“A nossa casa está a arder” é o mote desta greve convocada pelo coletivo de jovens que tem sido mais vocal quanto às questões do clima. No dia 22 de outubro, sexta-feira, às 10 da manhã, o encontro está marcado na escola António Arroio, e o apelo é feito a toda a sociedade.

"Os efeitos da crise climática já se fazem sentir com bastante intensidade. Inundações, secas, fomes, insegurança política e económica, migrações forçadas, tudo fenómenos cada vez mais recorrentes nos dias de hoje”, diz Salomé Farias, uma das porta-vozes da greve climática estudantil, em comunicado de imprensa.

"Historicamente, as crises, sejam de cariz económico, pandémico, etc., vêm sempre expor e aumentar as desigualdades já existentes, e que têm por base questões de género, etnia, orientação sexual e condição socioeconómica, disso é exemplo recente o acesso vergonhosamente desigual às vacinas contra a covid-19." aponta Bruna Silva, também porta-voz do colectivo. "No campo das alterações climáticas, as desigualdades não são menos notórias. As comunidades na linha da frente, ou MAPA (Most Afected People And Areas), fazem invariavelmente parte dos sectores mais fragilizados da sociedade, e os principais responsáveis pela crise que hoje vivemos estão longe de ser os mais afetados por ela, sendo a dicotomia Norte Global - Sul Global um exemplo gritante deste facto”, continua.

A Greve Climática Estudantil lançou recentemente uma greve permanente às aulas, com o objetivo de recolher 350 assinaturas para o compromisso VAMOS JUNTAS, que pretende bloquear a refinaria da Galp em Sines. A greve não teve a adesão esperada, mas Diana declara que apesar de esta ter terminado, “a urgência não”. “Reivindicamos uma transição justa e apelamos à mobilização da sociedade”. 

Além da greve desta sexta-feira, o bloqueio da Refinaria de Sines está marcado para o dia 18 de novembro, uma ação convocada pelo coletivo Climáximo. 

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