O FIMFA Lx - Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas volta a estabelecer, em Lisboa, o ponto de encontro internacional do teatro de marionetas contemporâneo. De 4 a 23 de maio, mais de dez companhias nacionais e internacionais vão apresentar espetáculos em oito salas da capital. Resistência e o recomeço é o mote da programação.

No ano em que assinala 21 anos de existência, a abertura do festival terá lugar a 4 de maio no Teatro Nacional D. Maria II, com uma criação inspirada num dos grandes clássicos da literatura, Moby Dick. Um espetáculo da companhia Plexus Polaire, proveniente de França e da Noruega, que conta com cinquenta marionetas, projeções de vídeo, uma orquestra submersa e uma baleia-marioneta em tamanho real.

O São Luiz Teatro Municipal recebe Chaika, um solo para uma atriz, e uma marioneta de tamanho humano, livremente inspirado em A Gaivota de Tchékhov; Optraken, da companhia francesa Galactik Ensemble, que promete surpreender com a arte da queda; The Puppet-Show Man é uma criação com marionetas tradicionais de luva chinesas; e Maiakovski - O Regresso do Futuro, uma criação do Teatro de Ferro e do Teatro de Marionetas do Porto, que juntos constroem uma máquina do tempo para ressuscitar o poeta russo.

Pelo Teatro do Bairro passarão Petites Fables, um espetáculo onde Agnès Limbos, conceituada artista do teatro de objetos, apresenta quatro pequenas fábulas que são como um diário de viagem; Concerto para uma árvore, com criação e interpretação de Fernando Mota, que marca o início de uma pesquisa à volta de objetos sonoros criados a partir de árvores e materiais naturais; e Ambregris, da companhia francesa Les Antliaclastes, uma criação que aborda o mito do ventre da baleia e a busca pelo âmbar-cinzento, misturando Pinóquio, o capitão Ahab e Jonas, e utilizando marionetas de fios, de vara, de luva e sombras.

Já no Teatro Taborda, os Bonecos de Santo Aleixo, tradicionais do Alentejo e únicos no mundo, apresentam Auto da Criação do Mundo, um espetáculo dedicado a famílias e acompanhado de guitarra portuguesa e muitas cantigas.

O LU.CA - Teatro Luís de Camões recebe Branco como a noite e claro como o Preto, uma criação da companhia alemã Thalias Kompagnons, que, através de um técnica especial de pintura ao vivo, criará uma viagem de descoberta para destemidos e curiosos, e Bakéké, um espetáculo de novo circo e manipulação de objetos destinado a famílias.

No Museu de Lisboa - Palácio Pimenta, os espetáculos são também para ver em família e ao ar livre. A Limite Zero apresenta o tradicional Teatro Dom Roberto, com as suas peripécias, lutas e outras recriações, enquanto a companhia Radar 360º apresenta Histórias Suspensas, um dos espetáculos de encerramento do festival, que inclui um cenário de grandes dimensões, onde é possível fabricar sonhos e guardar segredos.

Este ano, o FIMFA Lx estende-se ainda ao Centro Cultural da Malaposta com Cinderela, um espetáculo do Teatro de Marionetas do Porto, destinado aos mais pequenos, que propõe uma nova abordagem a esta história tradicional, onde cabem muitas personagens saídas de outros contos de fadas.

“Resistir, recomeçar, renovar, reconstruir, reinventar - são as palavras- chaves para este ano. Ainda não será possível soprar as 21 velas ‘abraçados’, mas esperamos ansiosamente poder ver no palco, e ao vivo, os artistas a darem vida a todo o tipo de objetos, criando universos fantásticos em que tudo pode ganhar forma, num percurso desenhado pela memória, mito, equilíbrio, engenho, superação e espanto.”, referem Luís Vieira e Rute Ribeiro, diretores artísticos do FIMFA Lx, sobre a edição deste ano.

Texto por Flávia Brito
Fotografia de ©Jeff Lefranc (espectáculo "Ambregris")

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