De dois cantos opostos do espectro musical, surgem os Throes + The Shine. Ninguém diria que uma fusão entre o rock e o kuduro seria possível, mas eles conseguiram o impossível, tornando-o numa das bandas mais elétricas do panorama musical português. Contam com mais de 50 concertos pela Europa durante os seus oito anos de formação sofrendo algumas alterações, mas mantendo a sua identidade firme e original.

Apresentaram no dia 16 de maio o seu mais recente trabalho de estúdio, Enza, que aqueceu as paredes o B.Leza, em Lisboa. Mas foi numa manhã atribulada, no Atrium do Saldanha, que o Gerador conversou com dois terços da banda sobre o que têm vivido durante estes anos e o que ainda está para vir.

 

Gerador (G.) – Vamos começar pelo início, como é que surgiu esta fusão?

Mob (M.) – Como dizem em Angola, “vamos começar no início da começada”.

Igor (I.) – No início, a formação não era esta. Começou comigo e com o Marco, com o Dilan e com o André que eram os The Shine, e eu e o Marco éramos os Throes. Isto aconteceu porque nos conhecemos na noite. Tocaram as duas bandas no mesmo sítio, que foi no Plano B no Porto, na altura em que havia lá concertos, e eles viram o nosso concerto e acharam alguma piada. Vieram falar connosco e ficamos com a ideia de fazer uma participação e depois ficou um bocado em águas de bacalhau. Nunca acontecia nada até que nós tivemos a oportunidade de fazer um vídeo para o Bodyspace e, quando isso aconteceu, nós resolvemos chamá-los para fazerem uma música connosco. Quando essa música saiu, surgiu logo um convite para fazer um festival, o Milhões de Festa, e em duas semanas fizemos oito ou nove músicas e fomos assim, e fizemos o concerto que correu tão bem que decidimos fazer disto uma banda. Depois com o tempo, o André Do Poster saiu na altura do segundo disco e entrou o Mob. Saiu também o baixista, e tivemos tantos baixistas que até tenho medo de enumerá-los a todos porque tenho medo de me esquecer de algum. Tivemos à volta de quatro ou cinco e, há dois anos, na altura do Paredes de Coura demos o primeiro concerto já sem o Diran e com o Mob à frente e basicamente é isso.

G. – O Milhões de festa tem sido um dos principais festivais para dar a conhecer novas bandas que acabam por se dar bem a nível europeu. Sentem que foi graças ao Milhões que explodiram?

I. – Nós não explodimos [risos]. Acho que foi uma boa montra na altura, foi bom para nos darmos a conhecer e começamos logo com o pé direito. Mas houve também muito trabalho da nossa parte para manter as coisas. Aliás, mudanças de agência, de formação… foi tudo importante. Basicamente, o mais importante foi quem estava na banda na altura, estava sempre focado para fazerem as coisas acontecerem. E o Milhões foi ótimo para nos mostrar numa primeira fase. Mesmo depois, no ano a seguir, já com o nome de banda em que tocamos no palco principal. Foi incrível, e temos muito a agradecer por nos terem dado a oportunidade, porque não era qualquer festival que nos punha a tocar num dos melhores horários, no palco principal, a uma banda com um ano. Foram uns queridos. [risos]

G. – Durante o vosso percurso, nunca puseram em causa esta fusão de géneros?

I. – Acho que, com este disco, fazemos um pouco isso. Não negando o nosso passado, ou aquilo que queremos fazer, porque a nossa base acaba por ter sempre o groove ou algo mais ligado às raízes africanas. Mas neste disco, temos um groove mais disco, temos malhas com um groove mais hip hop.

G. – A começar pela faixa com o Mike El Nite, surpreendente pelo género diferente ao qual não se estava à espera e acabou por funcionar bem.

I. – A premissa desta banda sempre foi essa, que era nós fazermos, a cada disco, algo diferente que não tínhamos feito antes. Durante todos estes álbuns, fomos tentando fazer isto, e acho que este álbum é aquele em que o fizemos mais e espero que o próximo tenha ainda mais isso.

