A Câmara Municipal do Funchal lançou, ainda em período de confinamento, o projeto “Funchal Cultura 2030”, com vista à criação de um plano estratégico para a cultura durante a próxima década.

Dividido em várias etapas, a primeira etapa do projeto está em curso desde 13 de maio e prolongar-se-á até dezembro de 2020. Focada na auscultação aos diversos agentes culturais, decisores políticos e técnicos municipais, a primeira etapa consiste, assim, no mapeamento cultural da cidade por via de seis sessões-debate. Ao todo são 30 os agentes culturais envolvidos, de áreas como teatro, música, museologia, dança, literatura e artes visuais. As sessões decorrem em formato streaming, através das plataformas digitais do Museu Henrique e Francisco Franco.

Em comunicado, a autarquia afirma que este projeto “surge na sequência do trabalho de referência realizado ao nível da cultura no Funchal nos últimos anos e concretiza uma reivindicação antiga dos agentes culturais, replicando o que está a ser desenhado por outras cidades a nível nacional, como Aveiro, Braga, Faro, Lisboa, Porto e Coimbra”.

A primeira sessão decorreu no dia 15 de maio, com a participação de Diogo Costa Goes, Raquel Fraga, Ana Nóbrega e Esmeralda Lourenço. Questiona sobre “qual será o museu do que queremos para o futuro”, tendo em conta o atual contexto, Raquel Fraga, diretora artística da Galeria Marca de Água, afirma que “os museus vão ter de se adaptar, e de se transformar, e se reinventar, de uma forma muito significativa. Numa primeira fase, vamos ter de olhar mais para os sectores educativos numa perspectiva de investigação e de conhecimento das colecções.” Segundo a historiadora de arte, “as receitas dos museus vão diminuir drasticamente, porque não temos fluxos de turistas”. 

No que respeita ao segundo debate, enquadrado na estratégia do concelho para o desenvolvimento de uma estratégica abrangente da cultura, este teve lugar no dia 4 de junho, numa conversa dedicada ao Teatro. Entre o painel de oradores estiveram Cristiana Nunes, Diana Pita, Eduardo Luís e João Gouveia. Durante a sessão “destacaram, sobretudo, questões inerentes ao financiamento, à profissionalização e à dignificação do teatro e de todos aqueles que trabalham para que o teatro aconteça”. Já o evento online dedicado à Dança contou com a presença de Vanessa Fernandes, Henrique Amoedo, Gonçalo Sousa, Sara Anjo e Leandro Rodrigues.

A quarta conversa tem já temática, dia e hora marcada. Os artistas convidados, Fátima Spínola, Henrique Leal, Teresa Gonçalves Lobo e Vítor Magalhães, vão marcar presença na página do Museu Henrique e Francisco Franco, no dia 9 de julho, pelas 18 horas, para discutir o impacto da pandemia nas Artes Visuais.

Madalena Nunes, Vereadora responsável pelo pelouro da Cultura explica que o “Funchal Cultura 2030 decorre da vontade de reforçar a aposta do Município na implementação de políticas públicas que privilegiem a qualificação da oferta cultural, o incremento de práticas e consumos culturais, a fixação de novos agentes artísticos e criativos no território e o posicionamento da cidade no contexto nacional e europeu”.

No princípio do próximo ano, a autarquia pretende apresentar um documento que orientará o projeto ‘Funchal Cultura 2030’. Em comunicado pode ler-se que “o município do Funchal tem assumido a cultura como um eixo central das políticas públicas, sendo que pretende com este plano desenvolver e implementar uma estratégia cultural abrangente e clara; melhorar os mecanismos de comunicação e divulgação do setor; estimular o trabalho em rede e responder aos novos desafios que se avizinham para o setor”.

Texto de Bárbara Dixe Ramos
Cartaz sessão Funchal cultura 2030