Moimenta da Beira, vila situada no distrito de Viseu, recebe a partir desta segunda-feira, dia 20, a 1ª edição do Planalto – Festival de Artes. O evento dedicado às artes performativas decorre ao longo de seis dias e conta com mais 30 eventos, divididos por seis disciplinas artísticas, contabilizando mais de 80 horas de programação.

Teatro, dança, cinema, música, exposições, performance, clubbing, workshop’s, conversas, palestras e aulas são as áreas artísticas ou do pensamento sobre a qual a programação do festival se centra, subordinando-se às palavras “Construir” e “Integrar”.

Em comunicado, a organização do Planalto refere que o novo projeto tem a intenção de “promover a descentralização da cultura e da arte e de contribuir para desenvolver as mentalidades autocríticas da comunidade”, estando por isso desenhado para ser “implementado no interior norte de Portugal”.

Com direção artística e de programação de Luís André Sá, o Planalto “nasce de uma vontade pessoal e urgente de colmatar uma das enormes desertificações que acontecem nestes territórios interiorizados”, refere o responsável citado em comunicado.

A primeira edição do festival conta com a presença de artistas consagrados e premiados e artistas emergentes que procuram lugares para a consolidação das suas carreiras. Assim, neste Planalto constam nomes como o do cantautor brasileiro Luca Argel, que vem apresentar o seu último álbum “Conversas de Fila”, a coreógrafa e performer Sónia Baptista, com um projeto sobre o ato de estar só, em dose dupla a cineasta Leonor Teles, vencedora de um Urso de Urso na Berlinale (Berlim), o promissor realizador de “Infância, Juventude, Adolescência”, Rúben Gonçalves.

Além disso, a 1ª edição conta com duas performances em formato work in progress da brasileira Nina Giovelli e Marta Ramos, que apresentam “Bocuda” e “A body that hides also stands”, respetivamente. Ainda na dança, o bailarino e coreógrafo Francisco Camacho, que apresentará um dos solos mais icónicos da curta historia da nova dança portuguesa, “ Rei no Exílio – remake”. Joacine Katar Moreira, chega para remontar “Descolonizaaaaarte!”, a importante conferência em torno das ideias do colonialismo e do racismo, que criou e apresentou em março passado inserida na programação da Boca – Bienal de Artes Contemporâneas.

A 23 de maio, Miguel Bonneville, traz“MB#6” (2008), que integra um dos seus ciclos de espetáculos autobiográficos, este sobre um profundo encontro entre diversas identidades. Por sua vez, o coreógrafo português Rafael Alvarez convida o bailarino japonês Yuta Ishikawa, e apresentam em pós-estreia nacional o dueto “Na onda da distância”.

No penúltimo e último dia de festival, Sara Anjo apresenta o seu último projeto para crianças em dupla sessão. A primeira no Agrupamento de 1º Ciclo, e a segunda aberta a famílias e público em geral. A 25 de maio, é a vez das Sopa de Pedra, projecto a 10 vozes femininas decantares tradicionais “a cappella”, tornando-se uma das melhores revelações dos últimos anos na música portuguesa.

Para o público mais jovem, na primeira noite de encerramento do festival o rapper justiceiro, Mike El Nite, que traz o seu último álbum “Inter-missão”, seguido de dois nomes de peso da Enchufada (editora dos ex-Buraka Som Sistema), Progressivu e Dotorado PRO. Já no último dia, o Planalto – Festival das Artes encerra em festa com três blocos centrais da editora lisboeta Príncipe: Dj Nigga Fox, Nídia e Dj Narciso.

Entre muitas outras propostas, focadas na importante parte formativa do projeto Planalto com aulas e workshops, constam ainda nomes como Leonor Barata, Mário Afonso, David Marques, Romulus Neagu, entre outros.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Planalto – Festival de Artes

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