G. – Em todas estas colaborações que têm feito ao longo dos anos, qual é aquela que querem manter?

M. – Todas as colaborações foram especiais, porque todas surgiram de momentos especiais. Há participações, há colaborações com músicos que nós nunca perdemos o contacto, como é o caso dos Sotomayor, que não conhecemos pessoalmente, só por emails.

I. – Lá está, por exemplo, a dos Sotomayor foi algo que já não é a primeira colaboração. Eles fizeram um remix da “Wanga” e da música “Ndele”, e nós gostámos mesmo do remix que eles fizeram e mantivemos o contacto. E nós também estamos a trabalhar numa música do próximo álbum deles. Ou seja, às vezes, há essas colaborações que surgem e que se mantêm, e nós nunca tivemos com eles pessoalmente. É incrível isso.

"Musseque" single de colaboração com Mike El Nite do álbum Enza

G. – Como é que foi o processo criativo do Enza?

I. – O nosso processo de composição para este álbum foi diferente dos dois primeiros, que funcionavam muito mais como uma banda de rock. Principalmente, eu e o Marco íamos para a sala de ensaios e fazíamos jams e as músicas surgiam um bocado a partir daí e depois os vocalistas metiam as partes deles e os baixistas. Neste momento, o que acontece é agora como somos menos e as coisas estão um bocado diferentes, tens plug-ins, programas muito mais sofisticados e intuitivos que tu podes usar em casa. O que acontece é que geralmente ou eu ou o Marco surgimos com alguma ideia de instrumental, e depois a magia é feita quando estamos juntos. A grande maioria das músicas surgiram assim. Praí uma ou duas é que surgiu em jam, mas não foram muitas. Depois, com a ajuda do Mob, desenvolvemos as músicas, ele faz as letras geralmente e é basicamente isso. É um bocado difícil de explicar, porque não tens propriamente uma fórmula. Eu posso estar em casa, penso numa coisa e começo.

M. – Pode até nem ser algo que o Igor toca, que é a bateria. Pode começar com uma guitarra ou com um synths, depois o Marco vem, acrescenta uma bateria, depois eu venho e digo “um baixo deste género ficava fixe”.

I. – Ele muitas vezes faz isso, que é dizer “olha esta parte aqui era mais fixe em vez de ser quatro vezes, ser seis vezes”. E era isso que o Mob estava a dizer, é engraçado, porque ao vivo eu toco bateria, o Marco toca sintetizadores e guitarra Mas o que é engraçado é que há músicas que fui eu que fiz a guitarra, e há músicas que fui eu que fiz os sintetizadores e geralmente também faço os samples porque eu tenho um MPC, e há músicas que o Marco fez a bateria e brincamos assim um bocado. Porque a bateria que ele faz não seriam coisas que me surgiam instintivamente e a maneira que eu toco guitarra não é a maneira que ele toca. E a forma que ele toca sintetizadores também não é a mesma maneira que eu iria tocar e daí é que surgem as coisas.

M. – No fundo, nós os três temos a liberdade de fazer um pouco daquilo que cada um faz. O Igor tem liberdade de compor letras e depois apresentá-las, o Marco tem liberdade de compor riffs de bateria, mesmo não percebendo posso dar uns toques de guitarra ou de synths. No fundo, temos essa liberdade de explorar um pouco dos três e quando nos juntamos fazemos a magia.

I. – Não há aqueles egos do pessoal ficar chateado por causa de fazer uma guitarra e ele fazer uma bateria, não há nada disso. Só se acrescenta, porque mais uma vez, há coisas que o Marco faz na bateria que se fosse eu a fazer não faria assim, tenho a certeza de que na guitarra é igual. Eu toco guitarra dedilhada, e o Marco toca de palheta e só aí é uma diferença do caraças.

