Wow, bem, esta última semana parece que não existiu, foi a semana em que descobri o Clubhouse.

Estou inserido num grupo de criativos, empreendedores e, acima de tudo, de network chamado Team Founder (algo que aconselho a pesquisarem na Internet), e o Ricardo, um dos criadores do projeto, falou do Clubhouse. Vi que era algo diferente, porque só podíamos entrar com convite. Talvez por estarmos numa altura de confinamento, mostrei interesse e lá entrei, sem saber muito bem ao certo para onde estava a ir.

Quando lá cheguei, vi que houve logo uma ligação direta com a minha agenda telefónica e muitos amigos meus já andavam por aqui, aquele tipo de amigo que não está para perder tempo, um ponto a favor para a app.

Enquanto organizava o meu perfil, fui vendo que mais amigos iam entrando. Parecia uma entrada para um festival: enquanto procuro o meu bilhete, mil pessoas vão passando por mim e eu vou dizendo “olha tas por aqui?”, “epah, tu também aqui?”, “txii não te vejo há bué”, e, apesar de estar apenas a escrever a bio, estava com a sensação de que estava a perder algo, o que não sabia, mas tinha essa sensação.

Então, lá fui e entrei na app, e comecei a ser invadido por grupos de empreendedorismo, marketing, música, entre outras coisas, achei bastante intuitivo e digamos que percebi, em pouco tempo, o sistema e funcionamento da app. Não é mais uma rede social e acredito que tenha feito em pouco tempo mais ligações e criado mais oportunidades de negócio que qualquer uma das outras apps. Pode parecer ridículo, mas acredito que sim.

Em poucos dias, fiquei a perceber um pouco mais o que é o mundo do marketing, as criptomoedas ou como ser muito mais produtivo, achei muito interessante podermos estar na mesma sala com muitos entendidos de diferentes áreas e, acima de tudo, poder opinar e fazer parte da conversa a qualquer momento.

Estive numa sala onde se falava sobre a indústria da música, onde tivemos responsáveis por festivais a falar, A&Rs de editoras musicais, e, a certo ponto, a Ágata entrou na sala, acabadinha de chegar ao Clubhouse, o que foi muito engraçado, porque ainda estava a tentar perceber o que era a app e acabou por dar o seu contributo à conversa e falar sobre como tem sido gerir a carreira nesta pandemia.

Falando com amigos, percebi que algumas coisas que têm acontecido por aqui são bastantes positivas: novos negócios feitos, a criação de um festival, novas colaborações entre artistas e até uma nova relação.

Sendo a minha área o Hip Hop, obviamente criei uma sala, que, por acaso, começou apenas como teste na terça feira e está ativa até agora. Quis fazer um teste, abri a sala e, do nada, começou a entrar gente. O que aconteceu?Estamos, até hoje, a falar de Hip Hop.

Passou de tudo pela nossa sala: artistas, editoras, responsáveis por festivais e muitos entusiastas do Hip Hop. Dentro do que é o nosso apaixonante mundo do Hip Hop, já falamos de tudo, onde todos tiveram voz. É impressionante como numa só sala estiveram tantas personalidades que, de outra forma, não conseguiriam estar todas juntas a debater sobre vários assuntos.

O Kappa Jotta, que tem sido um dos grandes moderadores da sala que criei, fez várias vezes referência a isso — ter aparecido esta app e ter juntado todas estas personalidades do nosso movimento.

A app é apenas para IOS e apenas entra quem é convidado, não podemos gravar, se gravarmos podemos ser expulsos e a pessoa que nos convidou também, o que acho ser um dos motivos que ajudou a todo este buzz criado em volta da app.

Pelo que sei, o Twitter já tem em andamento algo parecido e até já fez testes, por isso, mais dia menos dia, os tubarões do social vão chegar e apresentar as sua novas versões do Clubhouse, mas acredito que quem aqui está desde início vá continuar.

Até lá, espero-vos do Clubhouse e se tiveres Iphone e queres entrar, fala comigo que estou cheio de convites.

-Sobre Nuno Varela-

Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas.Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.

Texto de Nuno Varela
Fotografia de Lucas Coelho
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