Durante o período de confinamento, entre 20 de março e 15 de maio, sete artistas emergentes responderam ao convite da curadora Isabel Ouro para pensarem a Imagem, resultando numa exposição coletiva de 10 peças realizadas exclusivamente para este contexto. IMAGO, latim para imagem, é o nome da exposição que procura dar sentido e razão ao espaço normalmente inacessível a este conjunto de artistas.

Colegas da Licenciatura em Arte Multimédia, pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa (2015-2018), estes artistas haviam já exposto em conjunto na Galeria Arte Graça o projeto “Out the Window”, durante o mês de fevereiro. Ainda este ano, tinham marcada uma outra exposição para finais do mês de março, que acabou por nunca chegar a acontecer devido ao estado de emergência decretado no dia 18. 

Nascidos na segunda metade dos anos 90, Afonso Laranjeira, Anita Marante, Catarina Santos, gonssalo, Guilherme Curado, Joana Pimentel e Pedro Tavares, rapidamente perceberam que o fechar das portas dos espaços culturais não os iria impedir de continuarem ativos e de expor, independentemente das circunstâncias. Impulsionador do projeto, gonssalo conta que já em casa, na paragem forçada do país devido à pandemia, “cada um foi propondo ideias e juntos começamos a discutir o que queríamos ou não fazer”. Dos momentos de diálogo e conversa, que afirma terem sido “muito importantes para manter uma certa sanidade mental durante o confinamento”, surge a ideia para a performance que o grupo tem mantido nas suas redes sociais.

“Cada um de nós, a partir das suas casas, trabalhou durante três semanas para conseguirmos simular uma exposição numa galeria em Lisboa”, afirma gonssalo. A ideia partiu do trabalho pessoal que gonssalo tem vindo a desenvolver desde o tempo em que voou para a Alemanha em Erasmus. Durante este período começou a explorar a modulação 3D, como “uma das maneiras que tinha de apresentar o meu trabalho, que não existia fisicamente, mas sim em imagem ou conceptualmente”. “Ao colocar os objetos em locais que se parecessem com galerias, estes ganhavam um certo simbolismo, o de em potência terem público e se materializarem”. Explica que já depois de regressar de Erasmus e de terminar a licenciatura, continuou a desenvolver estes trabalhos como forma de contornar os obstáculos diários do meio artístico. “O que acontece é que ou eu não tenho a capacidade financeira para executar os objetos, ou eu não tenho o espaço para os expor. Então, através da modulação 3D consigo não só pôr o meu trabalho no portfólio, como quando vou apresentar a empresas para me ajudarem a produzir, eu consigo mostrar as obras e colocá-las no espaço”.

IMAGO não é, assim, mais do que “um universo de significados que em potência resultam numa crítica contemporânea ao temporário e à realidade vivida pelos artistas em 2020”, lê-se na nota de imprensa. O espaço da exposição é inspirado na Galeria Francisco Fino, com a qual nunca tiveram “qualquer contacto” ou visitaram – “Tudo o que criamos foi imagem baseada na imagem”. gonssalo explica que tudo o que fizeram foi “pegar na imagem que existe do espaço da galeria e colocarmos lá a nossa imagem, nos vários níveis; a imagem do nosso trabalho, a imagem que temos enquanto artistas, mas ao mesmo tempo associar a um espaço que de certa forma legitima o que estamos a propor”. Conta que o maior desafio de todos foi “conseguir reproduzir os trabalhos dos restantes artistas, respeitando o que cada artista queria expor”. 

Numa exposição em que as obras comunicam entre si, que se espelham e dialogam, perceber que estas representam uma realidade alternativa não é imediato, pode aliás nunca chegar a acontecer. Contudo, “se quisermos analisar as imagens, numa leitura atenta, conseguimos perceber que não são reais, mas parecem reais, sugerem ser reais”, afirma o artista. gonssalo deixa claro que “o objetivo nunca foi, nem é mentir, apenas sugerir que é real. A ideia era criar uma ilusão de uma imagem através das redes sociais”. Para o conjunto de artistas, se estes conseguirem que “ pelos menos 100 pessoas vejam as fotografias, em cada um dos perfis pessoais de Facebook e Instagram, provavelmente 10 pessoas vão acreditar que aquilo existiu mesmo” e assim conseguirão “perpetuar a exposição”.

Texto de Bárbara Dixe Ramos
Fotografia da exposição IMAGO