G. – Já passaram alguns anos, vocês sentem que o conjunto está mais adulto ou continua uma criança mais velha?

M. – Eu sou um bocado suspeito porque eu não estou desde a base. Acho que vai amadurecendo de ano para ano e as influências vão aumentando. Estamos de mente mais aberta, mais recetíveis a novas coisas de novas partes. Por exemplo, eu nunca ouvi rock, era muito fechado na minha cena do kuduro, hip hop e por aí. Rock, metal, eram cenas que não eram o meu género. Mas hoje já me sinto recetível, mesmo que não seja a minha onda, mas para aprender e poder explorar, e talvez quem sabe puxar um pouco, beber um pouco disso, eu já ouço na boa. Já conheço algumas bandas rock que antes não sabia, e o mesmo acontece com o Marco e com o Igor. Há coisas que não conhecemos ou que não ouvíamos, mas hoje já estamos abertos, mais maduros. Se calhar, não é muito a minha onda, mas deixa-me ouvir para aprender mais.

I. – Há coisas que este último disco tem que era impossível ter no primeiro disco.

M. – A diferença é que neste disco o Igor canta, e faz uns agudos... [risos]

I. – Isso era algo impossível acontecer. [risos]

M. – Que muita gente quando ouve pensa “ui, quem é o que gajo que está a participar?”, mas é o Igor, [e dizem] “com essa voz assim?”, e o pessoal fica surpreendido.

I. – Ainda pra mais o pessoal tem uma ideia minha de que sou rude, que estou sempre assim meio de cara fechada.

M. – Quando mostrei a “Silver & Gold” ao pessoal, disseram “esse migo que colaborou tem granda voz”, “é o baterista” disse eu e eles “o baterista da tua banda? Canta assim? Com essa voz?” [risos]

I. – A criança vai estar sempre, amadurecendo, mas está sempre. E é sempre aquela coisa de estarmos muito atentos ao que está a surgir. Tudo o que vai surgindo nós ouvimos e podemos não gostar, mas ouvimos e damos um bocado. Quando era mais novo, coisas de R&B e hip hop eu nem ouvia, porque não era muito a minha cena. Eu curtia era rockn’rollgarage e essas coisas. Mas com a idade, continuo a gostar das mesmas coisas, mas vou abrindo o horizonte.

G. – Quanto aos concertos serem tão intensos, ainda não se cansaram?

M. – Acho que é isso que marca a diferença nos nossos concertos. Como se diz, isso é cereja no topo do bolo. Porque as pessoas quando vão a um concerto dos Throes + The Shine já estão mentalizados “não vou para lá ficar parado”. É como se fosse a nossa assinatura. Quando se fala em Throes + The Shine, fala-se de festa, a noite toda, do princípio ao fim.

I. – Quem trabalha neste ramo sabe bem como é que é. Às vezes, temos de lidar com tantas frustrações, o disco vem para trás, ou é o vídeo que não vem bem como tu querias, o ator que não está bem ali como tu querias... Às vezes, tens de lidar com essas coisas todas, e, quando chegas ao palco, é quase a tua banda de escape. Estás ali para ser ouvido e é isso que nós os três, e antes com as outras formações, sempre foi assim. Chegamos ao palco e deitamos tudo para fora e acho que vai ser sempre assim, mesmo que nos corra bem a vida ou mal, vai ser sempre assim.

M. – O palco é nosso momento.

I. – É quase como o produto final de tudo aquilo que temos andado a trabalhar, é para aquilo. Temos este trabalho todo para chegarmos ali e fazermos aquilo. O que nós gostamos mesmo de fazer é aquilo, tudo o resto é quase como um mal necessário. O que nós gostamos mesmo é de tocar, é o que nos faz sentir vivos.

G. – Com todos os concertos que dão na Europa, como é que é voltar a tocar em Portugal?

I.– Já não acontece há algum tempo. Vai acontecer agora porque tivemos em Utrecht e Berne e vamos tocar agora em Lisboa. Nós sentimos geralmente que lá fora, às vezes as pessoas são mais apanhadas de surpresa, porque ainda apanhamos algum pessoal que vai a festivais e assim que não nos conhece e olham para nós e aquilo parece-lhes mesmo exótico. Em França e na Holanda, este tipo de sonoridades já lhes é familiar. Um dos melhores elogios que nós tivemos, pelo menos para mim, foi quando estivemos na República Checa e na Croácia, e muita gente veio falar connosco e disse-nos: “não sabemos o que é que vocês fizeram, mas geralmente ninguém se mexe” e se mostrarmos vídeos está toda a gente a saltar. Foi incrível, foi dos poucos festivais em que tivemos em que o pessoal pediu encore, e em festivais geralmente não podes fazer isso. Mas os técnicos disseram “toquem mais duas”. Isso faz-nos vir de coração cheio para casa. Aqui, às vezes, o que achamos é que não é uma coisa tão exótica, as pessoas já estão mais familiarizadas com o que é o kuduro, e aquelas músicas com grooves mais africanos, mas sabe-nos sempre bem falar em português nos concertos.

