Na edição em banca da Revista Gerador, @teresacfreitas é a instagrammer em destaque. Criou uma página dedicada à fotografia que já conta com 175000 seguidores. As suas imagens têm um efeito envolvente, transportando-nos para um ambiente muito próprio, com uma pitada de surrealismo, cheio de luz e onde predominam os tons pastel. O espanto que o seu estilo suscita, assim como a inevitabilidade de continuar a fazer scroll down para ver mais, mais e mais são uma constante.

Teresa Freitas tem 29 anos e nasceu em Lisboa, no Estoril, onde ainda vive. Para além da Fotografia, tem formação em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Teresa costumava dizer que se tornara fotógrafa por acaso, «porque não o planeava, mas acho que lá no fundo sabia que era isso que queria fazer. Fui publicando fotografias no Instagram, algumas revistas e marcas começaram a reparar», conta.

Tem trabalhado como fotógrafa e criadora de conteúdos para marcas nas redes sociais. Netflix, Dior, DKNY, Pantone, HP, Fujifilm, Huawei e Polaroid são exemplos de empresas para as quais Teresa Freitas já trabalhou. Mais recentemente, fez um stop-motion promocional para a Pandora, marca de joalharia, em que as peças ganham vida num fundo rosa-claro, enquadrado por flores, com sons que remetem para um bosque encantado.

«Tenho tido a sorte de poder fazer apenas aquilo que gosto, com um nervozinho constante porque não sinto a segurança de ser para sempre – mas é nisso que tenho de me concentrar agora, elaborar um plano para que o “para sempre” seja possível», revela.

Teresa Freitas criou a sua página de Instagram em 2012 com o objetivo de partilhar o que a rodeava, aquilo que gostava. «No início, o Instagram era muito sobre o momento, o agora, o instantâneo. Já andava na aplicação há algum tempo, a espreitar as imagens dos outros, mas um dia tirei uma fotografia na rua e publiquei-a.»

As suas fotografias são muito caraterísticas pelos tons dominantes, pelo surrealismo que lhes é empregue. «Sempre gostei da ideia de ter uma pitada de surrealismo nas minhas fotografias», revela. «Antes era muito mais evidente, eu achava de mais, mas agora é mais subtil, enche-me as medidas, mas sem transbordar.» Contudo, esta linha estética não está presente desde 2012. Se espreitarmos para as fotografias de 2014, por exemplo, encontramos imagens com uma atmosfera mais minimalista, com cores mais sóbrias e tons frios. «O desenvolvimento das minhas imagens foi acompanhado pelo desenvolvimento da edição. A determinada altura, quis começar a ser eu a editar do zero, por isso peguei no Lightroom e comecei a experimentar, a investir tempo, até chegar a estes tons que me agradam muito», conta-nos a instagrammer.

As fotografias de Teresa Freitas estão disponíveis na Subject Matter Art – uma galeria online de fotografia. «Gosto muito do trabalho das fundadoras que querem encorajar mais pessoas a comprar arte para que viver da arte seja uma possibilidade para os artistas. Comprar arte não é um processo fácil para muitas pessoas, há “bloqueadores” como a intimidação que sentimos nas galerias e uma falta de transparência no valor da peça», refere a artista. «As fundadoras querem mudar isso.»

Quando lhe perguntámos o significa ter 175k seguidores no Instragram, Teresa Freitas respondeu com simplicidade, sem pretensões. «Esse número diz-me que há muitas pessoas a gostar do meu trabalho. Só tenho de ficar contente por isso.»

Este artigo foi originalmente publicado no número 29 da Revista Gerador, disponível numa banca perto de ti e na nossa loja online.

Texto de Maria Costa
Fotografia de Teresa Freitas
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