Entre os dias 2 de fevereiro e 28 de abril, o mito de São Vicente volta a ser escrutinado em Lisboa, desta vez com uma exposição no Palácio Pimenta, numa co-produção entre o Museu de Lisboa e a Travessa da Ermida. Os oito séculos de distância entre Vicente e os artistas que agora pensam nele trazem uma visão que procura promover a "contemporanização do mito".

São Vicente é uma personagem histórica, associada a um mito medieval diretamente ligado a Lisboa, enquanto santo padroeiro da cidade. Em 2011, o curador e investigador, Mário Caeiro, no seio do Projecto Travessa da Ermida, pensou e desenvolveu um projeto que traz Vicente para a cultura urbana, dando-lhe novos sentidos. A revisão criativa e refundadora do imaginário da cidade de Lisboa e do que esta representa no seio da cultura portuguesa são o foco principal.

O “São” separa-se de Vicente para que se crie uma verdadeira relação de horizontalidade. Vicente passa a ser de todos e surge com um olhar crítico e “resiliente às pressões da massificação e da descaracterização” de Lisboa, como conta a organização. De 2011 em diante, propôs-se “a reinvenção de um extraordinário património imaterial”.

Os anos de 2014 e 2015 marcaram uma viragem na reinvenção de Vicente; passou a olhar-se “a diversidade da cultura europeia como oportunidade dialógica”. Em 2016, pensou-se a “cidadania criativa” e, em 2017, a viagem encontrou os também misteriosos corvos, cuja ligação ao mito de São Vicente é um ponto de interesse para Mário Caeiro, desde o começo.

A edição de 2018, Vicente — Lisboa, âncora do infinito, procurou recolher todas as dimensões do mito — entre elas a histórica, a espiritual, a política e a social — e pensar Lisboa “como lugar e ao mesmo tempo hegemonia de comunicação com o cosmos”. Nino Alfieri foi o artista convidado para expor na Travessa da Ermida, com uma instalação que uniu a pintura à cerâmica, numa homenagem aos Corvos.

Para 2019 está agendado o lançamento do livro associado ao projeto, “VICENTE. Símbolo de Lisboa. Mito Contemporâneo”, apresentado por António de Castro Caeiro e Idalina Conde, no dia 16 de março, e com um passeio performativo orientado por Nelson Guerreiro. Entre fevereiro e abril, os meses em que a exposição está patente, vão ser organizadas conversas e visitas guiadas, para pensar no mito em conjunto pelo 8.º ano consecutivo.

Texto de Carolina Franco
Fotografia de Agata Wiórko

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