G. – E fazer uma digressão pelo continente africano não é uma opção?

I. – Ainda não surgiu essa oportunidade para fazer uma viagem que é mais dispendiosa do que viajar na Europa.

G. – Vocês não são só rock nem kuduro, como é que é ir buscar um bocadinho de tudo?

I. – Há muita coisa que vem também, é um bocado o efeito de estarmos a viajar tanto, a tocar tanto, porque tocamos em alguns festivais de world music. Geralmente é onde nos encaixamos melhor, festivais de world music e eletrónica, e há muita coisa que se não fosse por aí não iríamos conhecer. Acabamos por conhecer as bandas, aliás no disco anterior, com o Pierre Kwenders foi assim. Ele tocou antes de nós, e vimos o concerto dele e dissemos que tinha de entrar no nosso disco. E assim foi, é um gajo do Congo e vive no Canadá. Agora fez uma música com o Branko, para o novo álbum, também está fixe. E é muito isto, nós vamos em tour e estamos sempre muito atentos ao que anda por aí. Nós nunca tínhamos propriamente feito nada, e já era uma coisa que queríamos fazer há já muito tempo e neste disco já tem uma música com um groove assim mais ligado à cúmbia, ao sembaTambém já tivemos um bocado desde o segundo disco, também foi algo que veio das primeiras tours.

M. – É importante, para nós artistas, procurarmos e explorarmos novos mundos, para não fazermos uma coisa muito monótona. Começou-se com rockuduro, guitarras pesadas e métricas sempre naquela de cantar rápido, se continuássemos nesse ritmo não seria nada novo. O nosso público ia-se fartar, que apesar de gostar daquilo que fazemos, também quer que arrisquemos noutras coisas. Eu, por exemplo, mesmo que goste de um artista, vinte anos sempre a cantar a mesma coisa sem tentar arriscar-se noutro género torna-se monótono. Acho que também faz parte do processo de crescimento do artista tentar explorar outros ramos, para não fazer só kuduro e tirar um pouco dali, tentar fazer a coisa um pouco diferente, uma coisa nova.

I. – Mas isso às vezes tem o outro lado da moeda, que é às vezes o pessoal fazer uma coisa diferente e que também acontece connosco, o “antigamente é que era fixe”. Mas a cena é que nós nem queremos saber. Nós fazemos isto por nós, se nos agradar a nós está-sebem. Tem funcionado até agora.

"Silver & Gold" faixa do novo álbum

G. – Durante estes anos, o que é que esta fusão vos trouxe individualmente?

I. – Para mim, principalmente, foi uma experiência cultural enorme. Há coisas que eu tenho a certeza de que, se não fosse esta banda, eu não teria viajado tanto, não teria conhecido tanta gente, não teria conhecido tanta música diferente. Que se não fosse esta banda, eu não iria procurar. A banda fez isso. Abriu-me muito mais a mente e hoje não digo que não a nada. Posso ouvir mais vezes ou menos vezes e se gostar ouço muitas vezes, se não gostar ouço aquela e acabou, mas ao menos vou ouvir. Há coisas que nunca ouviria antigamente, tipo Rihanna e coisas do género e que hoje vou ouvir aquelas produções e acho de mais.

