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Estudo da Universidade de Aveiro prevê subida do nível do mar, mas descarta catástrofes

A investigação diverge das previsões divulgadas em 2019, que alertavam para uma submersão total ou parcial de cidades como Lisboa, Aveiro e Figueira da Foz até 2050. Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) consideram a omissão de fatores importantes para os resultados anteriores e verificam números menos preocupantes.

Créditos: Cortesia da Universidade de Aveiro

Publicada na revista Scientific Reports, a pesquisa foi conduzida por sete investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Física (DFis) da UA.

Os autores partiram da análise realizada há três anos pela ONG norte-americana Climate Central, que previu graves alagamentos em zonas costeiras de Portugal. O estudo atual aplica, pela primeira vez, modelos numéricos adaptados à Ria Formosa e de Aveiro, à foz do Mondego e ao estuário do Tejo e do Sado, e considera as conclusões de 2019 como exageradas.

João Miguel Dias, integrante da equipa de investigação, esclarece, em comunicado à imprensa, que os resultados da pesquisa anterior “desprezam os processos físicos que determinam a propagação da onda de inundação ao longo dos estuários”, como a frequência e duração dos eventos de inundação e a existência de barreiras de inundação, o que levou a leituras alarmistas do real impacto da subida do nível médio do mar.

Os números da UA, ainda que consideravelmente mais baixos do que os divulgados pela Climate Central, confirmam que, no futuro, haverá prejuízos decorrentes da perda de território. Os investigadores referem que, no estuário do Tejo, em 2055, 10.9 km2 de estradas e áreas habitacionais e industriais serão alagadas devido ao efeito combinado da maré e das alterações climáticas. Já a ria de Aveiro terá 6.4 km2 da cidade submersa e a foz do Mondego cobrirá 1.4 km2 da zona urbana daqui a 33 anos.

As áreas agrícolas e de pastagem serão as mais afetadas – no mesmo período, prevê-se 66 km2 de espaço rural coberto pelo estuário do Tejo; 57 km2 na ria de Aveiro e 33 km2 na foz do Mondego.

A análise reitera que a relação entre o nível do mar e a capacidade máxima de água nos estuários não é necessariamente direta. Ainda em nota à comunicação, a investigadora Carina Lopes explica que, nas regiões estudadas, com planícies de maré e aluviais, existe uma dissipação da energia da onda de inundação que se traduz numa redução do nível da água e, consequentemente, da extensão do alagamento. Uma foz estreita e pouco profunda, como é o caso em Aveiro e no Mondego, também atenua a onda que gera uma enchente.

Dadas as conclusões, os investigadores portugueses não recomendam a aplicação de modelos de inundação simplificados em sistemas estuarinos, de forma a evitar previsões que tendem a “desmobilizar a população e a gerar desconfiança na ciência”. Outra preocupação que o estudo levanta é a disponibilização de mapas de inundações de alta resolução e o apoio à tradução das projeções e dados científicos para o público, garantindo o “envolvimento e compromisso [dos cidadãos] na proteção das regiões costeiras e no combate às alterações climáticas”.

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