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Terça-feira, 17 Março 2020

Figueira da Foz cria projetos para aprender a fazer sal e preservar artes de pesca

O município da Figueira da Foz, distrito de Coimbra, tem em curso dois projetos, um de criação da Quinta do Sal, ligado à Ciência Viva, e outro de preservação das artes de pesca, foi anunciado ontem, dia 16.

Na reunião da autarquia, ontem realizada – que face ao plano de contingência da Covid-19 decorreu com os vereadores e funcionários municipais sentados em redor de um conjunto maior de mesas, afastados um metro entre si – a vice-presidente Ana Carvalho disse que o projeto da Quinta do Sal está a ser desenvolvido em parceria com a Universidade de Coimbra e o laboratório Marefoz.

Estará englobado no novo conceito nacional das Quintas de Ciência Viva, estando prevista a sua instalação no Núcleo Museológico do Sal, na margem sul do Mondego.

“Queremos transformar o Núcleo Museológico do Sal numa Quinta do Sal da Ciência Viva, virada para o saber fazer”, explicou Ana Carvalho.

Argumentou que aquela infraestrutura cultural, anexa à salina camarária do Corredor da Cobra, “vai manter a parte museológica”, mas o projeto passa pela criação de novos equipamentos, “mais virado para as crianças”, com uma “parte pedagógica de ensinar a fazer o sal”, entre outras valências, incluindo científicas.

O projeto passa por uma candidatura a um fundo norueguês, que assume 75% do financiamento desde que os imóveis a recuperar “sejam classificados”. Para tal, a autarquia aprovou ontem, por unanimidade, a classificação da salina do Corredor da Cobra, armazém de sal adjacente e o Núcleo Museológico do Sal como sítio de interesse municipal.

Outra classificação hoje aprovada, no caso como “conjunto de interesse municipal”, foi a de uma casa típica da povoação da Cova (o Abrigo do Pescador) e a embarcação Cova D’Oiro – ambas afetadas pela tempestade Leslie em 2018 – no âmbito de um projeto de preservação da memória e atividade das artes de pesca, promovido pela comunidade intermunicipal da Região de Coimbra, numa parceria entre os municípios de Mira, Cantanhede e Figueira da Foz.

Ana Carvalho disse que, para além da reabilitação de edifícios, o projeto “tem muito de imaterial”, já que pretende recolher imagens e outra documentação das artes de pesca naqueles três concelhos litorais.

“Hoje, só há uma pessoa, em Mira, que constrói os barcos da xávega. Queremos registar a memória dessa pesca em filme para que não se perca”, assinalou a autarca.

Quanto ao Abrigo dos Pescadores, o projeto poderá incluir, na casa, a venda de peixe retirado do mar pelas campanhas de artes de pesca do cerco ainda em atividade – são cinco na Figueira da Foz – e outras atividades como “aprender a fazer ou reparar redes”, acrescentou Ana Carvalho.

Já o presidente da Câmara, Carlos Monteiro, notou que a licença mais antiga das artes de pesca (também apelidada de arte xávega) “é do concelho da Figueira da Foz” e, referindo-se a preocupações ambientais sobre esta pesca de cerco, admitiu que é uma pesca de arrasto, “mas o que uma embarcação destas arrasta, relativamente a um arrastão, é ínfimo”, precisou.

“E quando 30% do peixe [que vem nas redes] é abaixo da medida, nessa maré não podem voltar a lançar as redes, é uma salvaguarda ambiental”, sublinhou o presidente da autarquia.

Texto de Lusa
Fotografia de Fredrik Öhlander disponível via Unsplash

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