Perante o contexto de crise que atravessamos, algumas entidades decidiram disponibilizar determinadas obras, ou mesmo todas, para livre acesso.

É o caso da Imprensa Nacional Casa da Moeda, que, procurando manter “o compromisso de serviço público com a cultura portuguesa”, partilha os últimos títulos da coleção “O Essencial Sobre…”. Entre estes, podemos encontrar O Essencial sobre Walt Whitman, de Mário Avelar, O Essencial sobre Charles Chaplin, de José Augusto França ou O Essencial sobre Dom Quixote, de António Mega Ferreira, por exemplo. Para conheceres a lista, clica aqui. A Imprensa Nacional Casa da Moeda, tem vindo a alargar o leque das obras abrangidas, pertencentes à mesma colecção, inaugurada, na década de 1980, por Vasco Graça-Moura, então responsável pelas edições da INCM. “A ideia era avançar com uma coleção sobre diversos temas da cultura e da literatura portuguesas, explicados de uma forma breve e acessível, para um público generalista e por um valor acessível”, lê-se no artigo “Combata o Isolamento, Leia Livros“, onde podes encontrar as 5 obras acrescentadas à lista. As últimas obras disponibilizadas desta colecção, cerca de 6, estão disponíveis aqui.

Recentemente, foi lançada outra iniciativa, agora com a colecção “250 anos. Breve História da Imprensa Nacional”, cuja disponibilização também se encontra repartida. Trata-se de uma “breve síntese adaptada a partir da obra que evocou e celebrou os 250 anos da editora pública: Indústria, Arte e Letras, de autoria de Maria Inês Queiroz, Inês José e Diogo Ferreira, dada à estampa em 2019. (…) Este é um trabalho que acompanha e dá a conhecer a história da editora pública portuguesa desde a sua criação, em 24 de dezembro de 1768, até ao presente, percorrendo o seu papel no setor das artes gráficas, da indústria do livro e da formação profissional, num cruzamento óbvio e inevitável da história do próprio país”, como se lê na descrição. Trata-se de 10 volumes, sendo lançado um a cada semana. O primeiro, A Régia Oficina Tipográfica, já se encontra disponível.

A Flop vai disponibilizar os seus quatro livros, um a cada semana. Começou por Três horas esquerdas, de Daniil Kharms. Seguir-se-á 145 Poemas, de Konstantinos Kaváfis, Cinquenta e seis – vinte e cinco da terra e do rio, trinta e um do mar e dos viajantes, de Esménio, e, por fim, Para acabar de vez com o juízo de Deus e outros textos finais (1946-1948), de Antonin Artaud.

A Amazon também está a disponibilizar e-books, disponíveis em várias línguas.

Porém, há outros espaços digitais permitem o livre acesso aos seus arquivos bibliográficos, o qual não surge na sequência da crise que vivemos. Na Biblioteca Digital Mundial podemos encontrar diversos tipos de documentos, como manuscritos, mapas, fotografias, e, até mesmo, livros raros pertencentes a diferentes culturas e países (cerca de 193). Conta com um total de 19 147 artigos do período compreendido entre 8000 a.C. e 2000.

Open Library, que se insere no Internet Archive, tem a particularidade de dispor de livros que já nem se encontram no mercado e de apresentar informação sobre outros que não estão acessíveis, constituindo-se como um repositório.

Wikisource é um projeto da Fundação Wikimedia, que reúne livros de ficção e não ficção, biografias e documentos históricos, em mais de 100 mil idiomas.

O Plano Nacional de Leitura dispõe de uma extensa lista de sites, nacionais e internacionais, com livros em formato digital de acesso aberto. Nesta, consta, por exemplo, o Project Gutenberg, a mais antiga biblioteca digital do mundo, com 38 000 livros, dos quais 523 estão escritos em Língua Portuguesa, a Biblioteca Digital Camões, a PO.EX, arquivo digital da Literatura Experimental Portuguesa e o Portal Domínio Público, biblioteca digital brasileira, onde estão disponíveis 21 obras de Fernando Pessoa.

Texto de Raquel Rodrigues

Fotografia de Perfecto Capucine, via Unsplash