Todos os anos, pelo menos 130 cidades espalhadas pelo mundo lançam o desafio de se criar em apenas 48 horas uma curta-metragem digna de festival. O desafio dirigido a todos aqueles que queiram pôr em prática as suas ideias cinematográficas está também presente em Lisboa entre 10 e 12 de maio para dois dias de competição, que culminam numa festa de encerramento e entrega de prémios no dia 26 de maio no Musicbox.

O The 48h Film Project Lisboa chegou a Portugal no ano de 2009, e, tal como habitualmente, as regras do evento primam pela simplicidade: reunir uma equipa; fazer a inscrição; e aparecer no ponto de encontro do evento Kickoff (o primeiro dia de competição). Apenas 15 minutos antes de se iniciar a competição, cada equipa tira à sorte um género para o filme que vai fazer, que também terá de incluir uma personagem, um objeto e uma frase em particular. Profissionais ou não, todos se podem candidatar e integrar uma equipa que já deve incluir elenco e técnicos, não existindo um limite de participantes. O filme tem de ter no máximo 7 minutos, com um extra para a ficha técnica e terá de ser entregue no Dropoff num espaço de 48 horas.

Ricardo Mendes veio do teatro, participou no The 48h Film Project em 2016 e, desde 2017, que é produtor executivo desta odisseia que atraí toda uma nova geração de cinéfilos em busca de materializar o sonho de produzir um filme, neste caso, tendo apenas 48 horas para tal feito. Em entrevista ao Gerador, o responsável e membro do Coletivo Caixa Negra, realça que neste momento há, acima de tudo, dois objetivos a aprofundar pela organização: “alargar o festival a um conjunto mais heterogéneo de equipas e fazer com que os filmes produzidos tenham uma vida pós-festival.”

Aos olhos deste produtor, o The 48h Film Project Lisboa encara atualmente três perfis de participantes, que acabam por definir a verdadeira essência do evento. “Por um lado, existe a malta profissionalizada, ligada ao universo audiovisual; depois a malta de escola (nível superior) que esteja a ter formação no campo do cinema; por fim, pessoas que têm uma ideia para pôr em prática e que por curiosidade querem testar a sua capacidade”, explica.

Durante as gravações de um filme concorrente do 48h Film Project Lisboa

Dos Estados Unidos da América para duas cidades portuguesas
A verdade é que o modelo do The 48h Film Project é, hoje em dia, de grande sucesso em todo o mundo, atraindo milhares de participantes. O evento começou em 2001, em Washington, DC, nos Estados Unidos da América, pela mão de Mark Ruppert, quando decidiu fazer, juntamente com Liz Langston, uma curta-metragem em apenas 48 horas. O resultado surpreendeu-os e desencadeou a competição que já conta com um total de 30000 curtas-metragens realizadas, nove delas com presença no Short Film Corner de Cannes.

Em Portugal, o concurso está hoje presente em Lisboa, mas também na cidade de Castelo Branco (evento agendado para novembro de 2019). Para os próximos anos, a organização pretende sobretudo que haja uma maior circulação dos filmes realizados e que estes “tenham uma vida pós-festival”, até porque a «altura do “não vou mostrar a ninguém” morreu», sublinha Ricardo Mendes.

Tendo em conta o panorama português, o produtor executivo considera que o The 48h Film Project se encontra numa dimensão intermédia, entre filmes de cunho autoral mais vincado, mas que também apelam a um campo mais comercial, que atrai espectadores.

“Em Portugal, temos a dimensão de um cinema muito reconhecido internacionalmente, que passa por festivais de renome e que é premiado; além deste, existe depois um campo em Portugal, que é estritamente comercial. Acredito que o The 48h Film Project está na via do meio”, explica. “Por um lado, tentamos obter filmes cuidados, com visão, mas que ao mesmo tempo atraiam público. O festival integra dessa forma um tipo de cinema que o público em geral pode gostar”, acrescenta.

Além desta dimensão, Ricardo Mendes defende ainda que o modelo do evento ajudou a criar um espaço de criação artística e experimentação para profissionais de televisão com funções mais técnicas, estudantes na área do audiovisual e curiosos. “Acima de tudo, vale pela questão da comunidade e para que exista um espaço de criação alternativo, que permite que as pessoas possam experimentar e testar novos projetos”, sustenta.

Numa das sessões de estreia dos filmes concorrentes do The 48h Film Project Lisboa 2018

Ainda que o evento esteja ancorado à capital portuguesa, é possível filmar a partir de outras localidades. Segundo Ricardo Mendes, o requisito do The 48 Hour Film Project é que um representante da equipa esteja presente no Kickoff e no Dropoff (o último momento da competição). Tudo é possível, desde que seja filmado e montado no período de tempo estipulado pela organização.

Para a edição de 2019, a organização do The 48h Film Project Lisboa conta já com 21 inscrições. O Kickoff e Dropoff deste ano decorrem no LARGO Café Estúdio, no Intendente. Neste mesmo espaço, a organização equaciona a possibilidade de ter “sessões regulares dos filmes do The 48h Film Project Lisboa”. Além desta novidade, Ricardo Mendes avança que irá arrancar, a partir do próximo ano, a Academia 48h, com formação centrada em aspetos práticos e que, em outubro, conta com uma masterclass de Peter Vickers, realizador e encenador.

O vencedor deste ano em Lisboa vai competir contra curtas-metragens de todo o mundo no Filmapalooza 2020, em Roterdão, habilitando-se a ganhar o Grande Prémio de Melhor Filme do Ano, o que significa ver a sua curta no Short Film Corner do Festival em Cannes, também em 2020. Para além disso, os três melhores filmes serão premiados pelo festival FEST – New Directors, New Films Festival. Mas serão atribuídos prémios, para além do Melhor Filme, em diversas outras categorias, nomeadamente o Prémio Shortcutz Curtalisboa, Prémio do Público Gerador, entre muitos outros.

As inscrições para o The 48h Film Project Lisboa encontram-se agora numa segunda fase até 30 de abril, com um custo por equipa de 110€. Depois dessa data e até ao primeiro dia do evento, a inscrição tem um custo de 130€. As inscrições podem ser feitas aqui.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia cedidas pela organização do 48 Film Project Lisboa

 

O 48 Hour Film Project Lisboa é parceiro do Gerador

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