Bem, com  este texto, ou vou criar uma seita, ou a minha família vai internar-me. É um assunto que, quando estou parado num sinal vermelho, ou na caixa do supermercado, costumo pensar nele e nesta altura de quarentena tenho perdido mais tempo com esta minha ideia, que é o facto de pensar que nós, humanos, apesar de podermos comunicar uns com os outros e percebermo-nos uns aos outros, vivemos em frequências diferentes. E vocês perguntam: “e o que é viver numa frequência diferente?”. Então o Varela explica, até vou utilizar alguns exemplos.

Para mim, há certos assuntos que, por mais que sejam falados, as visões nunca irão mudar. Lembro-me do dia em que estava a pensar em mil maneiras de dizer a um amigo que a música não é “a praia dele”, já lançou um CD que, basicamente, só os amigos e familiares o compraram e na festa de lançamento só apareceu a namorada… e mesmo assim teve de sair mais cedo. Então pensei: vou dizer ao meu amigo “X” que, hoje em dia, existem vários truques que podem ajudar um artista, vários programas, efeitos (digamos que deixam as vozes mais bonitas e mais audíveis), e que nem todos nascemos para a música. Nisto, ele responde-me o seguinte: “concordo mano, nós que nascemos com o dom da música devíamos era ajudar os azarados que não tiveram a mesma sorte.”

Woooow… fiquei parvo, não disse nada e pensei: “não vou discutir com ele, a nossa frequência não é a mesma”.

Não é que eu queira acabar com os sonhos de uma pessoa, mas existem coisas que são óbvias. Acho que todos concordamos que aqueles “artistas” que aparecem nos programas de música, na parte dos “apanhados”, nunca foram a lado nenhum na área. Há poucos dias falei com um grande nome da música nacional sobre este assunto. Será que somos cruéis por dizer a certos artistas que, “não dá mais, não tentes, não continues a gastar dinheiro”? Se funciona como uma terapia e o dinheiro não te faz falta, good work, continua! Mas, se é algo que vemos que é prejudicial e afeta a sua vida pessoal, social e o indivíduo continua a sonhar com o seu show no Sudoeste no Palco principal, acho que devemos dizer-lhe algo. Ou seja, se ele está em AM, temos de puxá-lo para FM. Atenção, não quero com isto dizer que todos os que continuam a tentar há anos que desistam. Não se trata disso. Estou apenas a falar do pessoal que continua na frequência AM. Por exemplo, o meu grande amigo Phoenix RDC é uma enorme prova de que devemos lutar pelos nossos sonhos. Depois de muitos anos desconhecido para a maior parte, hoje pisa grandes palcos, mas ele sempre foi bom.

Outra questão que me faz muita confusão (e mais uma vez me faz pensar que estamos em frequências diferentes) é o facto de haver um grande número de indivíduos que pensa que o Wrestling é a sério, que aquelas pessoas estão, de facto, numa luta real. Lembro-me de um dia em que um colega meu, dos tempos do call center, ficou bastante zangado comigo porque eu disse que aquilo (Wrestling) era tudo mentira e que seria engraçado se eles lutassem a sério. Ao que ele me responde: “Varela eu vejo Wrestling desde miúdo! Queres dizer-me que há mais de 15 anos que vejo mentiras? És maluco!” Ok, não vou discutir estamos, apenas, em frequências diferentes.

Ok… eles magoam-se, até dão uns socos, mas todos sabemos que aquilo é uma grande “banhada”. Basta ver uma luta de UFC e ver Wrestling logo a seguir.


Ainda sou maluco ou já começa a fazer sentido?

Estou apenas a abordar alguns assuntos que acho que são óbvios para a maior parte das pessoas. As pessoas devem acreditar nos seus sonhos e gostos, mas digamos que todos conhecemos aquele artista que nunca vai conseguir ser “O Artista”. Existem coisas que vemos, de caras, que são mentira. Devemos acreditar em nós, mas não é sempre assim. Se agora houvesse a possibilidade de integrar uma equipa da primeira liga de futebol, por mais que acreditasse em mim e treinasse para isso, vamos ser realistas… eu não aguentava 20 minutos com aqueles monstros de alta competição. Estou a ser incorreto ao pensar assim? Considero que estou a ser realista, porque todos somos bons em alguma coisa, e este meu amigo é muito bom a …

-Sobre Nuno Varela-

Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas.Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.

Texto de Nuno Varela
Fotografia de Lucas Coelho
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