O encontro está marcado para o Miradouro Panorâmico de Monsanto entre os dias 19 e 22 de setembro. Depois de ter pousado em Londres, Xangai e Rio de Janeiro, o Iminente regressa a Lisboa para refletir os conceitos de Identidade e Diversidade pelas cabeças e mãos de mais de 100 artistas de 11 nacionalidades diferentes, das artes visuais à música. 

Foi no jardim municipal de Oeiras em 2016 que tudo começou. O festival logo se afirmou como um espaço urbano para juntar o que havia de iminente na cultura portuguesa e dar palco a projetos que por algum motivo estivessem nas franjas da sociedade. Desde o começo com curadoria de Alexandre Farto aka Vhils e da plataforma Underdogs, reuniu nesse ano nomes como Paus, Batida, DJ Glue, Chullage, Halloween, Keso, DJ Firmeza, Isaura, Ana Moura ou Sam the Kid + DJ Big e Kalaf na música, e Pedro Matos, Wasted Rita, AkaCorleone, Bordalo II, Maismenos e Maria Imaginário nas artes visuais.

Os 3 palcos iniciais passaram a cinco e do Jardim Municipal de Oeiras, o Iminente passou a fazer do Panorâmico de Monsanto a sua casa. Mais do que a sua casa, a casa da nova cultura a fervilhar com diferentes quadrantes da cultura urbana — da musica às artes visuais, do b-boying à performance, da diversão à reflexão através de debates. 

“A ideia é juntar todas estas formas de expressão, promovendo a conversa e a troca de ideias – reunimos todos estes quadrantes de cultura urbana e criamos uma experiência daquilo que é iminente em Lisboa agora. Muitas destas intervenções levantam questões de identidade ou têm raízes na lusofonia, uma componente importante na afirmação do festival desde o início”, explica Alexandre Farto.

Um cartaz onde a lusofonia é "irrequieta, explosiva” 

Identidade e Diversidade servem de ponto de partida para o cartaz que alia momentos de fruição à reflexão. As novas formas de olhar para a cultura, seja ela portuguesa ou internacional, atravessam momentos de festival e confluem já, em antecipação num canal no Spotify — Spotify Festival Iminente — com curadoria de Shaka Lion, numa jogada de aproximação entre artistas e público. 

Nas artes visuais será possível encontrar no Panorâmico de Monsanto os portugueses AkaColerone, Ana Aragão, Blac Dwele, o Colectivo RUA, Francisco Vidal, Gonçalo Barreiros, Herberto Smith, Maria Imaginário, Rita RA, Sara Morais, Tamara Alves, Thunders Crew e Vhils. Destaque ainda para Sosek X Kaur X Coxas X Thiago Nevs, que evocam a presença do Iminente no Brasil, e Abdel Queta Tavares, artista natural da Guiné Bissau que expôs recentemente na Underdogs

Na música fala-se português em vários géneros, com mais ou menos história. Pedro Mafama, Mike11, Classe Crua, Dealema, Apollo G, Beatbombers, A Nossa Cena, Blackoyote, David Bruno, Deau, DJ Firmeza, DJ Nigga Fox vs. DJ Marfox, Fado Bicha, Filho da Mãe, Força Suprema, Fred, Holly Hood, Jair MC, Jibóia,Kappa Jotta, La Familia Gitana, Lab.I.O Slam Lx Poetas, Mynda Guevara, OMIRI, Palheta Jazz Trio, Papillon, Praso, Rafa G, Scúru Fitchádu, Shaka Lion, Sreya e Vado Más Ki Ás dão as mãos na programação musical, havendo ainda espaço para dois momentos de programação It’s a Trap — o primeiro com Julinho KSD, Minguito e Shocks49 e o segundo com Oseias, Young Boda, Syl, Circa Papi e 20chatear. 

Vado Mas Ki Ás abre o programa musical do Iminente no dia 19 às 18h30, no palco Outdoor 

 

A representar Cabo Verde e, em parte, uma nuance da Nova Lisboa e dos novos olhares que se vão cruzando com a cultura portuguesa estão Mayra Andrade, Bulimundo e Cachupa Psicadélica, e com sotaque brasileiro destacam-se Badsista, Linn da Quebrada, Maddruga e Vinicius Terra. 

Como o Iminente não se faz apenas de música e murais, estão programadas seis performances e dois happenings. “Anita Escorre de Branco” de Odete, “Brazilian Strip” de Mariana Barros, “De submisso a político: o lugar do corpo negro na cultura visual – parte 2” de Melissa Rodrigues, Iminente B-boys Battle e Orchidaceae na performance, e a instalação “±Nothing is for Free±” de MaisMenos e “Declaração de Intenção III” de Rita RA no happening.

Falar para desbravar cultura e pensar o futuro

Aos momentos de música, performance e happening juntam-se quatro conversas onde se pretende levar para cima da mesa assuntos de relevo para a cultura portuguesa, três delas desenhadas pelo Fumaça e uma pelo Gerador. 

“VIH e PrEP: interesse público ou farmacêutico?”, “Direito à habitação: o povo ainda por morar nas cidades?” e “Reparação histórica: é possível pagar as dívidas do colonialismo?” são as conversas pensadas pelo projeto de jornalismo Fumaça que, através de três painéis diferentes que podes consultar aqui, propõe uma reflexão conjunta ao contexto português atual, evocando momentos do passado que construíram as narrativas do momento. 

“Jovens e a cultura: a nova geração sente-se representada na cultura?” é a conversa do Gerador que junta num painel Luis Sousa Ferreira, diretor artístico do Festival Bons Sons, a cantora Selma Uamusse e DarkSunn, membro do coletivo Monster Jinx. Partindo de um dos resultados do Barómetro Gerador Qmetrics que indica que os jovens entre os 15 e os 24 anos se sentem pouco representados culturalmente, a conversa pretende levantar possíveis motivos e pensar como é que se pode dar a volta. 

Selma Uamusse vive em Portugal desde os 6 anos e trabalhou como engenheira até se dedicar por completo à música

Os bilhetes diários para o Festival Iminente têm um custo de 15€ e estão à venda nos locais habituais e na Ticketline. Os 5000 bilhetes diários — não há passes gerais — estão disponíveis a partir do dia 2 de setembro. Até lá podes ir ouvindo a playlist no Spotify e preparar-te para os quatro dias de festa que prometem ser tão inesquecíveis quanto as edições anteriores. 

Sabe mais sobre o Iminente, aqui.

Texto de Carolina Franco
Fotografia de ©Natasha Cabral
O Iminente e o Gerador são parceiros

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