Foi anunciado no passado dia 5 de junho o cancelamento do Festival Andanças, que estava agendado este ano para Castelo de Vide (Portalegre). A organização promete que este não é o fim e que o regresso trará um “formato adaptado” aos desafios emergentes. 

Corria o ano de 2016 quando um incêndio destruiu mais de 400 viaturas estacionados junto ao recinto do Festival Andanças, nas margens da albufeira de Póvoa e Meadas. Em março deste ano o presidente do município de Castelo de Vide, António Pita, confirmou à agência Lusa que o festival regressaria ao mesmo local e com as características originais do seu conceito. 

O cancelamento foi anunciado pela PédeXumbo – Associação para a Promoção da Música e da Dança, entidade organizadora do festival, através de um comunicado no site oficial, no qual alegam que “não estão reunidos os “pressupostos necessários” para desenvolver o evento que estava agendado para o período entre 4 e 10 de agosto. 

“Este regresso tinha como primordial objetivo assegurar que todos os participantes voltassem a desfrutar de um Andanças com duração de sete dias, pleno de entretenimento, com segurança e conforto. Contudo, apesar de todas as diligências realizadas, é neste momento impossível garantir os pressupostos necessários à realização do que projetámos para esta edição”, lê-se no documento.

Uma vez que não existia alternativa ao espaço onde estava prevista a realização do Festival Andanças’2019, a PédeXumbo não encontrou outra hipótese que não fosse cancelar a sua 24ª edição. No decorrer deste interregno, os promotores do Festival Andanças prometem desenvolver um novo formato para o festival, adaptado aos desafios que vão enfrentar no futuro.

“Neste interregno iremos projetar um Andanças num formato adaptado aos desafios emergentes, pensado para proporcionar condições que respondam às presentes alterações climáticas e que, assente na sustentabilidade e preservação do meio envolvente, garanta uma experiência plena aos nossos participantes, artistas, voluntários e parceiros”, lê-se no documento.

A PédeXumbo – Associação para a Promoção da Música e Dança informa ainda que todos os participantes que já adquiriram bilhete para o festival estão a ser contactados, no sentido de “articular o imediato ressarcimento” do valor despendido.

O festival regressava este ano às margens da albufeira de Póvoa e Meadas, depois de em 2016 ter ocorrido, a meio da tarde do dia 03 de agosto, a algumas centenas de metros do recinto, um incêndio num dos parques de estacionamento que, em menos de três horas, atingiu total ou parcialmente 458 viaturas.

Em fevereiro de 2017, o Ministério Público (MP) arquivou o inquérito instaurado ao caso, por não ter conseguido apurar as circunstâncias concretas em que o fogo deflagrou.

O advogado Pedro Proença, que representa 70 lesados, interpôs, em julho de 2018, uma ação no Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco contra a PédeXumbo, a Câmara de Castelo de Vide e a seguradora do grupo Crédito Agrícola, exigindo uma indemnização de 831 mil euros.

Contactado no dia 5 de junho pela Lusa, o advogado referiu que o processo está a decorrer, devendo realizar-se o julgamento em setembro ou outubro. “O processo está a andar e estou convencido que, para setembro ou outubro, teremos julgamento”, disse.

A Lusa tentou contactar o presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide para obter uma reação a esta situação, sem sucesso.

Há mais de 20 anos a proporcionar momentos de convívio, o festival Andanças promove a música e a dança populares enquanto meios privilegiados de aprendizagem e intercâmbio entre gerações, saberes e culturas. Revisita as edições anteriores do Andanças, aqui

Texto de Lusa e Carolina Franco
Fotografia de PédeXumbo disponível via Facebook
A PédeXumbo e o Gerador são parceiros

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.