Um diálogo singular entre escultura contemporânea e arqueologia é o ponto de partida da exposição concebida por Francisco Tropa para o Museu Calouste Gulbenkian, que abre esta sexta-feira, dia 22, ao público.

Com o título “O Pirgo de Chaves” esta mostra inédita reúne um conjunto de objetos do século IV d.C., encontrados no decorrer das escavações arqueológicas de umas termas romanas, localizadas em Chaves e, uma série de esculturas desenvolvidas pelo artista português.

“Esta é uma exposição repleta de ideais muito simples e antigas num mundo que é cada vez mais completo e cheio de imagens”, realçou o artista sobre o seu trabalho, numa visita guiada com jornalistas.

Entre os artefactos recolhidos destaca-se uma rara torre em bronze, usada para lançar dados, que o artista coloca no centro da exposição. Esta torre, também designada por pirgo, estava enterrada num local não muito afastado dos esqueletos de duas pessoas que, no momento do desastre, estariam provavelmente envolvidos num jogo de dados à beira da piscina.

O contexto histórico levou o artista a explorar, em conjunto com Penelope Curtis, diretora do Museu Gulbenkian e o arqueólogo Sérgio Carneiro, conceitos como tempo e origem (desde logo da própria escultura); história e acaso; corpo, jogo e morte.

Juntamente com o pirgo, mostrado aqui ao público pela primeira vez, surgem assim outros objetos relacionados com as atividades do jogo e da escrita, apresentados lado a lado com várias obras de Francisco Tropa realizadas ao longo da última década e, também neste último ano.

Francisco Tropa é um artista português com um percurso nacional consolidado, iniciado nos anos de 1990. Nos últimos anos tem granjeado crescente atenção no circuito internacional, com participações na Bienal de Veneza (2011), Bienal de Istambul (2011), Manifesta (2000), Bienal de Melbourne (1999), e Bienal de São Paulo (1998).

A nova exposição está patente até ao próximo dia 3 de junho.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Teresa Santos

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