Pedro Fidalgo apresenta-se em palco como Noble, porque “foi o termo mais próximo em inglês para Fidalgo”, nome pelo qual os amigos o costumam tratar. Com 22 anos, o artista sobe hoje ao palco de Amarante, a sua cidade natal. Não faz mais nada para além de música, e o seu maior sonho é encher um estádio.

“Há Fest!” é o nome do festival amarantino a ter lugar nos dias 10 e 14 a 16 de agosto. É ao início da noite deste sábado que Noble subirá para um primeiro concerto depois do êxito de “Honey”, um dos seus singles originais.

Gerador (G.) – Quando e como é que começaste a perceber que tinhas jeito para a música?

Noble (N.) – Eu sempre gostei muito de música porque ouvia muita música em casa. A minha família sempre foi muito musical: o meu avô paterno tocava muitos instrumentos e também cantava muito bem. Além disso, o meu pai também canta e sempre me puxou para esse lado mais musical. É daquelas coisas que sabes que faz parte da tua vida. Aos 14 anos, a minha avó deu-me a minha primeira guitarra e, a partir daí, comecei a tocar e cantar. Nunca mais consegui largar.

G. – Quem são as tuas maiores inspirações?

N. – A minha maior inspiração de todos os tempos é, e será sempre, o Bruce Springsteen. Para além de ser um grande compositor e escritor, é um exemplo enorme para quem pisa palcos. Ele é um performer incrível, e acho que é um exemplo a seguir, não só na música, mas também para quem faz disto arte e para quem quer aprender com os melhores.

G. – Para todos aqueles que estão a começar a carreira, é difícil entrar na indústria musical?

N. – É tão difícil como qualquer outra área. Eu acho que não devemos direcionar a nossa cabeça só para aí e pensar se é difícil ou não. Se fosse assim, ninguém entrava em nada e nem sequer tentava fazer nada na vida. Devemos pensar na paixão que nos liga àquilo que fazemos, e tudo o que vier é bom.

G. – Consideras que Portugal é um país pequeno para os artistas?

N. – Portugal é um país muito pequenino para os artistas. Somos um país de nichos, mas isso também acontece com qualquer outro país. No entanto, enquanto nos Estados Unidos ou na Alemanha são nichos grandes, os nossos são em ponto reduzido. O que, na realidade, torna as coisas um pouco mais difíceis.

G. – E é por isso que cantas em inglês?

N. – Essa acabou por ser uma das razões, chegar a mais pessoas. A razão maioritária foi porque a língua portuguesa é, sem dúvida, a minha língua favorita, mas eu não me sinto capaz de traduzir a beleza desta língua na minha forma de falar. Então, para não estar a cair no erro de representar mal aquilo que é nosso e que é tão bom, meti-me na língua dos outros.

G. – Quais as maiores dificuldades de se trabalhar neste ramo?

N. – Eu não tenho nenhuma razão de queixa e só tenho a agradecer por tudo, mas é sempre difícil porque, como já expliquei, é difícil entrar num nicho. Como são sete cães a um osso, é complicado para um artista novo conseguir entrar num mercado específico.

G. – “Honey” é o teu primeiro grande êxito de carreira. O que é que esta música significa para ti?

N. – Esta é a música em que eu ponho o meu peito desarmado e exposto a toda a gente. É uma música que retrata um problema de saúde que eu tive. Foi um período delicado em que havia muitas suspeitas de muitas coisas e muitas possibilidades. Então, escrevi a “Honey” que, no fundo, é uma carta de despedida para a minha namorada a dizer que ia ficar tudo bem independentemente do que acontecesse, porque o amor é a luz e é o que nos conduz.

G. – Há algo planeado para o futuro?

N. – Dia 17 de agosto será o primeiro concerto, em Amarante, no largo de S. Gonçalo, às 22 horas. A partir daí, ainda não tenho nada definido, mas sei que, no final do ano, ainda vamos lançar um EP que será apresentado, em princípio, na Casa da Música.

G. – Onde é que te esperas ver daqui a cinco anos?

N. – Adorava encher um estádio com pessoas a cantar as músicas comigo. Era o meu maior sonho.

Entrevista por Gabriel Ribeiro
Fotografia de Nuno Chanoca

 Se queres ler mais entrevistas sobre a cultura em Portugal, clica aqui