Achados arqueológicos que resultaram de escavações no centro histórico de Viseu, coordenadas por João Inês Vaz, há cerca de 30 anos, vão ser mostrados pela primeira vez numa exposição na Casa do Miradouro, a partir de domingo.

“Estamos a abrir, pela primeira vez, os contentores arqueológicos que resultaram das escavações coordenadas por João Inês Vaz, que é um nome marcante da arqueologia da região”, disse à agência Lusa o vereador da Cultura na Câmara de Viseu, Jorge Sobrado.

Esta é a primeira exposição temporária da Coleção Arqueológica José Coelho, que “é pequena em tamanho, mas grande em significado”, frisou.

“Do arquivo: a arqueologia na Rua das Ameias” é o nome da exposição que valoriza os trabalhos de escavação arqueológica promovidos pela Câmara, sob a coordenação de João Inês Vaz, entre 1988 e 1991, na Rua das Ameias.

A exposição resulta de um acordo celebrado entre a Câmara e a Direção Geral do Património Cultural, que permitiu ao município constituir-se como depósito temporário de um conjunto vasto de achados.

“Já recebemos cerca de cem contentores arqueológicos na Casa do Miradouro para estudo, observação e inventário”, contou Jorge Sobrado.

A investigadora Catarina Meira, uma arqueóloga que está a fazer o doutoramento em Viseu, durante três anos, é quem está a tratar os achados das escavações coordenadas por João Inês Vaz.

“A exposição tem esse caráter simbólico. Estamos a abrir contentores que nunca foram estudados, nunca foram inventariados e estão fechados há 30 anos”, realçou Jorge Sobrado.

A escavação foi encerrada em 1992, sendo agora trazido a público, com esta exposição, o arquivo de informação recolhido e produzido ao longo das quatro campanhas de escavação e pelos trabalhos de laboratório que se seguiram.

Segundo Jorge Sobrado, nesta exposição podem ser vistos “os documentos técnicos da época que foram feitos a partir das janelas de observação do solo abertas neste período, as fotografias produzidas pelos arqueólogos e achados, nomeadamente de cerâmica”.

Estes “já foram inventariados e permitem documentar a ocupação do período romano e do período medieval no centro histórico de Viseu”, acrescentou.

A autarquia tem a expectativa de, “muito brevemente, converter essa função de depósito temporário numa reserva municipal definitiva”, avançou Jorge Sobrado.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves e Lusa
Fotografia de Guy Beauchamp via flickr

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.