Sempre que acordo é o espetáculo, com encenação e interpretação, de Lara Mesquita, e interpretação de Cirila Bossuet, com estreia no dia 21 de janeiro, no Centro de Artes de Lisboa (CAL). A peça irá abordar as vivencias e interpretações do racismo estrutural, na vida das autoras e surge como “meio de denúncia de informação privilegiada”. A obra conta, também, com o apoio à dramaturgia de Isabel Costa e Marco Mendonça.

O espetáculo tem como objetivo “informar e consciencializar as pessoas para comportamentos racistas “involuntários” e/ou “inconscientes…e pretende, sobretudo, demonstrar o quanto o racismo estrutural pode condicionar o desenvolvimento de crianças e adolescentes negros em Portugal” – refere Lara Mesquita.

Acrescenta que as experiênciais pessoais serão, também, uma forma de aproximação a um pensamento empático, e que o público sairá mais informado “para depois votar em consciência”, num país onde há “falta de informação e falta de educação” sobre as problemáticas apresentadas. “É assim que acontece a mudança na democracia, não é?”, termina.

Do formato “conferência-performance” irá desencadear-se, de dia 21 a 31 de janeiro, aquilo que espera ser, para além do que tem vindo a ser comunicado, um espetáculo com muito “estilo e elegância” com “um bocadinho de teatro e um filme documental”. Tendo já, experimentado um pouco da abordagem, na residência aberta, aquilo a que descrevem ter sido tão construtivo para as artistas, como para quem compareceu à conversa, deixando em aberto, a possibilidade de uma segunda edição. “A quem não conseguiu vir, não se preocupem: esta foi apenas a primeira apresentação”. Sobre o espetáculo “Há surpresas, prometo. E já me disseram qualquer coisa como “pedra no charco”… Mais não posso contar”.  

No momento, realizam uma campanha de financiamento para o espetáculo, no valor que cada pessoa puder contribuir, para pagar necessidades técnicas da peça, como a cenografia, desenho de luz e figurinos. A angariação já ultrapassou os trezentos euros.

O título “Sempre que acordo” surge de uma das conversas, em que Cirila Bossuet diz a Lara Mesquita, que a escolha de ser atriz, surgiu por ser negra e que tudo aquilo que fazem na vida é pelo mesmo motivo. “Sempre que acordo tenho de lutar pelo meu lugar no mundo”. “Escrevi uma cena depois dessa conversa, incluí a deixa “sempre que acordo” e muito rápido percebi que tínhamos descoberto, sem querer, o título do espetáculo. Acho poético sem ser piroso e muito concreto” – expõe a atriz e encenadora.

A criação estará em cena, de quarta a sábado, às 21h00, e domingo, às 17h00, no valor de oito euros.

Texto de Filipa Bossuet
Fotografia da cortesia de “Sempre Que Acordo”
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