Foi divulgada no passado dia 2 de julho a programação da temporada 2019/2020 do Teatro Nacional Dona Maria II (TNDM II). Apresentada por espectadores que há mais ou menos tempo cultivam uma relação com o teatro, surge sob um mote que pretende ser claro e transversal: “Fazer a diferença”. 

“Queremos fazer a diferença com uma programação artística que espelhe a enorme diversidade da criação teatral portuguesa e internacional. Queremos contar as novas histórias da sociedade do nosso tempo e regressar às grandes histórias que atravessaram as sociedades ao longo do tempo”, lê-se no texto assinado por Tiago Rodrigues, diretor artístico do D. Maria II, no programa distribuído à entrada. 

Foi também de diferença que se falou na apresentação do programa, através do testemunho de espectadores que trocaram as cadeiras da Sala Garrett pelo palco e falaram da vida que o teatro que também é a sua casa — como tantas vezes referiram — vai ganhar no próximo ano. Da história de Alzira, que vive há 50 anos na Rua Augusta e até há bem pouco tempo nunca tinha entrado no TNDM II por achar que era “um sítio só para pessoas muitas posses”, à de Jasmim, uma violoncelista de 16 anos que acompanha as criações do grupo 23 Silêncio e visita regularmente o teatro, o final de tarde foi-se compondo com histórias reais que fazem, também elas, parte da História do Teatro Nacional D. Maria II. 

Entre setembro de 2019 e julho de 2020 o teatro nacional vai receber criações nacionais e internacionais, que bebem de clássicos ou nascem das sementes da contemporaneidade.

Alzira foi uma das espectadoras que subiram ao palco no lançamento da programação 19/20

De setembro a julho, o teatro enche-se de programação para todos (e com todos os gostos)

A temporada inicia-se, como já é habitual, a 14 e 15 de setembro com Entrada Livre, uma iniciativa com programação gratuita que este ano, pela primeira vez, se alarga até ao Capitólio e à Estação do Rossio, nesta última para leituras encenadas. No dia 14 às 21h30 Selma Uamusse dá as boas-vindas na varanda do Largo de São Domingos com um concerto também com entrada livre. 

Os primeiros espetáculos, Antígona, de Sófocles, com encenação de Mónica Garnel, e Colecção de Artistas, de Raquel André, abrem o leque das opções nacionais a que se juntam, entre outras, Mon€y da Mala Voadora; Purgatório – A Divina Comédia do Teatro O Bando; A Morte de Danton de Nuno Cardoso e do TNSJ; Canto da Europa de Jacinto Lucas; Damas da Noite de Elmano Sancho; Fake, uma criação de Inês Barahona com encenação de Miguel Fragata; Bruscamente no verão passado, encenado por Bruno Bravo a partir do clássico de Tennessee Williams; Tempo para Refletir, a nova criação de Ana Borralho e João Galante; Catarina e a beleza de matar fascistas, de Tiago Rodrigues; Romeu e Julieta, de John Romão; Aurora Negra, de Cleo Tavares, Isabél Zuaa e Nádia Yracema, vencedora da 2ª edição da Bolsa Amélia Rey Colaço. 

Pela primeira vez as salas Garrett e Estúdio vão receber o novo ciclo de 5 espetáculos “Danço, logo existo”, que se inicia com Seis Meses Depois de Olga Roriz e encerra com Bacantes – prelúdio para uma purga de Marlene Monteiro Freitas. À programação nacional e ao novo ciclo juntam-se grandes produções internacionais que pela primeira vez irão pisar as tábuas do TNDM II. 

“Já queríamos trazer esta peça há muito tempo para o Dona Maria. É uma das mais relevantes dos nossos tempos”, disse Tiago Rodrigues a propósito de Ricardo III, um espetáculo com encenação de Thomas Ostermeier — “um nome incontornável no teatro” —e da Schaubühne, que estará em cena a 31 de dezembro, 2 e 3 de janeiro. A esta grande produção juntam-se Ibsen House, do australiano Simon Stone, Crash Park, do encenador francês Philippe Quesne, e Bajazet, de Frank Castorf.

Uma temporada com parcerias reforçadas

Depois do sucesso da temporada anterior, o D. Maria II dá continuidade às parcerias que foi fazendo. Mantêm-se Clube dos Poetas Vivos, desenvolvido uma vez por mês em parceria com a Casa Fernando Pessoa; Boca Aberta, o projeto de espetáculos para a infância que este ano terão dois novos espetáculos no Salão Nobre Ageas; PANOS – Palcos Novos, Palavras Novas e K Cena, projetos de incentivo ao teatro jovem; e ainda a Rede Eunice Ageas, que promove a descentralização do teatro e leva produções do TNDM II em digressão nacional, agora com o apoio do Grupo Ageas Portugal. 

A parceria estreita entre o TNDM II e o programa de acessibilidade também será mantida através do reforço de audioguias, intérpretes de língua gestual, e até das sessões descontraídas. Mas essa, garante Cláudia Belchior — presidente do Conselho de Administração do Teatro Nacional D. Maria II —, passará com o tempo de um programa a uma prática regular e presente em todos os espetáculos.

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Texto de Carolina Franco
Fotografia de © Nuno Pratas (Damas da Noite de Elmano Sancho)

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