A Fundação Calouste Gulbenkian, sediada em Lisboa, anunciou esta passada segunda-feira, dia 23 de março, a criação de um fundo de emergência de cinco milhões de euros, para apoio a diversas áreas como a cultura, saúde, ciência, sociedade civil e educação, que ajude a reforçar a resiliência das mesmas face ao impacto decorrente da pandemia covid-19.

“Tendo em conta a atual situação de pandemia decretada pela OMS e o estado de emergência que se vive em Portugal, por causa da Covid-19, o Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian aprovou a criação de um fundo de emergência, num montante inicial de 5 milhões de euros, que pretende contribuir para reforçar a resiliência da sociedade nos principais domínios de intervenção da Fundação”, anunciou em comunicado.

A Gulbenkian sublinha também que este fundo está aberto a contribuições de outros doadores. Em curso estão projetos com instituições e estruturas de investigação, em Portugal e no estrangeiro, e com os ministérios da Educação, no apoio a estudantes carenciados, e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, no apoio a idosos, entre outros projetos e entidades. São também considerados “artistas ou entidades de produção artística que viram os seus projetos cancelados”.

“Num momento de excecional gravidade, a Fundação Calouste Gulbenkian, fazendo jus à sua missão, reforça a sua atividade num contributo para combater uma pandemia que põe em causa a sociedade como sempre a conhecemos”, afirma Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, citada em comunicado.

Um dos setores mais afetados pela atual conjuntura é o cultural e artístico, que terá um “apoio de emergência a artistas ou entidades de produção artística que viram os seus projetos cancelados, nas áreas em que a Fundação habitualmente atribui apoios”.

Este apoio assumirá a forma de uma reposição parcial dos rendimentos perdidos, contribuindo para fazer face a despesas de subsistência.Além disso, será permitido manter e flexibilizar os apoios à criação já concedidos ou em processo de aprovação, “permitindo a sua redefinição e recalendarização, de modo a garantir a permanência das estruturas de produção afetadas”.

Por sua vez, na área da saúde, o fundo de emergência destina-se a reforçar a primeira linha de defesa do combate ao vírus, contribuindo para colmatar a falta de material de proteção e equipamento médico. Outra linha de intervenção é a da deteção e diagnóstico de casos, promovendo ativamente a sua identificação, para “reforçar a estratégia de contenção e preparar o retorno à vida social”.

Ainda na área da saúde, a fundação quer apoiar soluções de base tecnológica de desenvolvimento rápido – como plataformas e apps -, dirigidas à população, que ajudem a lidar com o isolamento, a partilhar informação fidedigna e a gerir corretamente a sintomatologia e a doença.

Relativamente à área da ciência, o fundo tem como objetivo reforçar o financiamento do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) – que dispõe de plataformas tecnológicas e competências científicas na área da imunologia, genómica, virologia e relação micróbio-hospedeiro -, para aumentar o conhecimento científico relativo à COVID-19.

Neste âmbito, pretende-se identificar os “fatores de risco dos indivíduos mais vulneráveis”, compreender a “resposta imunitária ao vírus” (o que poderá levar à aceleração da produção de uma vacina), e identificar possíveis vulnerabilidades do vírus, em particular na sua interação com o ser humano. De acordo com a Gulbenkian, esta iniciativa será aberta e coordenada com outras instituições e estruturas de investigação em Portugal e no estrangeiro.

No que respeita à sociedade civil, é lançado o projeto “Gulbenkian Cuida”, destinado a organizações que prestam apoio a idosos, um dos grupos de maior risco, em parceria com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS). Em comunicado pode ler-se que através deste projeto se pretende “reforçar a capacidade de resposta destas organizações a esta faixa da população, designadamente no apoio domiciliário”.

O fundo vai também apoiar outras organizações, com projetos atualmente financiados pela Fundação, de forma a que consigam sobreviver e “conservar os seus colaboradores com maior grau de precariedade durante este período de crise”.

Na área da educação, o fundo destina-se a ajudar os estudantes carenciados, permitindo-lhes ter acesso ao ensino à distância durante o encerramento das escolas. “O projeto será desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação e prevê apoio através de meios digitais e conectividade para alunos com dificuldades económicas que comprovadamente não tenham internet em casa para aceder a conteúdos e aulas online”, afirma a Gulbenkian.

Serão ainda reforçadas as “Bolsas Mais”, destinadas a estudantes com menos recursos financeiros que se candidatam pela primeira vez à universidade, com média de entrada superior a 18 valores.

Texto de Lusa e Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Fundação Calouste Gulbenkian

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