Momma T, Black Lavender, JAVISOL e O Marta vão ser as primeiras bandas a subir ao palco do Musicbox, no dia 28 de dezembro. Os quatro projetos musicais foram selecionados através do concurso Super Emergentes do festival e vão partilhar o espaço com Bandua, o projeto da dupla constituída por Bernardo D’Addario e Edgar Pereira Valente, convidados pela organização do evento. Já no B.Leza, no dia 29 de dezembro, vai ser a vez de THEMANUS, Ana de Llor, Siwo e A Sul, as restantes bandas selecionadas no Open Call, se apresentarem ao público. A convite da organização, Unsafe Space Garden, SFISTIKATED e o DJ James Flower vão também atuar.
No comunicado de imprensa, a organização do festival descreve o cartaz da 4.ª edição como “emergente”, “diverso” e “mais eclético que nos anos anteriores”. Os talentos emergentes e os projetos musicais convidados trazem, entre outras, sonoridades de soul, jazz, R&B alternativo, rock, hip-hop, música eletrónica e indie-pop. Ao Gerador, o diretor artístico e de produção do festival, Carlos Gomes, explica que o cruzar de géneros musicais aumenta a diversidade do evento e possibilita o cruzamento de públicos. “Essa, de facto, é uma vontade do festival”, explica, “é por estes processos de contaminação que as coisas se vão depois desenvolvendo e gerando outras”.
Sobre o panorama da música emergente, em Portugal, Carlos Gomes defende que a dimensão do território nacional não espelha a quantidade de projetos musicais que têm vindo a surgir e a desenvolver-se. “Para a dimensão do país que temos, acho que a música emergente nacional é, de facto, de uma diversidade e de uma riqueza brutal”, declara, “há muita qualidade e quantidade de bandas à volta do setor da música e, em particular, da música emergente”. O diretor artístico atesta que o Festival Emergente procura refletir este panorama. “[O festival] está muito atento àquilo que é a realidade e o contexto da música emergente em cada ano, consoante a evolução dessa própria realidade”, explica, “no fundo, somos reflexo disso mesmo”.
A principal missão do festival é “apoiar a nova geração da música portuguesa”, lê-se na nota de imprensa. Carlos Gomes acredita que “quando músicos com qualidade têm boas condições para explorar a sua música, ainda se tornam melhores músicos”. Desta forma, a organização procura promover, em todas as edições, as condições necessárias para que os projetos musicais selecionados possam “brilhar e fazer emergir o seu talento”, lê-se também. “Sentimos que as bandas que passam pelo Emergente acabam por colher frutos, não só pela própria passagem pelo festival, mas pela visibilidade que ganharam com a promoção que fazemos do evento e dos nomes que estão no line up”, reitera o diretor artístico.
Os projetos musicais Super Emergentes que vão atuar nos dois palcos do festival, concorrem ainda para os prémios de “Melhor Projeto Musical” e de “Melhor Concerto”. Os vencedores do primeiro são escolhidos pelo júri do festival e têm direito à gravação de um álbum ou EP, no Estúdio Camaleão. Já o segundo prémio é uma escolha exclusiva do público e os vencedores têm a oportunidade de dar um concerto/showcase na SBSR.fm, rádio parceira do festival há três anos consecutivos. “Os prémios são uma espécie de incentivo à continuidade dos projetos [musicais]”, afirma Carlos Gomes.

A “reinvenção forçada” do Emergente e o desejo de consolidação
A primeira edição do Festival Emergente realizou-se em 2019, mas a ideia de criar o evento surgiu no ano anterior, após Carlos Gomes e a sua produtora, a Transiberia, organizarem uma festa nos Santos Populares, em Lisboa. “A festa dos Santos Pecadores era um evento musical que ocorria desde as 16 horas [até] às quatro da madrugada”, explica o diretor de produção, “a ideia dessa festa era [fazer] o contrário do que acontece nos Santos Populares, [onde se ouve] música popular”.
O diretor artístico conta que a equipa criou uma “espécie de ilha dentro daquele ambiente da Mouraria”, através de uma programação que incluía jazz, música de dança e música eletrónica. “Para essa programação recorríamos muito às bandas emergentes, às bandas da malta mais novinha”, explica, “e de facto percebemos que nessas 12 horas havia público e que era interessante juntar os projetos, pois também percebíamos as dinâmicas”. Foi a atmosfera criada nesta festa que espoletou a ideia de criar uma programação que incluísse apenas bandas emergentes.
Para além da hipótese de programação, Carlos Gomes aponta ainda uma motivação pessoal que o levou a criar o Emergente. “Tenho um filho de 24 anos que é músico e há quatro anos, quando começámos, ele estava sempre a bombardear-me com as bandas dos amigos dele, com as coisas que ele conhecia e passava muita gente pela nossa casa para ensaiar com ele”, conta, “e eu comecei a perceber que havia ali uma dinâmica particular, que tinha muito que ver com aquela geração e que havia muita qualidade dentro do circuito da música emergente, em Lisboa”.
Enquanto produtor cultural e apreciador de música, Carlos Gomes sentiu que esta realização pudesse ser “uma espécie de chamada e de responsabilidade”. O diretor artístico argumenta que é importante não só apoiar, mas procurar dar o seu contributo e o da Transiberia para que “esta malta possa ter palcos, ou mais um palco, e um incentivo a prosseguir os seus sonhos e as suas ambições”. E assim nasceu, em 2019, o Emergente.
Desde esse ano, o festival tem vindo a “reinventar-se a cada edição”, lê-se no comunicado de imprensa. Devido às circunstâncias causadas pela pandemia e ao orçamento disponível, Carlos Gomes explica que essa reinvenção tem sido “forçada”. “Não é algo que tenhamos estabelecido de início como objetivo, mas a verdade é que, pelos tempos em que o festival nasceu, não tivemos outra solução”, reitera. O diretor artístico salienta, contudo, que fruto destas situações, a organização “perdeu o medo” da mudança. “Para além da natureza emergente do evento, o facto de todos os anos o festival ter um modelo ligeiramente diferente ao do ano anterior é quase uma espécie de segunda natureza nossa”, destaca.
Apesar da capacidade de reinvenção, Carlos Gomes confessa que a organização deseja fixar o formato e as datas do evento. “Tem sido muito interessante esta experimentação sucessiva, mas também achamos que realmente não é sustentável continuar todos os anos neste frenesim”, admite. Através de alguns apoios, o diretor artístico espera que o festival se torne “mais sólido e mais fixo” e que continue, cada vez mais, a “contribuir para o crescimento das bandas e para a sua visibilidade”.
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