M. – Também é esse aspeto da cultura, porque eu venho de um país em que antigamente só se conhecia as músicas dos artistas de fora quem tinha Internet ou parabólicas, e era quem era rico em Angola. Não tínhamos disso, então prendi-me aos ritmos da terra, kudurokizomba, semba, kuassa kuassa, kazukuta e por aí fora. E quando entrei na banda os meus horizontes expandiram. Passei a conhecer mais sobre música, mais sobre outras culturas e passei a ser mais flexível em determinados aspetos, tipo a estudar mais a cultura dos outros. Às vezes, quando estamos na nossa zona de conforto, perguntamos onde é que é melhor. Não conhecemos a do outro, mas achas que a tua é a melhor e quando te dás a conhecer a cultura do outro, e que te mostra como funciona, e mesmo o processo de composição, é altamente. E eu sempre dizia que nunca ia ser músico. Sempre dancei, até nas escolas de dança. Os meus amigos cantavam e diziam para eu cantar também e eu dizia que não, que nem tudo é para todos. Mas a vida levou-me por esse caminho. Antes eu pensava que ser músico era só pegar no microfone cair no palco, cantar, ir embora. Quando chegas para cantar, já tens tudo pronto e, no final de contas, não é nada assim. Deu para perceber como funciona a coisa a fundo, deu-me mais conhecimentos a nível de outras culturas, a nível musical.

I. – Só a nível musical as nossas viagens, às vezes a ir de carrinha de um lado para o outro, a música de um, a música do outro... Ainda temos um driver que é metaleiro, mas metaleiro a sério, e isso é fixe.

G. – No que respeita à cultura portuguesa, o que é que consomem e têm prazer em partilhar uns com os outros?

I. – Talvez mais hip hop, na onda do Mike El Nite, também curto do Nerve, acho que ele faz umas cenas fixes. Mas acho engraçado porque a nossa cena geralmente não é tanto partilhar artistas portugueses, mas podemos é dizer aquilo que curtimos.

M.– Também gosto de Fugly, têm cenas fixe. Às vezes, também ouço um pouco de Capitão Fausto.

I. – Mas lá está, não é aquela cena que seja preciso procurares, aparece-te. Posso falar de Linda Martini, Buraka Som Sistema, as cenas do Branko, Dino D’Santiago, todo aquele pessoal de quem geralmente falam, nós curtimos. O PEDRO também já nos fez um remix. Também gosto da Mayra Andrade e conheci o trabalho dela através do Branko, da música que fizeram juntos. E o último disco dela está brutal.

G. – Como é que definiriam o vosso contributo para a cultura portuguesa?

M. – Pelo menos desde que estou na banda, 85 por cento dos nossos concertos são fora do país, para dizer que o nosso contributo para a cultura é elevar o nome de Portugal e Angola além-fronteiras. Nós tocamos em festivais que muita gente nem tem noção e tocamos com muitas pessoas, e tocamos em palcos que poucos têm noção. Nós tocamos no palco principal do Dour Festival, partilhamos o palco com a M.I.A... Ainda há dois dias, partilhamos o palco com o 2mannydjs e outras bandas.

I. – Às vezes, dizemos ao pessoal da rádio que já tocámos no Down The Rabbit Hole, na Holanda, por exemplo, ou no Colours of Ostrava, na República Checa, em que tocamos no mesmo dia de Justice e Jamiroquai. Estavam os Justice passar no backstage, nós passamos e viramos e estava o Jamiroquai a aquecer a voz. No In Music Festival, tocamos no mesmo dia de Arcade Fire, eles tocaram no palco principal e nós no secundário. E o nosso palco era atrás do sítio onde se comia, e o Win Butler estava lá a fazer uma entrevista quando saímos, e sendo fã de Arcade Fire – é uma das bandas mais mainstream de que gosto e acho que são bastante completos e também são uma banda que se vão reinventado a cada disco e acho isso porreiro – e quando fomos falar com ele, perguntou-nos de onde éramos e nós dissemos que éramos de Portugal e ele disse que pensava que éramos do Haiti, e disse que curtiu e foi uma cena incrível. Mas acho que é isso, é divulgarmos o nome de Portugal e mostrar aquilo que fazemos e acho que para Portugal tentamos trazer tudo aquilo que absorvemos lá fora. Acaba por ser esse intercâmbio, vamos lá fora buscar coisas para mostrar aqui e o que desenvolvemos, mostramos lá fora, acho que é um bocado isso.

Texto de Rita Matias dos Santos
Fotografia de Natasha Cabral

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