A Câmara Municipal do Fundão quer reunir histórias de emigrantes, imigrantes e refugiados para poder criar o Arquivo Audiovisual das Migrações.

O objetivo é "criar o maior arquivo oral e de imagem ligado às migrações, à experiência das migrações, visando não só os emigrantes da primeira geração mas também todos os que continuam a emigrar à procura de novas oportunidades e àqueles que encontraram aqui oportunidades", explicou o presidente da autarquia Paulo Fernandes, em declarações à Lusa.

Para conseguir concretizar esta "ambição" o município pretende reunir o maior número possível de relatos daqueles que tiveram de procurar melhor vida noutro país, mas também daqueles que fizeram o movimento contrário e que optaram por Portugal para se fixarem, ou seja, os imigrantes e os refugiados que o território tem acolhido. O resultado deverá contribuir para preservar a memória das migrações e será depois partilhado numa plataforma digital, que estará ao dispor da comunidade em geral e também da comunidade académica.

Frisando a importância de registar testemunhos antes que eles se possam perder, Paulo Fernandes também destacou que esta recolha abarca não só a emigração dos anos 60 e 70 (do século XX), como as segunda e terceira gerações (os filhos, os netos e até os bisnetos) e a forma como estas mantêm os vínculos ao território e à portugalidade. Por estas razões, o projeto é descrito como algo que irá promover o diálogo intergeracional e contribuir para reforçar laços de inclusão. "Temos aqui também questões muito significativas ao nível da Educação, nomeadamente para aquilo que é um país e uma região mais inclusiva e de acolhimento, mais tolerante e mais cosmopolita", acrescentou.

Além da vertente digital, este arquivo terá uma componente física, que ficará instalada no Seminário do Fundão e integrará o Centro Interpretativo das Migrações (que está a ser promovido pelo Governo em parceria com várias autarquias).

O projeto está a ser desenvolvido em parceria com o Jornal do Fundão e as inscrições para que cada um possa partilhar testemunhos abrem no dia 15 de julho.

Texto de Sofia Craveiro com Lusa
Fotografia de Krzysztof Hepner via Unsplash

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