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Estado da (des)União

Joana Gonçalves fala-nos sobre a atual constituição política do Parlamento Europeu, alertando para o ressurgimento crescente da vertente de extrema-direita e o seu subsequente impacto na democracia, tomando como ponto de partida o discurso “Estado de União”, comunicado pela Presidente da Comissão Europeia.

Opinião de Joana Gonçalves

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Todos os anos, o/a Presidente da Comissão Europeia, cargo atualmente ocupado por Ursula von der Leyen, discursa para toda a comunidade europeia. Num ano onde a extrema-direita continuava a crescer pela Europa, 2023 não foi exceção.

Num tom reflexivo, o discurso “Estado da União” apresenta os principais desenvolvimentos, o funcionamento da União Europeia e prioridades para o futuro. Acredito que este discurso seja um motor muito importante para o funcionamento claro da Democracia Europeia, pois permite que os cidadãos europeus, que ao longo do ano não acompanham com detalhe os trabalhos da União Europeia, cheguem ao final do último trimestre e, de um modo muito sucinto, entendam o que aconteceu e o que poderá vir a acontecer. Ao longo do seu discurso, a Presidente enfatizou a prioridade de alguns temas como o combate às alterações climáticas, a política transnacional da União Europeia e a preparação para a Era Digital. Porém, questiono-me como é que estes desenvolvimentos irão decorrer enquanto se assiste ao crescimento de movimentos e partidos de extrema-direita pela Europa. Estados-membro como Itália, Hungria e Polónia, têm como governantes políticos, figuras representantes de partidos de extrema-direita, e Estados-membro como Portugal, Países Baixos e França, a eleger cada vez mais políticos de extrema-direita nos seus órgãos de tomada de decisão política. Neste contexto, torna-se bastante claro que estes mesmos partidos tenham um maior espaço para a palavra na casa da democracia dos cidadãos europeus, o Parlamento Europeu. Prevê-se que dos 720 deputados europeus eleitos, entre 40 e 98, serão pertencentes ao grupo político Identidade e Democracia, compondo-se atualmente por partidos de extrema-direita de países como Itália, França, Alemanha, Republica Checa, Países Baixos, e entre outros. Após as eleições europeias, que tomarão lugar em junho de 2024, prevê-se que Portugal integre este grupo, ao dar espaço até 4 deputados do partido de extrema-direita, no Parlamento Europeu.

Analisando este cenário, temo que a verdadeira prioridade será o combate a este ressurgimento, ou os mesmos tomarão conta dos rumos das próximas decisões políticas europeias, com base em ideologias e pensamentos que se embatem com os valores da União Europeia, a Democracia, o Estado de Direito, a Igualdade, os Direitos Humanos, a Liberdade, e a Dignidade do Ser Humano.

A verdade é que estamos a assistir a mais um ciclo da História, onde a Democracia demonstra as suas fragilidades, a população fica cada vez mais descontente, e assim, abre-se a porta para discursos populistas capazes de manipular eficazmente milhares e milhares de pessoas, seja por falácias, seja pela utilização de um discurso menos formal, ou por apresentar soluções políticas quase que imediatas- que apenas pioram o problema a longo prazo. Ainda no discurso, a Presidente fez um apelo à História. Gostaria de também de o fazer. Vivemos numa Era realmente capaz de quebrar alguns ciclos da História. Como nunca, temos um acesso inacabável à internet, à informação física ou digital, inteligência artificial, notícias infindáveis sobre qualquer assunto da atualidade, uma vasta rede democrática de opiniões e análises sobre o que acontece à nossa volta, é só saber utilizar a nosso favor. O descontentamento na democracia é normal, mas não será através de discursos de ódio promovidos pela extrema-direita, que o mesmo vai desvanecer, muito pelo contrário. É importante canalizar o descontentamento na tomada de tempo para ler, aprender, ouvir, discutir sobre os assuntos que nos assustam, sobre a História, ouvir os diferentes partidos democráticos, entender quais as melhores soluções para todos, a longo prazo, aceitar a diversidade como mote de crescimento de uma sociedade desenvolvida, como a europeia se considera.

Mais que fazer um apelo ao voto nas eleições europeias que tomarão lugar entre os dias 6 e 9 de junho, é fazer um apelo ao voto informado, preenchido pela recolha prévia de conhecimento.

*Esta opinião foi publicada no contexto do Europa Agora, o projeto do Gerador co-financiado pela União Europeia que pretende informar sobre o papel do Parlamento Europeu no dia a dia democrático, promover a participação cívica e mobilizar o voto para as Eleições Europeias de 2024.

- Sobre a Joana Gonçalves -

Natural de Faro. Licenciada em Relações Internacionais pelo ISCSP-UL. Atualmente Assistente de Gestão de Projetos Sociais.

Texto de Joana Gonçalves
As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.

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