No fim de 2018 foi lançada a Gig Club, uma promotora musical que criada por João Afonso que veio repensar a relação entre o público de concertos e a experiência musical por si só. Uma rede de concertos por subscrição, numa espécie de festival sem fim, na qual os sócios pagam uma subscrição anual e vão tendo acesso a espetáculos musicais de bandas emergentes que, de outra forma, não pisavam os palcos a que o Gig Club está associado tão facilmente. 

O processo é simples: por 50€ por mês os subscritores têm acesso a todos os concertos em Lisboa ou no Porto, e por 80€ nas duas. A quota anual — se é que lhe podemos chamar assim — inclui um bilhete gratuito, descontos nas entradas dos restantes concertos, a possibilidade de comprar bilhetes em fase de pré-venda para si e para um acompanhante, este último a um preço normal. Além do processo de aquisição de bilhetes ser facilitado, têm ainda acesso a eventos exclusivos e gratuitos, como os Secret Gigs, que vão ser lançados em breve, e o L1STEN, eventos de pré-escuta de discos. Em entrevista ao Gerador, João Afonso garante que vão anunciar em breve “algumas parcerias estratégicas para consumidores de música, em todos os formatos”, tornando a proposta “ainda mais atractiva”.

O Gig Club está disponível online desde o dia 12 de dezembro e desde então já passaram pelo Porto e por Lisboa a canadiana Jessy Lanza, no dia 12 de janeiro no Lux Frágil e no dia 24 no Pérola Negra, e Low Roar, no dia 12 de fevereiro no Musicbox e no dia 13 no Hard Club. Para maio está agendado o concerto do saxofonista Kamasi Washington, no dia 10  no Hard Club e no dia 11 no Lisboa ao Vivo, e Toro y Moi, no dia 22 também no Lisboa ao Vivo e no dia 23 no Hard Club. No que toca ao feedback por parte do público, João Afonso diz que “tem sido ótimo”. “As impressões que temos recolhido têm sido muito positivas, principalmente porque a esmagadora maioria percebe que o Gig Club é muito vantajoso para o consumidor, principalmente se este for regularmente a concertos”, explica ao Gerador.  

Este slideshow necessita de JavaScript.

Ainda que seja uma ideia fora do comum, o CEO e responsável pela curadoria da programação tem vindo a perceber que o conceito está a chegar ao público com clareza. “Quem aderiu ao Gig Club, não aposta só num concerto e compra mais do que um bilhete. Isto demonstra que os nossos membros não só percebem a ideia, como ainda demonstram confiança no projecto. Este efeito vai ficar mais perceptível quando anunciarmos o resto da programação para 2019, uma vez que quanto mais concertos tivermos, mais claro vai ficar que a subscrição fica paga com três ou quatro bilhetes”, diz João Afonso. 

Lisboa e Porto são as cidades abrangidas pela promotora, mas o objetivo é ir mais longe. Em 2019 os concertos vão chegar a Madrid e Barcelona, com datas que vão ser anunciadas em breve, e Londres também entra como possibilidade de cidade embaixadora do Club. João Afonso esclarece as vantagens que vê em alargar o projeto internacionalmente: “Sabemos o valor do que estamos a fazer e o quanto pode melhorar a experiência de um consumidor de música. Não queremos ficar-nos por Portugal. Não só para os nossos membros, que podem começar a usufruir da Global membership fora de Portugal, mas para todos os envolvidos nestes processos. Ao abrirmos noutras cidades vamos ter outro poder negocial com agentes dos artistas com quem teremos trabalhar, e maior capacidade de marcar concertos. Ao mesmo tempo, também permite colocar Portugal no mapa das digressões de concertos com uma força maior e fazer com que bandas que não actuem por cá fora do contexto de um festival o comecem a fazer mais regularmente. Isto não é apenas uma vontade nossa, é também uma necessidade que sentimos para podermos programar mais regularmente e oferecer experiências verdadeiramente especiais aos nossos membros.”

João Afonso quer pensar na pegada de Portugal no que toca à programação e à presença nas digressões de concertos. Admite que não vê relevância em incluir bandas portuguesas como cabeças de cartaz dos eventos do Gig Club enquanto o projeto estiver a funcionar apenas em Portugal uma vez que, nas palavras de João, “A ideia desta comunidade é proporcionar eventos e momentos exclusivos aos nossos membros, e não podemos exigir às bandas portuguesas que parem de tocar para cumprir este propósito”. “Queremos que toquem ao máximo e que tenham rodagem suficiente para nos acompanhar quando abrirmos noutros países. O que vai acontecer é envolvermos projecto nacionais regularmente nos nossos eventos como banda de abertura, ou noutro tipo de contextos, que nos permita dar a conhecer esses projectos a novos públicos.”, acrescenta.  

Na segunda-feira, dia 11, os First Breath After Coma apresentaram o álbum que vão lançar em março no Passos Manuel, no Porto, e repetiram a sessão no dia 15 na Casa Independente, em Lisboa, inseridos no L1STENPodes acompanhar as novidades da produtora que já é um verdadeiro clube de gigs com associados e nos confunde ao chamar-lhe “o” ou “a”, aqui.

Texto de Carolina Franco
Fotografias de ©André Henriques / Gig Club

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.