Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Entrevista a Rúben Caeiro: “Já se começam a ver melhorias na redução dos plásticos”

Foi durante o período que viveu em Berlim, através da experiência Erasmus+, que desenvolveu um…

Texto de Ricardo Gonçalves

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Foi durante o período que viveu em Berlim, através da experiência Erasmus+, que desenvolveu um projeto em que se desafiou a si mesmo a sentir os problemas que os animais enfrentam graças à poluição e ao consumo desmedido do plástico. Rúben Caeiro materializou a sua reflexão numa obra posteriormente destacada pelo P3, na qual substituiu os seres marinhos por seres humanos e os fotografou em situações semelhantes às que acontecem todos os dias pelos oceanos. 

A partir do projeto final de Erasmus, o Gerador convidou Rúben para desafiar representantes de diferentes áreas culturais a integrar “CH2 = CH2”, a obra fotográfica da Revista Gerador 27. Albano Jerónimo, Rui Unas, Margarida Pinto Correia, Chef Kiko, Patrícia Mamona e Benedita Pereira enfrentam a câmara de Rúben enquanto são consumidos pelo plástico e dão vida a uma nova ramificação da criação do fotógrafo. “O foco do projeto é usar o corpo humano como um elemento representativo desses seres vivos e das suas dificuldades perante esta problemática, através da Fotografia Conceptual e de uma visão artística”, explica. 

Em entrevista ao Gerador, Rúben Caeiro conta o que o inquieta e motiva a desenvolver o projeto e deixa claro que "há muitas abordagens" ainda por explorar. 

Gerador (G.) – A obra fotográfica CH2 = CH2 nasce de um projeto final da tua experiência de Erasmus em Berlim. O que é que te te fez despertar interesse para esta temática?
Rubén Caeiro (R. C.) –  Desde que cheguei a Berlim para fazer Erasmus, no primeiro contacto com a cidade consegui reparar na influência que este tópico já tem lá. A consciência das pessoas já despertou mais para este tema e as manifestações artísticas dentro desta temática, são mais que muitas. Por isso, eu próprio me vi quase na obrigação de ter um papel enquanto residente em Berlim naquela altura, e de agir de algum modo com os meios que estavam ao meu alcance.

G. –  De que forma é que a fotografia, como médio, pode ter um efeito sensibilizado para este tema?
R. B. –  Com a fotografia conseguimos ensaiar um objeto, um motivo e fazê-lo parecer o que nos quisermos, através da sua manipulação. Na minha visão, o ponto forte foi transformar todas as imagens que circulavam já há muito na Internet de animais envolvidos em plásticos, com o corpo humano, de modo a chegar mais perto e haver o factor "choque".

G. –  Sentes que fotografar humanos nas condições em que normalmente os animais se encontram nos oceanos é um fator de aproximação a quem encontrar a tua obra fotográfica?
R. B. –  Sim, sem dúvida. Não que as pessoas não se relacionem com as fotografias dos animais, mas o corpo humano a sofrer estas condições penso que consegue ter um peso diferente.

G. –  Ultimamente tem havido um maior movimento ativista direcionado para estas questões. Achas que a tua geração está mais desperta para a necessidade de mudar hábitos e fazer diferente?
R. B. –  Há modas que vêm por bem. E se assim for, melhor. O que há uns tempos era considerado um tema muito longínquo, hoje em dia a necessidade de agir é urgente. Seja ela qual for.

G. –  Como é que olhas para o atual panorama português relativamente à utilização dos plásticos e a poluição? É um tema que já faz parte da agenda política?
R. B. –  É um processo longo. É verdade que já se começam a ver melhorias na redução dos plásticos em restaurantes, mas as grandes companhias ainda não despertaram para o assunto. Se o consumo continuar porque é que eles haverão de deixar de produzir?

G. –  Para a obra fotográfica que desenvolveste para a revista Gerador, qual foi a abordagem e o processo criativo por que passaste?
R. B. Como foi um projeto desenhado exclusivamente para a revista com um número exato de pessoas, e com pessoas específicas, a única diferença foi tentar adaptar alguns plásticos que ainda não tinha explorado anteriormente como os cotonetes com o Rui Unas. De resto, foi reunir alguns plásticos e fotografar. Penso até que mais do que fotografar ou chegar à imagem final, o processo e a experiência durante a sessão fotográfica são até mais fortes. Como é que recebes alguém num estúdio improvisado e te perguntam "Então o que é para fazer?" e tu dizes "É enfiar este saco na cabeça e inspirar até ao limite".  Não é um processo bonito, mas a experiência é brutal.

G. –  Ainda há algum trabalho a fazer neste sentido, da tua parte? Esperas dar mais vidas a este registo?
R. B. –  Muito. Não considero este projeto fechado. Não fará sentido continuar a repetir imagens com sacos de plástico na cabeça, mas ainda há muitas abordagens a explorar.

 

"CH2 = CH2" foi publicada na Revista Gerador 27. Ao longo desta semana serão publicadas entrevistas a diferentes intervenientes da obra fotográfica de Rúben Caeiro, com o objetivo de perceber qual a sua visão no que toca ao panorama atual da utilização dos plásticos e às medidas que têm sido sugeridas e implementadas.

Texto de Carolina Franco e Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografias de Rúben Caeiro

Se queres ler mais entrevistas sobre a cultura em Portugal, clica aqui.

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

13 Abril 2026

Capicua: “A maternidade é o reduto onde o feminismo ainda não chegou”

23 Março 2026

Natalia Sliwinska: “A perspetiva 3D pode desbloquear certas memórias”

2 Março 2026

Laboratório de Ação Cívica: “Dentro dos partidos é muito difícil ter uma intervenção concreta”.

23 Fevereiro 2026

Luís Paixão Martins: “ Os nossos políticos não estão habituados a trabalhar em minorias”

26 Janeiro 2026

Alexandre Alaphilippe: “Mentir e espalhar desinformação já não é penalizado nas eleições”

12 Janeiro 2026

Pedro Jerónimo: “Se não existirem meios locais, que informação as pessoas terão [sobre as suas regiões]?”

22 Dezembro 2025

João Bernardo Narciso: “Grande parte dos alojamentos locais está na mão de grandes proprietários” 

10 Novembro 2025

Mckenzie Wark: “Intensificar o presente é uma forma de gerir a nossa relação com o tempo”

3 Novembro 2025

Miguel Carvalho: “O Chega conseguiu vender a todos a ideia de que os estava a defender”

6 Outubro 2025

Carlos Eugénio (Visapress): “Já encontrámos jornais [em grupos de partilha] com páginas alteradas”

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Autor Leitor: um livro escrito com quem lê 

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Futuro ou espaço de incerteza? A visão de Diogo Cândido sobre o ensino superior

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0