que a maioria destes casos ocorreram num contexto de intimidade, ou seja, os abusadores eram pessoas com alguma relação de proximidade com as vítimas. 

Segundo os resultados do Inquérito sobre Segurança no Espaço Público e Privado, publicados em outubro de 2023, cerca de 20,1% das pessoas dos 18 aos 74 anos já foram vítimas de violência física ou sexual na idade adulta. No caso de violência em contexto de intimidade, os dados indicam que 3,8% dos homens já foram vítimas de violência física ou sexual por parte do cônjuge, companheiro/a ou namorado/a .

Dos 124 novos pedidos de apoio registados pela Quebrar o Silêncio em 2023, cerca de 9,9% das vítimas estabeleciam com o abusador uma relação de intimidade. Ainda assim, Ângelo Fernandes refere que a associação também tem registo de casos que aconteceram no contexto da saúde. “Por exemplo, em consultas ou exames médicos nos quais os profissionais usaram o seu estatuto e a sua posição de poder para abusar dos utentes”, esclarece.

Ângelo Fernandes sublinha que o abuso sexual de homens adultos é ainda uma realidade “bastante estigmatizada e silenciada”. Um dos objetivos que associação tem para 2024 é contribuir para desocultar, cada vez mais, estes casos. “Quando o abuso acontece na idade adulta, [os homens] sentem que não podem procurar apoio, porque julgam que a violência sexual contra homens adultos não acontece, e não é essa a realidade. Nós queremos contrabalançar este pensamento de forma a incluir esses homens, para que nenhum fique excluído.”

Sobre os sete anos de atividade da Quebrar o Silêncio, Ângelo Fernandes faz um balanço positivo. “Temos tido um aumento dos pedidos de apoio, e queremos chegar a cada vez mais homens que tenham sido vítimas”, declara, “este ano queremos reforçar a realidade de que os homens podem ser vítimas de violência sexual em qualquer fase das suas vidas.”

Para além dos 124 pedidos de apoio de homens e rapazes sobreviventes de violência sexual, a Quebrar o Silêncio recebeu também 55 pedidos de ajuda de familiares e pessoas amigas de homens sobreviventes, e cinco pedidos de homens vítimas de violência doméstica.

Para consultares mais informações, podes clicar, aqui.

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