Entre os dias 28 e 31 de março o Espontâneo – Festival do Improviso está de volta ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para a 8ª edição do evento que reune profissionais portugueses e estrangeiros do teatro do improviso. Desde que surgiu, em 2012, trouxe a Portugal improvisadores de todo o mundo e afirmou-se como o único evento internacional de improvisação teatral no país. Para entender melhor em que consiste o Festival do Improviso o Gerador falou com Marco Graça, o diretor. 

“A improvisação teatral é uma arte e também uma técnica. Uma técnica que permite, a quem está no palco, criar narrativas, personagens e situações, sem nenhum tipo de guião previamente estudado. Tudo isto, inspirado em sugestões dadas pelo público. O improviso é um género teatral efémero, tudo aquilo que é criado em palco é único e não voltará a ser feito do mesmo modo”, explica Marco. Para si, “é esta a grande magia da improvisação, o de ser um acto único, singular e completamente irrepetível, que envolve o público como poucas artes cénicas o conseguem fazer”.

Marco Graça conta que não existia espaço para o teatro do improviso em Portugal porque não havia “massa crítica” nem “existia na altura um grupo significativo de pessoas a levar a palco espectáculos de improvisação”. Surgiu daí a vontade de criar o Espontâneo, não só “para mostrar ao público que esta arte existia” mas também para dar a conhecer improvisadores e espetáculos internacionais, “que mostrassem as diferentes possibilidades e as diversas vertentes da improvisação”. Sente que atualmente o panorama se alterou e que, de certa forma com o contributo do Espontâneo, surgiram mais projetos de improviso nacionais. 

Criado em 2012 pela companhia de teatro Os Instantâneos, da qual Marco Graça faz parte, o Espontâneo sempre teve lugar em Sintra. Marco explica que se deve ao facto de a sede dos Instantâneos, e grande parte da sua atividade, ser nesta vila e que organizar lá o festival “foi um passo lógico” até porque já existia apoio por parte da Câmara Municipal de Sintra. “Acredito que Sintra, apesar de estar muitíssimo perto de Lisboa, se deve afirmar como um polo de criação cultural. Existe muita criação artística de qualidade, muitos projectos sólidos que desenvolvem a sua actividade aqui. Isto deve-se ao facto de ser um concelho muito jovem, logo com muita massa critica, que tem de cada vez mais, atrair público não só do concelho mas também fora dele”, conclui. 

Nesta edição vêm profissionais do Reino Unido, do México, do Brazil, de Itália, da Letónia, da Argentina, da Irlanda, do Reino Unido e até da ilha de Reunião. Um dos objetivos do festival é, nas palavras de Marco, “que a realidade portuguesa entre em contacto com a estrangeira e que com isso possa ser influenciada a procurar novas abordagens e novos caminhos artísticos”. “E esse intercâmbio é sem dúvida, uma parte significativa do festival. Juntar no mesmo palco, artistas de pontos tão diversos do mundo, obriga-nos a alargar os horizontes e a expandir as zonas de conforto”, explica melhor o diretor. 

Quanto ao tipo de público, Marco não acredita que seja possível defini-lo. “A improvisação vive do e para o público, não funciona em circuito fechado, como tal é garantido, que qualquer pessoa independentemente do seu background, possa ver um espectáculo de improvisação e tirar o máximo proveito daquilo que está a ser criado em palco , porque ela mesma contribuiu para tudo o que está a ser feito. Poderia dizer mesmo que a improvisação teatral é a comédia de improviso, são sem dúvida uma das artes mais democráticas que existem”, afirma. 

“É sempre dificil destacar algo, porque todos os convidados são extraordinários. Mas em vez de destacar nomes, destacaria aquilo que foram os objectivos desta edição do Espontâneo. Em primeiro lugar os espectáculos nos quais a improvisação musical é o parto forte, como é o caso dos ImproTop do México que irão improvisar um musical ao estilo da Broadway e do londrino Phil Lunn, que tem um espectáculo hilariante no qual encarna uma cabaretista decandente, que irá contar a sua biografia através de canções improvisadas”, destaca Marco. 

Este ano a organização também se focou na língua portuguesa, uma vez que não é comum ver “projectos falados em língua portuguesa afirmarem-se” e reforçou a presença brasileira. “Aproximar Portugal e Brasil tem sido uma vertente que temos explorado, pois a improvição no Brasil tem, nos últimos anos, ganho muita força e nós entendemos que é uma mais valia para todos este intercâmbio”, confessou ao Gerador. 

Como momento alto do festival Marco vira as atenções para os espetáculos de Mico Pugliares, de Itália, e Omar Argentino, da Argentina. Merecem ainda o seu lugar de destaque os espectáculos Ensemble, “nos quais todos os convidados independentemente da sua língua, sobem a palco e improvisam juntos.”

Além dos espetáculos o festival organiza o workshop “Finding your Inner Clown” no dia 30 de março com Keng Sam, cuja duração prevista é de três horas. Os bilhetes para o Espontâneo custam 10€ por dia e podem ser comprados no Centro Cultural Olga Cadaval, nos lugares habituais e na ticketline.  

Consulta toda a programação, aqui.

Texto de Carolina Franco
Fotografia de Festival Espontâneo

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.